O clássico Rio Negro x Nacional sempre foi o de maior rivalidade no futebol amazonense. Um jogo que realmente mexe (ou mexia) com, os nervos do torcedor até do pessoal que trabalha na imprensa que se desdobra no noticiário, buscando detalhes para sacudir a torcida no afã de leva-la ao Estádio.
O campeonato profissional de 1968 estava fervendo. Os meios esportivos com muita movimentação, principalmente no conhecido “Canto do Fuxico”, na esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Henrique Martins. As sedes dos clubes com grande freqüência de torcedores. Na Federação Amazonense de Futebol (FAF), que funcionava na Rua Lobo D’Almada, quase esquina com a Rua Henrique Martins, o movimento do torcedor em busca do ingresso com antecedência, também O autor e era muito Grande.
Na foto, o autor e Guilherme Gadelha, em 1970.
Os jornais e emissoras de rádio (não existia televisão na época) procuravam dar cobertura total ao futebol amazonense, deixando de lado o noticiário do sul que antes tomava todas as páginas dos jornais e noticiários das rádios, Difusora, Baré e Rio Mar.
O Jornal do Comércio era secretariado por José Cidade de Oliveira, (já falecido) fundador da ACLEA, diretor do Rio Negro e seu ferrenho torcedor e, na subsecretaria, Guilherme Gadelha, um nacionalino declarado, também funcionário da Assembléia Legislativa do Estado, bem mais moderado, sem o fanatismo de seu companheiro Cidade. Tinha muito cuidado em ler a matéria entes e depois do jogo ao ser encaminhado para a composição e chegava a eliminar trechos que por qualquer motivo, mesmo que de leve, atingisse o seu Nacional.
Guilherme Gadelha foi quem introduziu pela primeira vez na imprensa escrita, passando posteriormente para as emissoras, à abreviatura do clássico Rio Negro e Nacional para RIO-NAL, espelhando-se no GRE-NAL, clássico Grêmio x Internacional do Rio Grande do Sul.
Quando o fato aconteceu, na véspera do clássico amazonense, num sábado à tarde, ano de 1968, a edição de domingo estava sendo fechada. O titulo da página esportiva era sobre o jogo. Gadelha utilizou um clichê antigo de seis colunas, com a palavra EMOCINANTE. Como faltava completar o espaço de duas colunas para a manchete, Gadelha chamou-me (eu era repórter do JC) e fez a pergunta: Coleguinha que tal se eu colocar RIO-NAL este espaço que está sobrando?. A aprovação foi imediata. No dia seguinte a manchete esportiva do O Jornal do Comércio chamava a atenção
Guilherme Gadelha era jornalista e começou como repórter e revisor de A Gazeta, que obedecia a direção de Avelino Pereira, Artur Virgílio Filho e Áugias Gadelha. Com o desaparecimento desse vespertino, transferiu-se para o Jornal do Comércio onde trabalhou durante 30 anos.
Faleceu em São Paulo, aos 57 anos, no hospital da Beneficência Portuguesa, para onde fora a tratamento de saúde, por repetidos problemas cardíacos, no dia 28 de setembro de 1987. Seu corpo veio para Manaus e foi sepultado no Cemitério São João Batista. Gadelha era funcionário, aposentado como diretor, da Assembléia Legislativa do Estado.
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Author: Carlos Zamith
1 comment
Meu saudoso e querido pai, grande amigo que pela vontade de Deus teve que partir muito jovem. Vivemos juntos por oito anos e nunca perderei a esperança de um dia encontrá-lo novamente para jogarmos aquela bola que faltou em nossas vidas. Amém.
14 de novembro de 2013 12:57 ||