14 de maio de 2011

O zagueiro Gatinho

*23/05/1928  +09/09/1963

Eu vi o zagueiro Gatinho jogar futebol por mais de quinze anos. Acompanhei a sua trajetória desde as peladas do campo do Rapapé, localizado no início da Rua Leonardo Malcher, por volta do ano de 1943. Foi o maior zagueiro do futebol do Amazonas dos anos de 40 a 60, e muito jovem ainda já era campeão. Admirado até pelos adversários pelo modo simples, técnico e leal de jogar. Seu nome fica perpetuado na galeria de “Os Maiores do Futebol do Amazonas”.

Edgar Gonçalves Alcântara (Gatinho) nasceu em Manaus a 23 de maio de 1928 e herdou o apelido de seu irmão Gato que jogava pelo Olímpico Clube e ao seu lado na década de 40. Muito jovem, com 19 anos e atuando na intermediária, Gatinho foi campeão invicto pelo Olímpico, em 1947, já esbanjando categoria no sempre lembrado Parque Amazonense.

Formava com Luizinho Mão de Grude, Caçador, Aurélio, Omar, Dog, Gato, Cabral, Raimundo Rebelo, Juvenil, Sílvio, Ruy e Zé Luís. No ano seguinte o Olímpico abandonou o futebol e Gatinho passou a defender o Barés que estava entrando para a primeira divisão. Depois jogou no Fast e mais tarde no Auto Esporte, pelo qual foi campeão duas vezes, em 1956 e 1959. (Na foto com a camisa da Seleção do Amazonas, em 1951).

Na Seleção do Amazonas, Gatinho foi titular durante dez anos. Em 1950 formava dupla de zaga com Jaime Rebelo e tinha como companheiros, Hélcio Sena, Brás Gioia, Nêgo, Raspada, Pereirinha, Linhares, Paulo Onety, o paraense Smith e o goleiro Sandoval.

Jogou na Seleção até 1960, já na época de Simões, Jaime Costa, Zamundo, Jaime Basílio, Orlando Mineiro, Tucupi, Dermilson, Gordinho, Hugo e Horácio.

clip_image002[1]O último jogo oficial de Gatinho foi pelo Auto Esporte. Era o terceiro jogo do campeonato e o primeiro do seu time na temporada oficial Era o dia 15 de julho de 1962, um ano e pouco antes de morrer. O Auto enfrentou o São Raimundo, na Colina em jogo muito movimentado, com marcador final de 3×3. Nesse dia o atacante Coelho, marcou os três tentos do Auto Esporte, mas em contrapartida, o jogador Álvaro marcou os três do São Raimundo. Foi o “adeus” de Gatinho em jogos de campeonato.

O Auto Esporte formava com Clovis, Augusto, Gatinho, João Bosco e Hugo; Manteiga e Nonato; Totinha, Gordinho, Coelho e Manoel Conte. Depois desse jogo, o meio de campo Manteiga passou a ocupar a posição de Gatinho, enquanto Guilherme Terçado entrava no time.

Gatinho (foto no Barés, em 1954) tinha um estilo próprio. Um exímio cabeceador. Bola pelo alto era dele. Pulava de braços abertos para não tocar no adversário. Dono de uma impulsão fantástica. Leal e amigo dos companheiros de profissão que o respeitavam pela categoria que exibia. Fora do futebol era ajudante de despachante. Confessava sempre que gostava de trabalhar com dois técnicos: João Liberal e Cláudio Coelho.

A DOENÇA

Gatinho deixou o futebol aos 35 anos de idade. Andava um tanto deprimido. Os médicos da terra recomendaram tratamento fora, no Rio ou São Paulo. Foi para o Rio de Janeiro acompanhado da esposa. O caso era grave: leucemia. O tratamento foi em vão. Os dias foram passando e cada vez mais a cruel doença tomava conta de seu corpo. Faleceu no dia 9 de setembro de 1963, aos 35 anos, lá mesmo no Rio de Janeiro, onde seu corpo foi sepultado.

CAMPANHA

O goleiro Sandoval, amigo de grandes jornadas futebolísticas, contou-me um dia, que oito meses após o falecimento de Gatinho, promoveu uma campanha para que seus restos mortais fossem trasladados para Manaus. Muita gente colaborou principalmente adeptos do Barés e do Auto Esporte.

Transportado pela VASP o ataúde chegou conduzido por um irmão de Gatinho que trabalhava nessa empresa.

Um fato chamou a atenção dos que estavam aguardando o desembarque no antigo aeroporto de Ponta Pelada. No exato momento que em o ataúde era retirado, uns amarrados de bolas de futebol, que vinha como carga no mesmo avião estourou e as bolas, sem ar, espalharam-se por sobre o caixão fúnebre.

Os restos mortais do grande zagueiro foram conduzidos para o Cemitério de São João Batista com grande acompanhamento.

Na quadra 4, sepultura 742, sempre há um velho desportista, um ex-companheiro ou um amigo rezando por Edgar Gonçalves Alcântara, o Gatinho.

Filed under:Sem categoria || Tagged under:
Author:

1 comment
  • Ei Vô…

    Te amo, muito Obrigado por tudo…

    Queria poder te ver todos os dias para falar isso…

    17 de maio de 2011 16:36 || Responder

Leave a comment

CALENDÁRIO

novembro 2025
S T Q Q S S D
« set    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

ARQUIVOS DO BAÚ