14 de maio de 2012

Vidinho

«06/05/07 U03/07/87

No dia 3 de julho de l987, pela manhã, o telefone tocou. Era o amigo e cronista esportivo José Ribamar Garganta Xavier, dando a triste notícia da morte de Isidoro de Carvalho, no futebol conhecido por Vidinho, um dos maiores centro-avantes do futebol amazonense.

clip_image002Vidinho, nascido a 6 de maio de 1907, foi um craque, numa carreira dentro dos campos de futebol que durou vinte anos. Surgiu nas peladas do campo do Monte Cristo, outrora uma área que ficava nas proximidades da Ilha do mesmo nome, lá pelas bandas do início da Rua Miranda Leão. Ainda juvenil, passou rapidamente pelo Nacional, mas logo e depois no Rio Negro, seu clube de coração até morrer. Jogou ainda pela União Esportiva Portuguesa, levado pelas mãos do saudoso Francisco Andrade, proprietário da fábrica de Guaraná Andrade, pelo qual jogou apenas uma temporada.

NA SELEÇÃO

Vidinho integrou pela primeira vez a Seleção do Amazonas, em 1926, jogando contra o Piauí e o Pará, formando o ataque com Orlando, Carlito Valdemar e Leonardo, contanto lá atrás com Lisboa, no arco; Rodolfo Gonçalves e Oliveira, na zaga e Dantas, Cangalhas e Sócrates, na intermediária. Como figura obrigatória, jogou na Seleção do Amazonas até 1938.

.CAMPEÃO PELO RIO NEGRO

O bicampeonato de 1931-1932 conquistado pelo Rio Negro, sempre era lembrado pôr Vidinho assim como a arrasadora linha de ataque – naquele tempo formado por cinco jogadores – com Ciro, Goiot, Vidinho, Ofir ou Adair e Bandeira.

Comandante, apelido que recebeu de seus admiradores, pois gostava de entrar em campo com um quepe de marinheiro. Certa vez lembrou que na decisão de 1932, o time era uma verdadeira máquina e dizia: Goiot impetuoso; Adair, malabarista, fino no toque de bola; Bandeira, dono de um potente chute, muita rapidez e Ciro ditava categoria. Na decisiva contra o Fast, o Rio Negro venceu por 2 a 1, com dois gols de Raimundo Bandeira.

clip_image004A fama de Vidinho (foto de 1980, ao lado de Pedro Sena) chegou lá fora. Foi convidado para jogar pelo Vasco da Gama, do Rio, mas encontrou seria resistência da família e o jeito foi ficar em Manaus enchendo de glorias o pavilhão rionegrino.

Vidinho era pai de seis filhos, três homens que não tiveram muita intimidade com a bola. Morava na Rua Borba, bairro de Cachoeirinha com sua irmã Nely e a esposa, Haideé.

Acordava invariavelmente às 4 horas. Depois do banho ia à padaria. No dia 3 de julho de 1987, acordou no mesmo horário. Sentou-se á beira da cama e falou para a esposa que estava sentindo uma forte dor de cabeça.

Ela foi preparar um chá e quando voltou o velho “Comandante”, 80 anos, estava deitado e sem vida. Um aneurisma cerebral tirou-nos o maior atacante do futebol amazonense, ídolo em três décadas, adorado também pelos adversários que aplaudiam o seu futebol técnico e alegre.

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