Numa tarde de domingo, no campo do Parque Amazonense, mês de junho de 1956, jogavam Nacional e Sul América pelo campeonato oficial. Era um jogo que despertava a atenção do torcedor pela bela campanha dos dois times e que por isso compareceu em bom número ao Estádio, predominando, é claro, a do Nacional.
Nesse dia a Rádio Rio-Mar, recém-inaugurada, colocava sua equipe esportiva para a transmissão do encontro, com uma dupla de jovens principiantes: João Lins e Luís Verçosa, ambos ex-atletas do esporte de quadra do Rio Negro. Luís Verçosa transmitia o jogo do lado da arquibancada, num reservado conhecido como “pombal da imprensa” e, quando um jogador se apoderava da bola, com ênfase ele dizia: “lá vai a mola propulsora do Sul América”, referindo-se ao jogador Zamundo que estava começando no time titular do “Trem da Colina”, como meia armador de bom controle de bola, muito fôlego, sempre defendendo e atacando com a mesma eficiência.
Nesse dia Zamundo foi considerado pela emissora, cujo prefixo era ZYB-20, como o melhor jogador em campo, embora a vitória tenha favorecido ao Nacional pôr 2 a 1, gol de Dadá e Português, enquanto Alemãozinho fez o tento do Sul América formado com Sandoval, Aurélio e Reinaldo; Sula, Artur Tribuzzi, e Carrapeta; Alemão, Zamundo, Ney, Evilásio e Tota.
Valter Reategui, um sargento do Exército (já falecido) que residia no bairro de São Raimundo, foi o mediador desse jogo.
Raimundo Pimenta, o Zamundo, até hoje não sabe como surgiu esse apelido. Acha que foi nas peladas do campinho do bairro da Glória, na época de Fredoca, Sula, Carrapeta, Tota e Assis.
Zamundo, Sula e Carapeta um trio que fez sucesso no Sul América.
Nascido no próprio bairro de São Raimundo, numa casa da Rua 5 de Setembro, Zamundo começou nos juvenis do Sul América e logo foi promovido a titular. Jogou quase oito anos no Sul América. Fez parte do time que derrotou o Guarani por 16 a 0, pelo campeonato de 1959, no campo da Colina, um escore até hoje imbatível. Em 1963 teve que parar em conseqüência de uma contusão muito forte, mas voltou aos gramados no ano seguinte com a camisa do São Raimundo e jogou até 1966 ajudando-o a ser campeão da cidade embora com apenas duas participações durante a campanha que só terminou em 1967. Depois disso parou, dedicando-se somente às peladas nos finais de semana.
Por duas vezes Zamundo formou na Seleção do Amazonas. Em 1960 em jogos contra o Pará. Perdeu de 3 a 1 em Belém e de 3 a 2 em Manaus, num time que jogavam:
Simões, Jaime Costa e Gatinho; Zamundo, Basílio e Orlando Mineiro; Tucupi, Dermilson, Gordinho, Hugo e Horácio.
Em 1962 novamente convocado, jogou contra o Maranhão. Perdeu as duas partidas. No Parque pôr 3 a 1 e em São Luís, pôr 4 a 1. Nesse ano a Seleção jogava com Pedro Brasil, Boanerges e Valdir Lima; Zamundo, Sula e Vanderlann; Aírton, Tomas, Santarém, Dermilson e Hugo.
Zamundo teve várias participações com a camisa do Auto Esporte na década de 50, sempre requisitado para reforçar o time em jogos interestaduais. Funcionário aposentado da Prefeitura, como magarefe, ainda trabalhou na mesma profissão para melhorar os proventos.
Casado, pai de três filhos, um deles homem, mora ainda no bairro onde nasceu. Vive modestamente, numa árdua luta para sobreviver, mas nunca se queixa de nada, mesmo estando em dificuldades.Quem passa na estreita rua atrás da sede do Sul América, sempre vê Zamundo por ali.
Zamundo (São Raimundo) e Sula (Nacional) – 1968
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Author: Carlos Zamith
4 comments
E Muito bom,rever a historia do meu avo, grande idolo do futebol amazonense,este tipo de memorial,eh muito bom, para quem faz parte dele. Eh reviver o nosso passado, pois ele eh o patriarca da familia pimenta.
Obg Deus abencoe
25 de outubro de 2013 01:28 ||
Saudacao
Eu neto lukas pimenta e
minha mae, filha do
ex-jogador zamundo, gladys
pimenta
25 de outubro de 2013 02:01 ||
Estefane e Samilly, adorei ver essa homenagem ao nosso bisavo Zamundo.Estamos felizes por ele
30 de novembro de 2013 08:52 ||
Grato Lukas!
4 de dezembro de 2013 05:18 ||