18 de fevereiro de 2012

O Mocidade

BAÚ VELHO de 22-02-98- de Carlos Zamtih

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Bertuceli, Alfredo Tetenge, no trono, José Maria Bichara, Flaviano Limongi, Nelson Cachimbinho, Almério Cabral dos Anjos, José Barros, Pedro Bichara, Theomário Pinto, Flávio Augusto, Andréa Limongi e Miguel Tetenge.

Carnaval é a festa do povo. Dou uma pequena pausa no futebol antigo da terra para relembrar um pouco do reinado momesco principalmente das décadas de 40 e 50, quando os desfiles eram na Avenida Eduardo Ribeiro, até hoje o local sempre lembrado e relembrado, o preferido dos mais antigos. Estou, portanto, mudando o tema do Baú para homenagear o Rei Momo, Primeiro e Único.

Não vou contar como nasceu o carnaval porque sinceramente não sei, mas pelo que tenho lido, é provável que esse divertimento tenha sido introduzido no Brasil pelos portugueses no século XIX. Li também, que até os fins do mesmo século o carnaval caracterizou-se pelo “entrudo”, uma brincadeira de rua muito alegre, porém de certa forma violenta, durante a qual os foliões atiravam uns aos outros, água, farinha, ovos, etc. No Rio de Janeiro os festejos tornaram-se mais amenos em 1885, quando surgiram os carros alegóricos.

Desfile na Eduardo Ribeiro

Aqui em Manaus, quando os desfiles eram na Avenida Eduardo Ribeiro, tenho a impressão que as festas eram bem melhor para o povo brincar e assistir. Tudo começava bem cedo, às quatro da tarde. Os carros da época, de capotas arriadas, com belas jovens ostentando bonitas fantasias, algumas com máscaras, a descer e subir a Eduardo Ribeiro, atirando serpentinas e confetes. Aqui e ali um carro alegórico, sempre esperado com muita curiosidade pelos assistentes que se colocavam nas calçadas debaixo do sombreado dos benjaminzeiros (isentos da praga dos “lacerdinhas”), sentados em cadeiras que traziam de suas casas.

Carros alegóricos da Fábrica de Cerveja Miranda Corrêa, destacando a tão saborosa XPTO; do J.G. Araújo, jogando para o povo os famosos saltos de borracha pura, Coroa; da Fábrica Andrade distribuindo garrafas do seu apreciado Guaraná Andrade; do Luso Sporting Clube, sempre preocupado em superar o da União Esportiva Portuguesa; do Ideal Clube numa sadia rivalidade com o do Atlético Rio Negro Clube, sempre garbosa, com bonitas garotas. Por fim, o do Nacional Futebol Clube, que arrancava muitos aplausos do povão, com ornamentação pobre porem esbanjando alegria em cima de carrocerias de velhos caminhões fumacentos. Era um carnaval, queira ou não, muito mais alegre, muito mais divertido, muito mais festa do povo.

Mocidade

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Alguns componentes do Mocidade: Nelson Cachimbinho, Pedro Bichara, Flávio Augusto, Andréa Limongi, Flaviano Limongi ao violino e Miguel Jorge.

Nos carnavais dessa época, despontava com grande animação na avenida, o esperado grupo “Mocidade”, que anualmente apresentava uma novidade no último dia da festa, sempre guardada no mais absoluto sigilo, o tema a ser exibido. Tenho lembrança de seus desorganizados carros, sempre confeccionados na Serraria do saudoso Jackson Cabral, lá em Educandos, com a assistência de uma turma saboreando a gostosa batida de taperebá, enquanto o Luís Cabral preparava os brincantes, só coroas, quase todos antigos desportistas do futebol, basquetebol, voleibol ou mesmo dirigentes.

O grupo Mocidade durou exatamente 25 anos. Saiu pela primeira vez em 1953, com o tema “Branca de Neve e os Sete Anões”, caracterizado pelo Dr. Luís (Lulu) Cabral. Todo o material utilizado para a confecção dos anões, procedia do Rio de Janeiro e, na preparação do carro a turma estava lá com a batida de taperebá, consumida num abrir e fechar de olhos.

Os temas

Durante os 25 anos de desfile, o Mocidade apresentou os mais variados temas, tais como Cangaceiro, Ciganos, Lavadeiras, Donas de Pensão, Babuínos, Só Deve Quem Compra, uma sátira ao antigo quadro do programa de televisão de Silvio Santos “Só Compra Quem Tem”, e Maternidade que alcançou muito sucesso, pois além de seus componentes representarem com uniformes de enfermeiras e médicos, o carro era dotado de berços, com fraldas e as respectivas mamadeiras contendo um líquido amarelado e espumoso, consumido pelos bebês em poucos segundos.

O saudoso Mário Bacalhau, velho morador de São Raimundo, fiscal da Prefeitura e um dos participantes efetivo do grupo, servia de babá e responsável, portanto, em abastecer as mamadeiras, o que lhe causou estafante trabalho durante as duas horas de desfile.

Ultimo Desfile

O último desfile do Mocidade ocorreu em 1978 e os “jovens foliões” fizeram questão de repetir o tema do primeiro, o de 1953, com “Branca de Neve e os Sete Anões”. Foi a despedida do grupo e por isso cada um de seus participantes recebeu das mãos do então Prefeito Jorge Teixeira, medalha de ouro em reconhecimento a alegria que deram ao nosso carnaval ao longo de 25 anos.

Foram contemplados: Flávio Augusto, Raimundo Bertuceli, Mário Orofino, Andréa Limongi, Flaviano Limongi, José Maria Bichara, Theomário Pinto, Mário Bacalhau Bittencourt, Nelson (Cachimbinho) Bentes, Almério Cabral dos Anjos, Alfredo Tetenge, Miguel Jorge, Pedro Bichara e José Barros.

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9 comments
  • Carlyle Zamith

    Parabéns meu amado pai, pelos seus 86 anos na data de hoje. O senhor é um homem abençoado que vive na Luz, na Paz, e com uma saúde maravilhosa. Vamos festejar!!!

    20 de fevereiro de 2012 16:58 || Responder

  • Manoel

    Parabéns, Sr. Zamith, pelos 86 anos de vida! Desejo ao amigo muita saúde, muita paz de espírito e muita harmonia familiar.
    Chegar aos 86 anos com essa memória não é para qualquer um! Continue se cuidando para que possamos dispor da sua companhia por muitos anos ainda.

    20 de fevereiro de 2012 17:11 || Responder

  • Sônia

    Hoje é um dia especial e quero agradecer pela forma amável que o senhor sempre nos acolheu. Desejo muita saúde, paz e amor, pois o senhor é o melhor sogro do mundo. Forte abraço. Sônia

    20 de fevereiro de 2012 17:14 || Responder

  • Ari Neto

    Zamith, voce é uma bandeira viva na Crônica Esportiva Amazonense. Com a benção de Deus, voce será o nosso Oscar Niemayer do Amazonas.
    Esperar prá ver. Parabéns pelos 86 anos, meu confrade e irmão.
    Do amigo de sempre Ari Neto.

    20 de fevereiro de 2012 17:31 || Responder

  • Marcelo Costa

    Parabéns, Sr. Zamith por este dia muito especial. 86 anos de muita história pra contar. E por falar em histórias e estórias, faz tempo que não o vejo. Sou do tipo de pessoa saudosista, e me sinto honrado pelo presente que Deus me deu no momento de ter conhecido a gigantesca pessoa que é o senhor. Sinto saudades daqueles momentos de conversa com o senhor e o Dr. Limongi na praça em frente a sua casa. Como é bom curtir as coisas simples da vida. Escrevo essas mensagens com os olhos marejados de tanta emoção em saber que hoje o senhor completa 86 anos de vida. Puxa! gostaria muito de lhe dar um abraço e lhes dizer que gosto muito do senhor. Felicidades! muita saúde e paz de espírito. Que Deus o abençoe, sempre. Um Beijo no coração!

    20 de fevereiro de 2012 17:44 || Responder

  • Carlos Horácio

    Quem está feliz nesta data sou eu. Feliz aniversário e muita, mas muita saúde para podermos continuar esta amizade de alguns anos.

    20 de fevereiro de 2012 18:15 || Responder

  • Roberto Zamith

    Parabéns vozão!!! Que Deus lhe ilumine por muitos e muitos anos. Seja sempre esse homem sábio da vida, pois o senhor nos ensina a saber viver sem se importar com o futuro que nos espera. Um beijo e um forte abraço do seu neto querido.

    Roberto

    20 de fevereiro de 2012 18:17 || Responder

  • Carlyson Zamith

    Meus parabéns, não tem nem como eu falar “Parabéns, Meu Avô”, o Sr. não e só um avô, é um PAI, um AMIGO, um CONSELHEIRO, um AVÔ, um IRMÃO resumindo és tudo.

    Uma vez em um dos aniversários do tio Carlinhos, ele fez um discurso, onde ele falou algo do tipo ” Atrás de um grande homem, existe o ombro de um gigante” o Sr. com certeza e esse GIGANTE.

    OBRIGADO POR TUDO VÔ… Carlyson Zamith

    PARE COM ESSE NEGOCIO QUE ESTÁ EM FIM DE CARREIRA!!!

    20 de fevereiro de 2012 19:07 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    Sensibilizado, com lágrimas nos olhos, agradeço as mensagens enviadas pelo filho Carlyle os queridos netos Carlyson e Roberto e pela minha estimada nora Sonia.
    Estendo os agradecimentos ao grande narrador Ari Neto, ao Manoel, ao Carlos Horácio e ao grande Marcelo Costa.

    21 de fevereiro de 2012 09:17 || Responder

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