Começou a jogar bola como zagueiro do Nazaré, um time suburbano organizado pela rapaziada residente no final da Avenida Joaquim Nabuco, para os mais antigos, do “Alto de Nazaré”, término da linha de bonde, cuja placa de fundo amarelo tinha o nome de Nazaré em vermelho.
Clovis Amaral Machado, nasceu na cidade de Parintins, a 20 de outubro de 1943 e veio para Manaus ainda garoto e aqui começou a se interessar pela bola.
Em 1959 já estava no time juvenil do Auto Esporte comandado por Cláudio Coelho. Num dia de treino faltou um goleiro e Clovis tomou conta do posto para nunca mais sair, deixando longe a idéia de ser zagueiro. Suas atuações foram acima do esperado para um garoto que tinha realmente boa estatura para jogar na zaga.
JOGO SUSPENSO
Em 1961, com 18 anos, chegou ao time titular do Auto e fez seu último jogo com essa camisa, em 22-12-1962, contra o Rio Negro, no Parque, perdendo por 3 a 1.
Este jogo foi suspenso após o terceiro gol rionegrino assinalado por Thomaz. É que alguns torcedores do Auto Esporte invadiram o campo insatisfeitos com a marcação do árbitro José Pereira Serra que, sem condições, preferiu suspender o jogo aos dez minutos do segundo tempo. Quatro dias depois o jogo continuou com outro árbitro, Dorval Medeiros e terminou sem alteração no marcador.
NO RIO NEGRO
Nosso futebol ainda era amador. Clovis trocou o Auto Esporte pelo Rio Negro em 1963, mas teve que cumprir um estágio exigido pela lei de transferência. Nesse mesmo ano o Rio Negro empreendeu uma temporada em gramados do Pará e do Maranhão e Clovis foi incorporado à delegação que levava mais dois goleiros: Pedro Brasil e Chicão. Com a saída de ambos, Clovis passou a titular até 1970, quando teve uma rápida passagem pela Rodoviária, voltando ao ninho antigo em 1973, perdendo a posição para o carioca Carlos Henrique, já no Segundo Turno do campeonato. Depois, o Rio Negro contratou outro carioca, o Borrachinha, para disputar o Copão e Clovis decidiu parar.
A TOALHA VERMELHA
Na sua fase áurea no Rio Negro, ficou famoso, não só pelas defesas sensacionais, como pelo uso de uma toalha vermelha nos dias de jogos contra o Nacional. Ele contou como surgiu essa história:
”Tudo começou por acaso. Naquele tempo os goleiros não usavam luvas. Num clássico Rio-Nal, o gramado do campo do Parque Amazonense estava escorregadio e eu precisava enxugar as mãos. O técnico Osvaldinho (ex-jogador do América do Rio, e que atuou também em Portugal), deu-me uma toalha vermelha e eu só sei que nesse dia não tomei nenhum gol. Depois, em todos os jogos contra o Nacional, eu levava a minha toalhinha vermelha que sem me deu muita sorte”.
Durante um dos clássicos com o Nacional, na Colina, Clovis recorda que o jogo foi assistido pelo saudoso comentarista João Saldanha, que não economizou elogios à sua atuação, coroada com uma grande vitória.
Clovis sempre gostou de vestir uniforme preto nos jogos de seu time e por isso alguns locutores, especialmente Carlos Carvalho, da Rádio Difusora, deixavam de lado o Clovis para chamá-lo de “O Aranha Negra”.
HOMENAGEM
Depois de nove anos sem jogar oficialmente, embora participando de peladas nos finais de semana, Clovis foi convidado vestir camisa do Rio Negro que lhe prestaria u’a homenagem. Era o mês de junho de 1982, dia de jogo amistoso contra o Bangu, do Rio, no estádio da Colina. Tomou conta o espetáculo, praticando defesas de vulto e por isso merecendo os aplausos da grande platéia. Jogou até aos seis minutos do tempo final quando deu a “volta olímpica” muito aplaudido pela torcida.
O jogo terminou empatado, em 0x0, arbitragem de Rosquilde Serra, que também fazia suas despedidas.
Rio Negro:- Clovis (Carlinhos), Jair, Marcão, Darinta (Renato) e Toninho Pinochio (Bosco); Dalmo, Adãozinho e Pedrinho (Val); Zelito (Charlgton), Humberto (Índio) e Berg.
Bangu – Tião, Toinho (Júlio), Lauro, Moisés e Marco Antônio; Mococa (Índio), Lira (Renato) e Rubens Feijão; Mirandinha, Wagner e Wilmar (Marcelino).
O futebol nada deu ao grande goleiro, nem mesmo um emprego, o que era comum no amadorismo. ![]()
Felizmente em 2006, foi reconhecido e passou a ser funcionário do Rio Negro. Clovis (foto 2005), um representante comercial e vendedor autônomo, caminhava diariamente pela cidade em busca de sua sobrevivência.
A LONGA CARREIRA
A estréia de Clovis com a camisa do Rio Negro, em jogos do campeonato local, aconteceu em 19 de maio de 1963, na Colina com vitória do seu time por 2×0 frente ao Labor. Com a camisa do Rio Negro jogou durante nove anos, defendendo a sua meta em mais de 100 jogos. Em jogos amistosos chegou a atuar 18 vezes.
1963 Campeonato 17 jogos
1964 Campeonato 15 jogos
1965 Campeonato 15 jogos
1966 Campeonato 10 jogos
1967 Campeonato 11 jogos
1968 Campeonato 10 jogos
1969 Taça Amazonas 06 jogos
1969 Campeonato 14 jogos
1970 Campeonato 06 jogos
1970 Taça Amazonas 07 jogos
1972 Defendia a Rodoviária
1973 Campeonato 10 jogos
Amistosos (Entre 1963-1968) 18 jogos
Total 119 jogos
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Author: Carlos Zamith