No mês de fevereiro de 1915, esta cidade foi abalada com a morte de uma jovem de nossa sociedade, vítima de um acidente, numa festa de carnaval e sempre que vou ao Cemitério de São João Batista, vejo com tristeza o estado de abandono da sepultura da jovem Ária Ramos, segurando um violino, instrumento que tocava quando foi alvo de um tiro traiçoeiro de revolver, fato que não chegou a ser bem esclarecido.
Já falei sobre o assunto a pouco mais de dois anos, com dados obtidos em pesquisa que realizei, buscando detalhes em jornais da época e volto ao assunto revoltado com a sanha de indivíduos selvagens, brutais que estão destruindo o mausoléu da jovem Ária.
Fiquei triste ao ver, na quadra 5, daquele Campo Santo, os danos causados pela ação cruel dos vândalos, danificando parte de uma obra artística.
Ária Paraense Ramos foi vítima de um acidente, numa festa de terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro de 1915, no Ideal Clube que na época tinha sua sede nos altos do prédio na Avenida Eduardo Ribeiro esquina coma Rua Henrique Martins, onde hoje (1990) existe uma loja de roupas e muito antes fora uma agencia de transportes aéreos Cruzeiro do Sul.
A jovem Ária Ramos, com seus 19 anos incompletos estava executando a melodia “Subindo ao Céu” ao violino, quando uma bala perdida a atingiu. Foi levada às pressas para a Santa Casa de Misericórdia, nos braços de alguns participantes do baile, mas não resistindo ao grave ferimento, Ária morreu.
O lamentável acontecimento abalou esta cidade, na época estimada em aproximadamente 100 mil habitantes. Toda a sociedade manauára prestou a sua homenagem á jovem.
No Jornal “O Tempo” do dia 23 de fevereiro de 1915, está o registro da Missa de 7º. Dia:
“Ás 8 horas, na Catedral, foi mandada celebrar pelos “Paladinos da Galhofa”, missa contada pelo reverendíssimo Pedro Cezar Garcia. No coro as senhorinhas Maia Melo, Lucinha Amora e Heloisa de Miranda Leão que cantaram a celebre “Maria di Chiesa Pietá” de Stradella. A orquestra estava composta pelos professores Joaquim Franco, Sobreira Lima, João Donizetti, Alexandre Rayol, Thomé Lisboa, José Domingues, Urcano Damasceno, Madame Rosa Brasil, sob a direção do desembargador Paulino de Melo”
Diz ainda o Jornal O Tempo:
“O templo recebeu ornamentação compatível ao ato e à idade. Não havia ali negrume dos lutos que abate as almas e confunde corações. O cadafalso era de azul e branco, as cores simbólicas da inocência e da fé “a jovem musicista a quem a fatalidade impiedosa crivou a vida”.
O mesmo jornal registra que as despesas com a solenidade foram todas pagas pelos associados do grupo “Paladinos da Galhofa”, do qual era integrante a jovem Ária.
No dia 22 de fevereiro de 1915, a Intendência Municipal também prestou sua homenagem através do Intendente (hoje Vereador) João Antônio a Silva, perpetuando à sepultura onde foi inumado o cadáver de Ária Ramos, falecida em conseqüência de um acidente ocorrido no Ideal Clube, no festival dos “Paladinos da Galhofa”.
Na quadra 5, do Cemitério São João Batista está a sepultura toda em mármore, com a figura de Ária Ramos de corpo inteiro, ostentando um violino com o qual encontrou a morte, mas os vândalos andaram por lá. Danificaram parte do instrumento, também de mármore, com o descanso do queixo, as cravilhas e a “arca” destruídas, além de parte do rosto da jovem. Vi tudo com imensa revolta e lia na pedra que cobre o túmulo, num trabalho feito na época pela firma Ítalo Amazonense, esta descrição:
“Diante de sua graça, que a doce alegria de viver tornava ainda mais radiosa. Esta fase de gênio que no esplendor da sua mocidade alvorecia, a própria morte estacou maravilhas; e em vez de apostar com a arma sinistra e mortal que traz não ombro; a tocou de leve sutilmente, com um beijo fulminante”. (Comovida homenagem póstuma da sociedade amazonense)”.
Ária Ramos nasceu a 12 de agosto de 1896 e a fatalidade tirou-a do mundo no dia 17 de fevereiro de 1915, aos 18 anos e meio. Foi morta num baile de carnaval, por um tiro disparado por seu namorado que usava uma fantasia de caçador. Dizem alguns que tal tiro foi acidental. A arma disparara durante uma briga do rapaz com o ex-noivo da moça. Outros dizem que não houve briga nenhuma, e até hoje permanece um mistério o motivo de sua morte.
Observação: alguns reparos (anos depois) foram feitos para corrigir os danos causados pelos vândalos, mas na verdade apenas um arranjo, longe do original.
Tagged under: aria ramos, Manaus Antiga
Author: Carlos Zamith
24 comments
Ária Ramos foi e é um dos marcos históricos do carnaval de Manaus. Culminou a sua morte com a Queda do “Boom” da Borracha, iniciado cerca de 25 anos antes. A partir daí a “Mãe dos deuses”, Manaus, entrou em franca decadência econômica.
Ária Ramos foi decantada em prosa e verso. Lembro de um samba de enredo feito por Flávio de Souza, para o Carnaval de 1982, na Escola de Samba EM CIMA DA HORA. Lá o compositor cita: Paladinos da Galhofa/ Ária Ramos e sua Estrela preferida…
7 de novembro de 2011 11:27 ||
Caro Zamith, em relação o musuleu da Aria , não somente o dela, mais muitos tumulos estão sendo depedrado, hoje meu nobre amigo voce tem medo de ir ao cemiterio, em dias de domingo de tarde o negocio e feio bebados, macnheiros e marginais proliferam aquela area, la estar a sepultara da familia, e quando chega o aniversario de alguns dos entes querido que ja se foram, vou acender umas velas e orar, pois bem no domingo 26 de agosto, fui até devia ser mais ou menos umas 15 horas, mau fui encostando o carro, ja fui sendo arrodeado por dois caras e que ja havima pedido primeiro para cuidar da sepultura, como neguei queriam cigarro e coma falei que não tinha eles disseram nunca voces tem nada, falei que ia compra e sai, sem acender as velas , voltei em outro carro e eles ja vieram de novo, mostrei o 38 para eles quer cigarro agora…porra Zamith , ninguem toma providencia o nosso cemiterio estar a bel prazer..Foi tirado a foto em moldura de bronze do tumulo de meu tio que voce muito conheceu, o Wanderley que tinha um conjunto e que animava as festas de carnavais, denominado Wanderley e seus batutas, tio e pai meu e dos meus irmãos, o negão que jogou no fast e outros que atuaram no Nacional, Sul America e Nautico…..não tem mais a quem recorrer
8 de novembro de 2011 14:49 ||
Em muitos cemitérios do mundo, principalmente o Père-Lachaise, na França, os cemitérios além de um local de religiosidade, também são pontos turísticos.
O nosso São Jão Batista, tem inúmerras sepulturas que verdadeiras obras de arte, que poderiam bem serem usadas nesses termos.
Agora, é preciso ter mias segurança dentro dosa nossos ditos campos santos, não só pela sepiulturas, mas também por causa de quem vai aos cemitérios.
Acorda poder público!
9 de dezembro de 2011 13:28 ||
Olá amigo jornalista e escritor,gostaria muito de tornar a historia de ÁRIA RAMOS numa encenação teatral,fiz um trabalho no CEMITERIO S,JOAO BATISTA na época do Prefeito SERAFIM,fazia JEFERSON PÉRES.Gostaria saber por onde posso caminhar para realizar uma pesquisa densa e profunda sobre esta moça.Quando o espetáculo estiver pronto convidarei á todos para assistirem.um abração.
16 de março de 2012 11:18 ||
Meus Caros, em razão de uma conversa despretensiosa com uma senhora amazonense, lembrei-me da história de Ària Ramos e joguei seu nome no google, daí vindo a esse muito interessante blog. Ária Paraense Ramos é minha tia-bisavó, cuja irmã chamava-se Pátria Portuguesa, a tia Pátria, uma homenagem que o pai português fez à sua pátria de origem e à sua nova pátria brasileira. Não conheço bem essas histórias de família, mas minha tia avó, sobrinha dela, mora em Belo Horizonte, e já está bastante enfraquecida. Quem quiser resgatar essa parte da história de Manaus, cidade que não infelizmente não conheço, pode conversar com ela e obter informações mais fidedignas. Abraços a todos!
9 de abril de 2012 20:48 ||
ola,muito me comoveu essa historia de aria a primeira vez que a ouvi.aprecio muito a historia de nosso amazonas em particular da antiga paris dos tropicos,e muito interessante saber das pessoas que aqui estiveram a algum tempo antes de nos;se talvez um dia existir uma maquina do tempo,(eu sei que nao vai existir,mas e que eu sou muito sonhadora sabe)eu voltaria so para conhecer de perto aria ramos,ou talvez quem sabe etelvina alencar,delmo pereira,terezinha baltazar e um jovem rapaz ao qual esqueci o nome,mas que jaz num pequeno cercado do cemiterio sao joao batista,morreu muito jovem,nao sei nada sobre ele mas apenas e ha a imagem de sua foto em minha mente.bom,espero que parem de depredar nosso cemiterio,pois pra mim e uma heranca que nossos antepassados nos deixaram.estejam em paz e fiquem com DEUS.bye
24 de maio de 2012 21:17 ||
Agradeço- lhe imensamente a oportunidade de conhecer a história dessa cidade que a mim recebeu de braços abertos. Essa terra é do meu então querido e falecido pai, olho as fotos e leio os fatos da época com lágrimas nos olhos por não poder compartilhar esse momento com ele. Sei que o faria feliz e nos renderia horas a fio de conversas sobre tudo de antes…. Meus sinceros agradecimentos, e se caso ainda não tenha o perfil do Baú Velho no face, peço- lhe encarecidamente que divulgue essa preciosidade que é a sua página. A encontrei através de uma notícia sobre a enchente em um jornal local no facebook. Novamente obrigada!
26 de maio de 2012 10:26 ||
Caro Amigo Zamith, parabéns, pela materia e pelo seu cuidado de expor a nossa História, não só do lado desportivo, mas, também mostrando a nossa cidade “Sorriso”, que foi ha um tempo atras, hoje depredada pela falta das autoridades e também de nosso povo, que perdeu completamente o respeito e o cuidado com nosso patrimonio, é lamentavel ver Manaus da forma que está afundando em uma enchente de corrupção e descaso. Voltamos a ser “Porto de Lenha”, e nosso “sorriso” não passa de uma “careta” banguela e desfigurada.
Saudações
11 de julho de 2012 14:57 ||
sempre me interessei por historias assim bem antigas,e sempre q vou ao cemiterio sao joao batista vou ao tumulo de ària ramos, e fico pensando como se vivia nakela epoca,pois o tumulo de minha avo fica bem proximo ao dela…fico admirando sua estatua perfeita como se fosse real.
19 de julho de 2012 00:56 ||
Olá PAULO FERNANDO
Eu era ainda criança quando conheci o túmulo de Ária Ramos, daí em diante isso começou a fazer parte de minha vida. Fiz um ralato sobre acontecimento de minha vida onde também cito Ária Ramos.(LEMBRANÇAS DE UM TEMPO)que a SOBRENATURAL publicou. Gostaria muito de saber mais sobre Ària, como posso entrar em contato com sua tia? .Agradeço a gentileza.
um abraço e fique com Deus
22 de julho de 2012 10:24 ||
GOSTARIA DE CONHECER A REPORTAGEM FEITA PELO JORNAL A CRITICA COM O TEMA ” O ULTIMO BAILE DE CARNAVAL DE 1915″
26 de agosto de 2012 15:04 ||
Sou neto da Patria Ramos a unica irmã da Aria que veio para Portugal o meu pai tem muita informação sobre a historia da Aria, nomeadamente tem um livro onde o meu bisavô juntou todas as noticias que na epoca sairam na imprensa sobre esta trájica morte. A minha avó tocava muito bem piano mas parece que das irmãs a Aria seria a mais virtuosa (violino) . Um abraço
6 de setembro de 2012 19:46 ||
Sou filho de Alyrio Ramos, que era irmão de Aria Ramos. Nasci em Manaus e aí vivi até 1940, ano em que meu pai faleceu. Moro em Belo Horizonte, desde então, onde tambem mora minha irmã a quem se referiu o Paulo Fernando Ramos Serejo. Dentro de duas semanas, estarei em Portugal, quando terei oportunidade de visitar os primos que são filhos de minha tia Patria. A partir de 10 de Outubro, estarei, à sua disposição para quaisquer informações que porventura venham a lhe interessar sobre a familia e a curta vida de minha tia Aria. Um abraço
14 de setembro de 2012 11:43 ||
Como eu esperava, a história de Ária Ramos esta sendo desvendada. Pouco se sabia sobre essa tragédia que comoveu Manaus em 1915. Graças a Deus o mistério esta sendo revelado.
Vamos aguardar .
14 de setembro de 2012 22:10 ||
Olá Caro Zamith
Com o retorno do Sr.Fernando Marcus, de Portugal, alguma informação nova sobre Ária Ramos? Um abraço.
7 de novembro de 2012 20:45 ||
Graça:
Nada de novo sobre Ária.
8 de novembro de 2012 14:35 ||
nossa essa historia e muito comovente o nome do noivo dela eu esqueci mais parece que o noivo dela tinha 16 anos e o que disseram ai outro chegou e ela quis ficar com o outro ai foi que o noivo ficou revoltado e ali na festa de carnaval que ele estava matou Ária Ramos com a arma do ex atual noivo dela para dizer que foi o ex atual que matou Aria Ramos que dizem que e bala perdida mais não e foi o ex marido dela.
Bom e so o que eu sei.
13 de novembro de 2012 21:29 ||
Caro Zamith,
Sou muito grato a vc pelo empenho em tornar de nosso conhecimento a vida desta grande personalidade da familia amazonense, vou todos os domingos reverenciar minha falecida mãe que descansa no São João Batista e todos os domingos visito a sepultura de Ária Ramos. Outro dia cheguei a ler na Internet a primeira parte de uma trilogia sobre Aria Ramos mas não consegui achar as outras partes desta publicação. Ficaria muito honrrado e agradecido se vc atraves de seus conhecimentos jornalísticos pudesse no brindar com este com a trilogia completa de nossa Ária.
Abraços
11 de abril de 2013 17:22 ||
Sou filha de Petrônio Marcus de Garcia Ramos, sobrinho de Ária Ramos – irmã de meu avô Alyrio Ramos – e mãe do Paulo Fernando Ramos Serejo, autor de comentário acima. Ária Ramos era minha tia avó portanto, e todos nós crecemos ouvindo a triste história da sua morte, mais triste ainda por ter permanecido envolta em mistério. Gostaria muito de poder ajudar, mas infelizmente só conheço o que aqui já foi revelado. Creio que meu tio Fernando Marcus poderá ajudar, uma vez que minha tia Dorothy, irmã dele, já está bastante idosa.
29 de julho de 2013 19:38 ||
Tenho cópia de vários artigos de jornais da época, poesias publicadas, reportagens.
Assim que puder farei uma pesquisa e, achando, aqui colocarei o texto da reportagem do jornal “A Crítica “, a que a Sra. Socorro Amaral se refere.
30 de julho de 2013 21:39 ||
Pouco se sabe sobre essa tragédia com a Ária, e muito menos se sabe sobre o autor do disparo que a matou. Porém surgiu uma informação de que o ex-noivo morava em um casarão que agora está em ruínas na Leonardo Malcher esquina com a Getúlio Vargas,. porque foi abandonado pelos donos, que aterrorizados com a tragédia foram embora para Portugal.
5 de setembro de 2013 14:08 ||
Ao Senhor Carlos Zamith parabéns pelo site,eu sou aluno de historia na faculdade Nilton Lins e o seu site é um verdadeiro tesouro que eu estou divulgando para todos que eu conheço,venho aqui pedir sua permissão para se possivel anexar o seu site no meu site http://www.manausnetv.com.br
eu tenho 8.000 seguidores e varios parceiros e gostaria de divulgar algumas materias do seu site mais tudo isso logico com a sua permissão.
agora eu tambem me dirijo aos parentes De Aria Para Ramos aos Senhores e as senhoras:
PAULO LUIZ BASTOS SEREJO
Elizabeth Ramos Serejo
FERNANDO MARCUS DE GARCIA RAMOS
Pedro Esteves
Paulo Fernando Ramos Serejo
estou escrevendo um livro Sobre Aria Ramos para que ela não seja esquecida na memoria de Manaus e que a próxima geração possa saber quem foi essa figura ilustre
tenho algumas informações de Portugal mas gostaria de confrontar e verificar se é verdadeira a fonte e se posso contar com a ajuda de voces?
meu nome EVANDRO PEREIRA DE SOUZA
MEU EMAIL barevandro@yahoo.com.br
meu numero do projeto 09299825631 aguardo seu contato
agradeço ao amigo Carlos Zamith e estou a disposição para fazer parceria e divulgar este site de grande utilidade
15 de outubro de 2013 12:31 ||
Sou funcionaria do Cemitério São João Batista e estou fazendo uma pesquisa sobre os ilustre que estão sepultados neste cemitério . Muitos acadêmico procuram informações sobre a Aria Ramos peço a familia ou mesmo pesquisadores que tiveram informações sobre esta jovem encantadora que me ajudem nesta pesquisa. Meu objetivo e poder oferecer ao visitantes informações aos visitantes deste patrimônio histórico do amazonas.
4 de julho de 2014 10:58 ||
Ana Gisele, copia e cola o link abaixo:
https://bauvelho.com.br/?p=1558
13 de julho de 2014 09:37 ||