«02/11/1917 U17/08/1993
Um jogador franzino, mas com boas qualidades para a posição de zagueiro, um posto quase sempre ocupado por atletas de bom porte físico. Jogava com sobriedade e dava de bico nas horas necessárias, mas sabia, também, sair jogando com elegância.
Nilo Rodrigues, mais conhecido por Facadinha, nasceu em Manaus a 2 de novembro de 1917. Começou a dar seus primeiros chutes em bolas de meia, depois de cernambi até chegar à bola de couro, costurada à mão, com um incômodo laço, também de couro, que doía barbaridade quando o jogador era obrigado a usar a cabeça. Facadinha quando começou em time grande, foi nos quadros inferiores do Rio Negro, nos idos de 1934, até alcançar o primeiro time já em 1937. Campeão amazonense pelo Rio Negro em 1938 e 1940 jogando ao lado de Amâncio.
Foto, Rio Negro de 1939, Facadinha e o goleiro Iano Monteiro.
Um dia, Facadinha aborreceu-se com dirigentes de seu clube, transferindo-se para o Olímpico e lá ficou até 1943, quando resolveu arquivar as chuteiras, com apenas 26 anos de idade. No Olímpico foi companheiro de Tuta, Manuel Braga, Jerônimo Raposo, Walmir Bonart, Klim, Agobar Garcia, Adair Marques, Sálvio Miranda Corrêa, Sarkis, Ubaldo, Cláudio Lemos, dos goleiros Atlas e Gotí.
Na foto, Olímpico de 1943: Sarkis, Facadinha e Ubaldo Peruano.
O futebol no Amazonas vivia no regime amador O atleta ingressava num clube qualquer em troca de um emprego e assim aconteceu com Facadinha. O Rio Negro deu-lhe uma colocação na Secretaria de Saúde, onde passou pouco tempo, transferindo-se para o Ginásio Amazonense como inspetor de alunos. Quando estava perto de se aposentar, galgou o cargo de escriturário por merecimento.
No seu tempo de garoto, quando morava na Rua Bernardo Ramos, ao lado da Prefeitura Municipal, brincava com os meninos de sua idade, pelas calçadas batendo bola e ali também morava um cidadão conhecido por Comandante Bahia, que estava sempre à janela de sua casa observando a brincadeira dos garotada. Quando via o velho Comandante, Nilo sempre lhe pedia um tostão para comprar guloseimas. Seus companheiros de peraltice, logo o apelidaram de Facadinha e assim ficou por toda a sua vida.
Facadinha (foto de 1990) participou dos 15 minutos decisivos de Rio Negro e Nacional, pelo campeonato de 1939, disputado no Parque Amazonense. Para o “Baú Velho” revelou em 1990, que o Rio Negro poderia ter sido campeão, mas a sorte ajudou o Nacional. Recordou que o jogo estava empatado e o árbitro marcou um penal contra o Rio Negro. O avante Cláudio Coelho não permitiu a cobrança por considerar ilegal. O Tribunal Desportivo da FADA determinou que os 15 minutos finais fossem jogados começando com a cobrança do penal. Assim foi feito. O Nacional marcou o pênalti cobrado por Pedro Sena e logo depois o Rio Negro marcou novo empate através de Cláudio Coelho, resultado que daria ao time barriga-preta o título. Mas, quando tudo fazia crer que nada de novo aconteceria, Emanuel marcou o gol da vitória nacionalina, o gol do título muito festejado na parte noturna na sede da Saldanha Marinho.
Mesmo tendo deixado muito cedo o futebol, Facadinha até quando pôde esteve perto dele. Em 1950 conseguiu uma passagem grátis pela FAB e foi para o Rio de Janeiro assistir a Copa do Mundo, no Maracanã. Voltou cheio de tristeza com a perda do título para os uruguaios na partida decisiva em que o Brasil jogava pelo empate.
A “MANCADA”
Sempre que preparava a coluna “Baú Velho”, tinha o cuidado de ao falar de um jogador presente na foto, para revelar por onde andava este ou aquele jogador. Minhas consultas quando de tratava do time do Rio Negro, recorria ao antigo ídolo Cláudio Coelho ou seu irmão José Ribamar Coelho, meus amigos de muitas décadas.
Um dia, março de 1990, num comércio de nome “Casa do Boi”, na Avenida Djalma Batista, um cidadão já de certa idade, aproximou-se e fez uma pergunta:
Você é o autor da coluna Baú Velho.?
A resposta foi positiva e logo lhe enderecei a pergunta:
O senhor já jogou futebol?
Sim. E você já me matou duas vezes!
Ele era o Facadinha, o cidadão Nilo Rodrigues, “vivinho da silva”
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Author: Carlos Zamith
5 comments
Dr. Zamith, publique fotos do parque amazonense nos dias de jogo, faça uma matéria deste estádio sua história, eu não alcancei esse período aureo do nosso futebol, algumas vezes conversando com o prof. Antonio Piola, ele falou de um pão disco voador que vendia lá na frente, ficarei grato.
8 de novembro de 2011 08:48 ||
Carlinhos:
Tenho pronta a história do Parque e dos clubes do nosso futebol, os que ainda estão em atividade e os que já se foram. Falta “fôlego”, ou “Tutu” para para a publicação.
8 de novembro de 2011 16:05 ||
Espero que algum empresário lhe ajude a publicar um livro que fale do nosso “PARQUE AMAZONENSE ” quem sabe a editora VALER, se interesse pelo livro contando a história desse estádio que foi palco dos melhores momentos do nosso futebol, temos muitos alunos de Educação Física, que iria ser um manancial nas pesquisas acadêmicas no curso de Educação Fisíca. grato
8 de novembro de 2011 23:32 ||
Dr. Zamith Vsa. poderia me indicar onde eu possa adquirir a primeira edição do “BAÚ VELHO” pois não tenho e gostaria de adquirir, visto que já tenho a segunda edição. grato
10 de novembro de 2011 11:09 ||
Carlinhos:
Não há mais a 1a. edição do Bau Velho. O que restava as águas levaram mais de 80 exemplares. As chuvas e alagamentos onde moro, foram os resposaveis.
11 de novembro de 2011 13:53 ||