Foi ídolo da torcida, tipo elegante, goleador, líder respeitado, valente, disposto a decidir na porrada se necessário quando via seu time prejudicado. Criou alguns casos dentro e fora de campo, mas só foi expulso uma vez no início de sua longa carreira. Os adversários achavam-no um jogador apenas rompedor de muita sorte para fazer gols e incapaz de dar um chute com a perna esquerda.
Cláudio Coelho, (foto de 1941), nascido em Manaus a 9 de maio de 1917. Jogou futebol e treinou equipes durante 30 anos. Um campeão como jogador e como técnico.
Começou em 1934 num time amador chamado Botafogo, que pertencia ao futebolista Manuel Dez Horas, ex- jogador da União Esportiva. Dois anos depois foi convidado pelos seus velhos amigos Iano Monteiro, grande goleiro e o jornalista Herculano de Castro e Costa a defender o Nacional em substituição a Nancy que estava gravemente doente. Deu sorte, pois conquistou o seu primeiro título, o de 1936, ao lado de Iano, Amâncio e Alceu; Velhinho (Duca Brito), Hildebrando e Otílio Farias; Babá, Nelson (Barrote) Nancy, Minos, Sarkis, Dôda, da Bateria e Ovídio.
Em 1938 o Nacional não disputou o campeonato e quase todos os seus integrantes foram para o Rio Negro. Cláudio foi no meio e outra vez campeão da cidade com Iano, Amâncio e Amandio: Valdemar Palhaço, Hildebrando e Meireles; Parintins (Babá), Bezerra, Cláudio, Benjamim e Lé. No ano seguinte, o Nacional voltou aos gramados e a decisão do título dessa temporada foi entre Rio Negro e Nacional, surgindo um grande tumulto no jogo final.
Só uma vez
Apesar da fama de valentão, Cláudio só foi expulso de campo uma vez. Jogava ainda pelo Nacional, em 1937, quando o árbitro Pedro Barbosa, então sargento do Exército, mandou-o para o “chuveiro”.
O Coronel Viladoniga, comandante do 27º B.C. era nacionalino ferrenho e exigiu que a expulsão fosse tornada sem efeito. Cláudio, que havia sido expulso no primeiro tempo, voltou a campo na fase final e ainda marcou dois gols vencendo o time da União Esportiva, no campo do Luso.
Cláudio, num jogo Rio Negro e Nacional, teve um entrevero com o árbitro Jofre Costa Novo, ex-jogador da União, que marcou uma falta erradamente. Não gostou e chegou perto dele puxando o apito preso a uma corrente. Ficou com o apito na mão enquanto Jofre procurava o adereço no gramado.
CINCO VEZES CAMPEÃO
Nacional: – 1936 e 1937;
Rio Negro, 1938, 1940 e 1943.
Na Seleção do Amazonas jogou em 1938, 1939, 1940 e 1942, nesta, por contusão, foi afastado entrando em seu lugar Zequinha, do Fast, que marcou o segundo gol do Amazonas contra o Pará, no Parque. Só houve esse jogo por causa da II Guerra Mundial e o Amazonas foi proclamado Campeão do Norte, com medalhas de ouro conferidas pela CBD para todos os jogadores.
A Seleção de 1939 foi destacada por Cláudio Coelho com a melhor organizada em Manaus, cujo ataque era formado por ele, Adair Marques, Sálvio Miranda Corrêa, Osak Soares e Lé.
Cláudio deixou o Rio Negro até 1945, quando o time estava cheio de “importados”, como Salum Omar, França, Silvio. Ele e outros companheiros, dentre os quais, Agnelo Carapanã, Iano, Idelfonso, Babá, Osak, Zenith Pimentel foram defender o Independência, de Aparecida, dirigido pelo ex-rionegrino Ofir Corrêa. No ano seguinte O Rio Negro deixou o futebol e Cláudio recebeu convite do Tijuca. Jogou um ano e depois se tornou técnico desse mesmo time, numa ocasião em que os tijucanos aplicaram uma goleada de 7 a 3 no time da Tuna Luso, com Juvenil marcando três gols e logo contratado pelo clube paraense.
A carreira de técnico continuou. Em 1948, vice-campeão pelo Tijuca, disputando a decisiva com o Fast.
De 1951 a 1954, campeão pelo América;
Em 1956 e 1959, campeão pelo Auto Esporte.
Convidado para dirigir o seu Rio Negro que estava voltando aos gramados, ocupou o cargo de supervisor geral, mas em 1962 assumiu a direção técnica do time, conquistando o título da temporada, repetindo o efeito em 1965. Deixou o seu clube em 1966, mas retornou dois anos após, porém não demorou em abandonar as quatro linhas, para se transformar apenas em torcedor do Rio Negro.
Cláudio faleceu em 06-11-2003, aos 86 anos.
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Author: Carlos Zamith
6 comments
Oi Sr. Zamith, por acaso o vice-campeão de 1948 não foi o Barés?
O Tijuca não teria sido vice em 1947?
abs
15 de março de 2012 18:46 ||
Claudio Coêlho, talvez tenha sido o maior ídolo do Rio Negro, campeão em 1938, 1940, 1943 e 1945 (Título tomado nos Tribunais). Campeão também como técnico em 1965. Centro avante rompedor e bastante aguerrido. Claudio Coêlho descanse em paz pois toda a torcida rionegrina te ama.
24 de setembro de 2012 20:41 ||
Meu eterno campeão dentro e fora dos gramados.Saudades meu pai…muitas saudades
15 de abril de 2013 13:51 ||
Meu avô aonde passou deixou sua marca, deixou saudades e fez uma grande história. Saudades do meu grande avô.
26 de dezembro de 2013 07:51 ||
Meu pai e meu heroi. quantas saudades nos deixou, fez a sua história no futebol e marcou sua vida pra sempre em nossos corações. Sinto muito sua falta…muita saudade.
26 de dezembro de 2013 08:54 ||
Não o conhecie, mais so de ouvir falar tenho a certeza que meu bisavô, foi um grande homem dentro e fora dos gramados. Com carinho de sua bisneta Yasmim Ribeiro coêlho.
26 de dezembro de 2013 23:56 ||