4 de março de 2012

Português

Os primeiro contatos com bola foram nos campos do Colégio Dom Bosco e do General Osório, pois morava bem pertinho, na Rua Itamaracá, 109 e o seu primeiro time foi o Cruz de Malta, da Rua Lobo D’Almada, jogando ao lado de Lacinha que também estava começando no futebol.

clip_image002Carlos Alberto de Souza Abreu, o Português, nascido em Manaus a 17 de dezembro de 1936, assim ficou conhecido por esse apelido dentro do nosso futebol. Artilheiro por onde passou embora sem levar a sério a carreira de jogador, porque jamais pensou em algum benefício dentro dele.

Muito cedo, aos 12 anos, teve que viajar para Portugal a fim de continuar seus estudos no Colégio São Tomaz de Aquino, em São Pedro do Sul, Distrito de Vizeu e lá continuou batendo a sua bolinha pelo time do Colégio. Quando estava com 17 anos, teve que tomar uma decisão: cumprir o serviço militar em Manaus ou na África. Preferiu a primeira opção e voltou para Manaus.

Logo que chegou, encontrou seu velho amigo Lacinha que já estava jogando no time juvenil do Nacional. Bateram longos papos sobre o futebol, recordaram suas passagens pelo Cruz de Malta e foi ai que começou outra história.

Lacinha conversou com o técnico Barbosa Filho dizendo que estava em Manaus, recém-chegado de Portugal, um garoto bom de bola. Dias depois ele levou o Português ao Barbosão que logo o incluiu na equipe juvenil. O pai de Português, um cidadão de origem lusitana e que na juventude foi remador do Náutico e era comerciante no ramo de calçados, falou com certa autoridade ao filho: “ou jogas futebol ou te dedicas à sapataria. Escolhe uma delas”.

Até então ele era apenas Carlos Alberto ou Carlitos, como seu eu velho pai o chamava. Surgiu então o apelido de Português para despistar o seu pai, o velho Abreu.

Nas escalações e convocações pelos jornais e emissoras de rádio, o Barbosa Filho colocava o nome de Português e assim ficou. Em 1953, ele deixou a Sapataria Botafogo, de seu pai e foi trabalhar em outra atividade. Ficou mais fácil para jogar futebol. Tornou-se pracista da firma E.C. Oliveira e lá encontrou um monte de gente que jogava futebol, como Orleans, Paulo Onety, Almério, Edir Maia. Padeirinho Afonso Onety e outros. A firma chegou a organizar um forte time que atuava no subúrbio. Depois Português foi trabalhar no INPA, após fazer um curso de laboratório e por lá ficou durante cinco anos. Volta a ajudar o eu pai na Sapataria em 1959 e sempre jogando no Nacional.

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Desde os quadros inferiores, Português despontava como artilheiro. De drible fácil, bom nas bolas pelo alto, gozador, mas às vezes displicente, chegando a irritar seus próprios companheiros pela falta de empenho nas jogadas era, contudo, um jogador que sabia conferir na hora certa. Cedo se tornou ídolo da torcida e muito disputado pelas garotas que formavam a falange nacionalina sempre presente aos estádios para fazer barulho nos dias de jogos. (Foto de 1992).

No Nacional, em 1956, foi artilheiro com 11 gols. No ano seguinte, vice-artilheiro da cidade com 30 gols (o primeiro foi Quinha, do Olímpico, com 38). Em 1959, houve algum entrevero entre os jogadores, o técnico Alfredo Barbosa e o Coronel Veras. Português, Dadá e Boanerges ficaram contra o técnico. Ele e Dadá tomaram o caminho do Fast, enquanto Boanerges decidiu parar.

No Fast, Carlito Português começou com o pé direito. Foi campeão em 1960 e ainda artilheiro do campeonato com 20 gols. Em 1961 ficou como segundo artilheiro, marcando 8 gols e, em 1962, as coisas não andaram bem para o lado do Fast, desclassificado para o segundo turno, juntamente com o Santos e o Labor.

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Português e seu grande amigo Dr. Juarez Klinger (1998).

Português sempre foi nacionalino assumido e por isso em 1963 voltou ao ninho antigo, após fazer as pazes com o Barbosão. Voltou para ser campeão da temporada e ainda artilheiro da competição com 13 gols, decidindo o titulo no “super” com Fast e o América.

Casado desde 1960, ano em que foi campeão pelo Fast. Ganhou do clube uma viagem para a lua-de-mel. Português esteve com a Sapataria Botafogo na Rua Borba, no bairro de Cachoeirinha sempre mantendo contato com seu velho companheiro Boanerges.

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