7 de fevereiro de 2011

Comandante de ataque

Recebo longa carta do leitor Fernando Gomes da Silva, 58, conjunto Petro transmitindo congratulações pela volta do Baú e com várias considerações sobre a coluna ressaltando que gosta porque sempre recorda as boas coisas do passado, dos clubes, de antigos jogadores e solicita que dê minha opinião sobre os melhores centro-avantes do nosso futebol, antes do profissionalismo.

Adianta que era freqüentador, desde menino, dos jogos no Parque Amazonense e que chegou a ver jogar, pelo Fast Clube e principalmente o Amazonas contra seleções do Pará, o Paulo Onety, para ele, o mais completo atacante do futebol local. Sente, porém, que alguns amigos da mesma geração, embora concordando, admitem que outros existiram com a mesma categoria. Por isso, diz: “gostaria de saber a sua opinião a respeito”.clip_image002

VIDINHO (Isidoro de Carvalho), nascido a 6 de maio de 1907. Indiscutivelmente foi o grande jogador de ataque do futebol amazonense durante quase duas décadas. Tinha como principais características arrancadas fulminantes. Ficou com o apelido de Comandante porque realmente comandava o time dentro de campo, com o seu futebol primoroso e de excelente técnica. E, por essa designação, algumas vezes entrava em campo usando um quepe na cabeça, assim como o boné que os jogadores usam atualmente. Vidinho iniciou sua carreira nas peladas do campo do Monte Cristo, uma área que ficava na área da Ilha do mesmo nome, mais ou menos ali pelas bandas do inicio da rua Isabel. Seu bonito futebol o levou logo para a equipe da União Esportiva Portuguesa, em 1926, mas foi no Rio Negro que fez o seu cartaz e pelo qual foi bicampeão, 1931/1932, formando um ataque (cinco jogadores) que vivia na boca do torcedor: Ciro, Goiot, Vidinho, Ofir ou Adair e Bandeira. Depois voltou ao time da União Esportiva Portuguesa, onde ficou até 1940. Foi figura obrigatória nas seleções do Amazonas de 1926 a 1939 e sempre requisitado para reforçar os times locais por ocasião de jogos interestaduais. Vidinho. Diziam os mais antigos cronistas que o seu futebol, na época, estava adiantando dez anos. Morreu em julho de 1987, aos 80 anos e nunca escondeu que sempre foi um apaixonado rionegrino.

Vidinho estreou na seleção do Amazonas em 1926, contra o Piauí, no campo do Clube do Remo, em Belém. O Amazonas venceu por 3 a 2 gols de Waldemar, Patrício e Vidinho para os amazonenses. Na época foi o único jogador da União Esportiva Portuguesa convocado. Nossa seleção era formada por Lisboa, Rodolpho Gonçalves e Chico Oliveira, Dantas, Eduardo Cangalhas e Sócrates; Orlandoclip_image004o, Patrício, Vidinho, Waldemar e Leonardo.

PAULO ONETY – nascido em Itacoatiara a 2 de fevereiro de 1924. Durante muitos anos foi a grande estrela do futebol amazonense, não só por ser um emérito goleador, como pela técnica que exibia nos nossos campos, especialmente no sempre lembrado Parque Amazonense. Jogava limpo, técnica refinada, inteligência na coordenação das jogadas, precisão nos passes e muita eficiência nas finalizações. Como se diz na atualidade, tratava a bola por “Sua Excelência”. Veio para Manaus ainda garoto, com a idéia de jogar pelo Rio Negro, mas a saudade de sua terra e de seus, foi maior e logo voltou. O Nacional, que tinha o irmão Luís Onety, como zagueiro intermediou a vinda de Paulo para o “Leão da Saldanha Marinho”, como era chamado antigamente o Nacional. Por isso chegou a haver um estremecimento entre Nacional e Rio Negro, mas o “Leão Azul” tratou de segurar o promissor jogador que logo se tornou “o menino de ouro”, admirado até pela torcida dos times adversários. Com ele, o Nacional ganhou os títulos de 1941, 1942, 1944 e 1946.

No seu primeiro título pelo Nacional, com apenas 17 anos, jogava ao lado de Joel, Beré e Luís Onety, Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho; Caiado, Emanuel, Paulo Onety, Barrote e Raspada. Depois, em troca de um bom emprego, Paulo Onety passou para o Fast e mais títulos foram para a sua bagagem: 1948 e 1949. Em 1951 saiu de Manaus para jogar na Tuna Luso, de Belém e foi campeão. Recém casado, sentiu saudades da esposa e voltou para o Fast e mais um título de campeão, o de 1955, para o para o seu currículo.

Em 1957, aos 33 anos, encerrou sua brilhante carreira, ainda jogando pelo Fast. Paulo Onety foi convocado para as seleções do Amazonas, contra o Pará, em 1942, 1944, 1946 e 1950. Bancário aposentado e formado em contabilidade, morreu no dia 3 de agosto de 1991, aos 67 anos, em São Paulo motivado por problemas cardíacos. Seu corpo foi sepultado em Manaus.

Sem duvida, foram os dois mais completos comandantes de ataque durante o regime amador no nosso futebol. Vidinho, nas décadas de 20 e 30 e Paulo Onety, nas décadas de 40 e 50, fizeram nome no futebol amazonense. Outros bons avantes vieram, mas no profissionalismo

Morreu em 02-08-1991, em consequência de problemas cardíacos..

Filed under:Sem categoria || Tagged under:
Author:

1 comment
  • Alessandro Augusto

    Um Grande jogador assim como sua família e filhos, sou admirador do futebol Arte e técnico, ele deixou saudades.
    Hoje meu filho e paciente do filho do grande jogador,Drº Jose Augusto da Silva Onety
    Ass:Alessandro Augusto Leis Vieira

    12 de fevereiro de 2011 16:03 || Responder

Leave a comment

CALENDÁRIO

novembro 2025
S T Q Q S S D
« set    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

ARQUIVOS DO BAÚ