O Campeonato Brasileiro de Futebol quando era disputado entre as Seleções dos Estados, movimentava o torcedor amazonense, principalmente nos jogos contra o Pará em razão da grande rivalidade provocada pelas torcidas. Os paraenses chamavam os amazonenses de “jaraqui” e em troca, os amazonenses denominavam os adversários de “jacaré”.
Era assim o clima, tudo na base da gozação, desde quando os dois Estados participaram da competição patrocinada pela antiga CBD. É verdade que os paraenses sempre levavam vantagem dentro de campo aplicando boas goleadas nos nossos representantes e fora dele, na escolha do local do jogo decisivo.
Como a série de jogos era sempre em “melhor de três pontos”, o primeiro jogo tinha como sede nossa Manaus, o que dava uma boa vantagem aos paraenses porque mesmo perdendo o primeiro jogo, tinha a chance de ganhar o segundo e a prorrogação em casa. Esse fato revoltava os amazonenses. Achavam que os paraenses eram privilegiados pela CBD, quando a verdadeira história era a força de seu representante junto à entidade.
NOVO CRITÉRIO
No ano de 1953, a CBD adotou outro critério na disputa da competição. Colocou o Amazonas numa chave para enfrentar a Seleção de Goiás. Era uma outra novidade para os amazonenses, mas não despertava tanta atenção como se fosse jogar contra o Pará. Mesmo assim, novamente a força do representante favoreceu ao adversário. Em Manaus o primeiro jogo Amazonas x Goiás e o segundo, em Goiânia.
Antes do jogo Goiás x Amazonas, em 1954, em Goiás. Pereirinha, Brás Gioia, Clemente, Nicolau, Hélcio Peixoto, Toscano, Gatinho, Lafayette Vieira, Miss Goiás, Heleno Montenegro, de óculos, e Reginaldo Xavier, na ponta, de blusão.
No dia 2 de janeiro de 1954, (o campeonato valia pelo ano anterior), o Parque Amazonense recebeu grande número de torcedores. De reduzida acomodação, o nosso principal estádio localizado no antigo bairro da Vila Municipal, numa estreita Rua conhecida por Belém (hoje Rua Domingos Lima), desde cedo já dava sinais de lotação completa, o que de fato ocorreu.
O Amazonas, com camisa tricolor da FADA (vermelho-azul e branco) tinha o comando do antigo “center-half” Pedro Sena, que por muito tempo brilhou no time titular do Nacional e entra em campo com: Sandoval, Clemente e Gatinho; Hélcio Sena (irmão mais novo do técnico), Toscano e Gioia; Hélcio Peixoto, Pereirinha, Paulo Onety, Lafayette Vieira e Nicolau.
O time de Goiás, com jogadores totalmente desconhecidos da torcida local. Uberaba, Baguinha e Bela Vista; João Preto, Gilberto e Didiu; Betinho, Cisquinho, Salsicha, Foca e Loló. De todos, os que mais causaram perigo ao time amazonense foram os atacantes Cisquinho e principalmente Foca.
O time do Amazonas teve muita dificuldade em sair de campo vitorioso por 3 a 2, em razão da boa atuação do goleiro Uberaba, um funcionário autárquico, batizado com o nome de Ênio Ferreira.
Os gols do Amazonas foram marcados por Pereirinha, Lafayette e Hélcio Peixoto, enquanto Foca marcou os dois do Estado de Goiás.
Sem muita esperança, a delegação do Amazonas, presidida pelo Coronel do Exército Paes Barreto, viajou para Goiás, para cumprir o segundo jogo. Completavam a comitiva, o vice-presidente da FADA, Heleno Montenegro, os dirigentes Camilo Abnader, Edmundo Sefair e Reginaldo Xavier. No início do jogo recepção no centro do gramado à frente à Miss Goiás que ofereceu flores aos amazonenses. O jogo em si foi todo favorável aos goianos.
Seleção do Amazonas em Goiás, em 1954. Em pé: Manuel Dez Horas (massagista), o goleiro Sandoval, Gatinho, Clemente, Brás Gioia, Toscano, Nêgo e o técnico Pedro Sena. Agachados: Hélcio Peixoto, Pereirinha, Osmar, Lafayette Vieira e Nicolau.
Em relação ao primeiro jogo, o time do Amazonas apresentava-se com alterações: Nêgo no lugar de Hélcio Sena na intermediária e Osmar no lugar de Paulo Onety, no ataque. No final o marcador acusou 2 x 0, gols de Foca e Zé Luís.
PRORROGAÇÃO
Pelo regulamento, foi jogada uma prorrogação de 30 minutos, uma vez que ambas as seleções estavam com dois pontos ganhos. O atacante Eudes de Azevedo Machado, nascido em Palmeiras de Goiás, a 11 de março de 1931, liquidou com as pretensões dos amazonenses, marcando 1 a 0 ainda no primeiro tempo.
O Amazonas voltou, encerrando sua participação em mais um Campeonato Brasileiro de Futebol.
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Author: Carlos Zamith
2 comments
Gostaria sim de mais detalhes sobre a participação do meu pai no futebol amazonense (Nacional, America e seleção Amazonense)
grato
28 de maio de 2012 18:39 ||
Hélcio Jr.
Aguaarde que estou preparando uma pequena biografia de seu pai, Hélcio peixoto
29 de maio de 2012 08:31 ||