Wilson Ferreira da Silva um nome desconhecido para os desportistas mas, para os que freqüentavam os campos de futebol na década de 60, certamente lembrarão do quarto zagueiro Catita, titular do Atlético Rio Negro Clube durante nove anos e, considerado pela torcida adversária, como o jogador mais violento de seu tempo.
Catita de fato, era duro. Nas bolas divididas sempre levava vantagem, mas uma vez topou uma parada inesperada com outro seu companheiro de profissão, também tachado de violento: o meia armador Vitorino, que atuou pelo Fast, Auto Esporte e São Raimundo.
O encontro de ambos aconteceu num jogo do campeonato de 1966, no campo da Colina entre Rio Negro e São Raimundo. De um lado Catita defendendo o Rio Negro e no lado oposto Vitorino, filho de português e ex-talhador de carne de gado e que por isso manejava muito bem um terçado, um afiador e outros apetrechos próprios da profissão, defendendo o São Raimundo e para muitos um carrasco do nosso futebol.
Num lance de meio de campo, próximo ao túnel à direita da arquibancada, houve um choque entre ambos. Do outro lado, os locutores das emissoras de rádio bradavam: “ali saiu faísca”. Vamos ver “quem sai inteiro”. Tanto Catita como Vitorino deixaram o campo para atendimento médico, mas o Catita, minutos depois, voltou com uma joelheira na perna direita. Vitorino não teve a mesma sorte, pois sofrera uma fratura. Catita ainda jogou o resto da partida mancando e depois teve que parar de jogar um pouco para se recuperar da lesão que sofrera nos meniscos.
Mais uma batalha vencida por Catita, que começou no time juvenil do Olímpico e logo depois ingressou no Clipper, clube da Rua Visconde de Porto Alegre na primeira divisão. Em 1960, o vigoroso zagueiro transferiu-se para o Rio Negro a convite do velho Josué Cláudio de Souza que reorganizou o time barriga-preta fazendo-o voltar aos gramados após 14 anos ausente. Catita foi campeão duas vezes pelo Rio Negro, em 1962 e 1965. No primeiro formou a intermediária com Fernando e Eudóxio e no segundo título, ao lado de Edson Ângelo e Damasceno. Fez sua última partida com a camisa do Rio Negro, em 1969, contra o Nacional, jogando de lateral esquerdo.
Mas a carreira de Catita continuou. Em 1970, voltava a vestir a camisa do Olímpico, mas só por uma temporada. No ano seguinte estreava no América onde permaneceu até 1972, porque o seu novo clube só disputou apenas um turno, não conseguindo classificação para a final.
Catita não pegou o grosso do profissionalismo do futebol local e por isso nada ganhou a não ser sólidas amizades, principalmente entre os rionegrinos. Seu dia a dia, após arquivar as chuteiras, foi no volante de um táxi. Ficou grato ao Rio Negro que na festa de seus 75 anos de fundação, prestou-lhe significativa homenagem. Uma decisão da alta cúpula do Rio Negro de sempre lembrar antigos craques de todas as suas áreas esportivas, em reconhecimento aos que um dia lutaram pela camisa barriga-preta.
Catita já em final de carreira, atuou em alguns jogos pelo América, do velho lutador Amadeu Teixeira nas temporadas de 1971-72, tendo como companheiros, Silvio, Zé Raimundo Rui, China, Amiraldo, Nildo, João da Mata e Nivaldo.
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Author: Carlos Zamith