28 de janeiro de 2010

Nêgo, do Fast

Nêgo do Fast 1960Na década de 50, muitos torcedores iam futebol quando o Fast jogava, não só para ver o seu time preferido, como para assistir ao espetáculo de um de seus defensores que, além de jogar um bom futebol, era também um grande torcedor dentro de campo.

Os mais antigos devem estar lembrados de um lateral esquerdo, de cor escura, vindo do interior do Estado e que tinha o apelido de Nêgo. A torcida, mesmo a adversária gostava dele, do seu futebol alegre, do seu jeito sempre risonho, incapaz de atingir qualquer colega de profissão.

O torcedor se divertia ainda mais quando ele se danava a torcer com muita vibração dentro de campo. Se o seu time estivesse atacando, lá atrás o Nêgo chutava o vento e pulava quando o atacante dava uma impulsão para alcançar a bola, sempre com o braço esquerdo levantado e a munheca caída à altura da cintura. Chegava a fazer movimentos de goleiro na ocasião em que o adversário agarrava a bola. Muitos torcedores chegavam a abandonar o jogo só para ver as peripécias do Nêgo, tudo feito com a maior naturalidade deste mundo, a ponto de ser, também, observado pelos seus próprios companheiros de equipe.

Assim era o Francisco Ferreira Lima (Nêgo), nascido no município amazonense de Benjamim Constant a 17 de junho de 1925, onde começou a brincar com a bola. Pelo time de seu município, chegou a jogar na cidade de Iquitos e participou, ainda, da Cruzada, de Letícia quando não tinha compromisso em Benjamim Constant. Tudo isso aconteceu quando estava na faixa de 16 a 20 anos de idade.

Em junho de 1948, atendendo a um convite do cidadão Alberi, comprador de madeira da Serraria Rodolpho, de Manaus, Nêgo aqui chegou para jogar no Rio Negro, mas o Alberi não sabia que o futebol dessa agremiação havia sido extinto. Nêgo ficou meio sem rumo, mas o seu “padrinho” deu-lhe casa e comida enquanto não se resolvia o seu problema.  Um dia Nêgo foi apresentado ao técnico João Liberal pelo próprio Alberi. Fez um treino no dia 18 de junho de 1948 e logo assinou compromisso, estreando nove dias depois contra o Nacional que há dez anos não perdia para o Fast. Nêgo foi feliz, pois o Fast venceu por 2×1 e ele marcou o primeiro gol de seu time, enquanto Paulo Onety fez o outro.

 O pequenino Rui (já falecido) era o ponteiro esquerdo titular do Fast e seria marcado pelo zagueiro Caçador, um jogador de bom porte físico e acima de tudo um carrasco dentro de campo, temido por quase todos os atacantes da época. Falaram que Rui tinha medo do Caçador e por isso ele não apareceu para jogar. Diante disso, o técnico Liberal deu a camisa onze para Nêgo jogar como ponta, enquanto Dedé era deslocado para a lateral, entrando Canhão na zaga central.

O Fast foi bicampeão da cidade, 1948-1949 e Nêgo era titular absoluto, voltando a conquistar outro título em 1955. No ano seguinte, admitido como funcionário do Basa e com a determinação de servir em Benjamim Constant lá se foi ele deixando o seu Fast, mas em 1960 estava de volta a Manaus, ganhando a posição de titular novamente, pois sempre esteve em atividade em sua terra para manter a forma. Voltou para ser mais uma vez campeão com a camisa do Fast, largando o futebol, já com 35 anos de idade.

Andou pelo interior a serviço do Banco e aproveitou para tornar-se treinador do Nacional, de Parintins, pelo qual foi bicampeão. Treinou ainda o Náutico, de Itacoatiara.  Aposentado desde 1988, Nêgo andou sumido, pois tinha um pequeno comércio na cidade de Manacapurú, mas liquidou tudo e veio morar em Manaus.

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