Quem é que não sente saudades do nosso futebol do final das décadas de 60 e70. Clubes atravessando boa fase financeira, até os considerados pequenos, pelas arrecadações sempre em ritmo crescente a cada jogo. Houve uma estrutura bem formada por Flaviano Limongi, após a fundação da FAF no meio do ano de 1966. Começou dando total apoio às categorias de base, com movimentado campeonato nas tardes de sábado e aos domingos pela manhã no estádio General Osório.
Desse laboratório, quatro ou cinco anos depois, saiu bons jogadores, para os times profissionais, gente que chegou a brilhar e não é muito difícil lembrar alguns nomes, como os irmãos Zé Eduardo e Careca, Fausto Souza, Maravilha, no Nacional; Bôlo, Orange, Saúva, Paulinho, Valdir Melo, Almir, no São Raimundo; Djalma e Dentinho, do Domingos Sávio.
CAMPEONATO DE 1972
Muita gente pode ter esquecido, mas vamos recordar um pouco do campeonato profissional de 1972, todo ele disputado nos campos do Parque Amazonense e da Colina, porque o “Vivaldo Lima” continuava em obras. E foram nesses dois campos que o público, mesmo sem qualquer conforto pelo número cada vez maior de pagantes, lutava para conseguir seu ingresso antecipadamente. E jamais reclamou porque tinha um objetivo: ajudar a soerguer o nosso futebol, que apresentava seus ídolos, craques feitos aqui mesmo, embora já com boa dose de “importados”.
Campeão de 1972 – Mesquita Edson Borracha, Fausto Souza, Mário Motorzinho, Jurandir e Almir Coutinho; Agachados – Helinho, Julião, Walmir Coutinho, Jorginho Maia e Reis.
O INICIO
O Nacional começou o campeonato meio cambaleante, mas tinha em mente interromper a série de duas conquistas anteriores do Fast. Tão inseguro que venceu o Sul América na estréia por 1×0, para tropeçar logo após ante o Olímpico, com um empate de 0x0 e logo em seguida um desastre: derrota por 2×0 frente ao time da Rodoviária.
Aos poucos, porém foi se recompondo Contratou jogadores de outros centros e formou um bom time para sagrar-se campeão da temporada numa decisão contra o Fast, ao qual venceu por 1×0, gol de Julião, aos 30, do 2º tempo.
O jogo Nacional x Olímpico, dia 28 de fevereiro de 1972, no Parque, com 0x0 no marcador. A capacidade de público do velho estádio da antiga Rua Belém, não chegava a 7 mil pagantes e aconteceu exatamente casa cheia: 6.069, com o goiano e estudante de medicina em Manaus, Paulo Bernardes, no apito.
Relembro o jogo porque teve momentos emocionantes, com o Nacional a todo custo procurando o caminho do gol adversário, defendido pelo jovem Amaury, um goleiro frio e que à primeira vista, não merecia a confiança do torcedor. Do outro lado, o jovem goleiro Virgílio, (também vindo de fora e que estudava medicina em Manaus) com um punhado de defesas de vulto. Por tudo isso, pela excelente conduta dos dois atletas, o jogo terminou com o escore em branco, mas de bom gosto para o torcedor.
JOGO DECISIVO
05-07-1972 – Decisão – NACIONAL 1 x 0 FAST
Árbitro – O gaúcho Agomar Martins
Gol de Julião aos 30 do segundo tempo. Pagantes – 22.620.
NACIONAL – time da foto.
FAST – Marialvo, Hélito, Casemiro, Zequinha Piola e Pompeu; Zezinho e Jorge Cuíca; Mano, Nilson Diabo, Edson Piola e Adinamar –depois Paulo e posteriormente Barrote.
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Author: Carlos Zamith
1 comment
Muito boa a matéria, infelizmente o meu Fast, o tricolor de aço, não obtece sucesso, mas lembro o dizer do meus colegas Antônio Piola e José da Silva, o Fast era uma máquina de fazer gols, o auge de nosso futebol na era de grandes sensações que por aqui passaram e lotaram nosso saudoso vivaldo lima.
26 de março de 2012 09:40 ||