Dog foi um dos bons jogadores do futebol amazonense. Um lateral de marcação implacável. Sua paixão era o Rio Negro, onde começou ainda menino para se destacar no time principal até quando o seu clube, em 1945, decidiu extinguir o departamento de futebol. Ele estava muito doente, no leito de um hospital há mais de um mês lutando contra um cruel tumor no fígado e também para voltar a dar seus passeios matinais pelo centro comercial, conversar com os amigos e recordar “causos” do futebol de sua época, mas não deu. Na madrugada de sábado, 20 de setembro de 1997, Dog, (Atleta Benemérito do Rio Negro), nos deixou. Ao sepultamento no Cemitério de São João Batista, alguns amigos e familiares e notada à ausência de uma, da bandeira rionegrina, um clube pelo qual lutou durante dez anos.
Num dia de jogo importante pelo campeonato oficial, o técnico do Rio Negro teve a ousadia de lançar no seu time titular, contra o Olímpico, um jovem que estava despontando no time de aspirantes, atuando ao lado de Ermelindo, Dorval, Tutuca e Izaias Tirolesa. Muito magro, canelas finas, porém ágil, ele foi lá e deu o seu recado satisfazendo a exigente torcida do time barriga-preta.
Raimundo Garcia de Moraes ou simplesmente Dog, um lateral esquerdo que durante muito tempo empolgou a plateia amazonense, só deixou o seu Rio Negro para jogar no Olímpico e mais tarde no Fast porque seu clube extinguiu o departamento de futebol em 1946.
Nascido em Manaus, a 21 de abril de 1919, Dog teve seus primeiros contatos com a bola nas peladas do campinho onde hoje está o edifício do INSS, na Praça D. Pedro II e foi ali que o saudoso Tutuca foi busca-lo para defender o Rio Negro. Também ali nas peladas ele ganhou o apelido que sempre o acompanhou: Dog. Acredita que seus amigos acharam que seu rosto tinha alguma semelhança com a de um cão. Muito arisco aquele neguinho de cabeça seca já em 1936 estava no time de aspirantes do Rio Negro.
No ano seguinte o Rio Negro trouxe de Belém o treinador Alfredo Gama. Dog foi escalado de lateral direito do time principal para jogar contra o Olímpico que estreava os jogadores Adair e Sálvio, dois ex-aspirantes do Fluminense, do Rio, embora amazonenses de nascimento. O Dr. Flávio de Castro, presidente do clube, não gostou da sua inclusão no time principal, responsabilizando o técnico no caso de um fracasso.
O Rio Negro venceu por 2 a 1 e Dog ficou no time por muito tempo. Quando o Rio Negro adquiriu o jogador Salum Omar, em 1943, logo depois da visita do Santa Cruz, de Recife a Manaus, ele passou a atuar como lateral esquerdo, mas logo depois o Rio Negro extinguiu o seu futebol, jeito foi tomar outro caminho ingressando no Olímpico pelo qual foi campeão em 1947”. Na foto acima, Weigt, Cláudio Coelho, Dog e o técnico Alfredo Gama. Em 1949, jogou pelo Nacional.
Dog chegou a viajar para o Rio de Janeiro, a fim de tentar a sorte no Flamengo. Como não deu certo, voltou e viajou para Roraima. Lá integrou a seleção local que venceu um quadrangular em que participaram times das Guianas Holandesa e Francesa, mas logo voltou a Manaus, aceitando convite do professor João Liberal para defender o Fast. Foi campeão invicto em 1955
Jogou pela última vez com a camisa do Fast, em fevereiro de 1957, jogo pelo campeonato do ano anterior. Tenho arquivado detalhes do jogo:
Princesa Isabel 5 x Fast, 2, no Parque com Odail Martins no apito
FAST com Oscar, Gurgel e Morcego; Montenegro, Dog e Zezinho Casanova; Coelho, Guilhito, Paulo Onety, Marcelo e Padeirinho.
PRINCESA ISABEL com Barrote, Bolôlô e Valquirio; Léo, Cortiça e Maciel; Catita, Mário Costa, Aderaldo, Guaxinaldo, e Maneca Marques.
Quando servia ao Exército, após ser estafeta dos Correios, Dog foi campeão regional pelo 27º B.C. nos 8.500 metros em corrida pedestre e campeão, em Belém, nos l2 mil metros pela mesma Corporação.
Campeão pelo Rio Negro em 1943, pelo Olímpico em 1947 e pelo Fast em 1955. Jogou nas seleções do Amazonas de 1943, 1944 e 1946.
1943 – RIO NEGRO: Luizinho (Iano) Darcy (Velhinho) e Marcilio; Salum Omar (Valdemir Osório), Zenith e Dog; Oliveira, (Parintins), França, Cláudio Coelho, Sílvio e Lé.
1947 – OLÍMPICO: – Luizinho (Téo), Caçador e Aurélio; Salim Omar, Gato (Gatinho) e Dog; Cabral, Zé Luis, Raimundo Rebelo, Silvio e Juvenil (Marcilio).
1955 – FAST – Raul (Ditó), Mário Regina (Gurgel) e Valdemar (Morcego); Zezinho Casanova, Dog e Nego: Padeirinho, Orleans (Marcelo), Paulo Onety, Guilhito e Paulo Lira (Said Zacarias).
Técnico: João Liberal.
Dog participou da Seleção do Amazonas, nos jogos do Campeonato Brasileiro contra o Pará em 1943, 1944 e 1946.
Na de 1943 que venceu o Pará dentro de Belém por 2 a 0, estava como reserva do nacionalino Emanuel.
Na de 1944, titular, no time formado por Téo, Zeca Periquito e Marcilio: Omar ou Lupércio, Zenith ou Gato e Dog; Oliveira, Marcos Gonçalves, Paulo Onety, Sidinho ou Vem-Vem e Raspada.
Na Seleção de 1946, também titular contra o Pará, no time formado por Flaviano Limongi, Darcy ou Marcilio e Aurélio; Lupércio, Omar ou Pedro Sena e Dog; Cabral, Mário Orofino, Paulo Onety, Sidinho ou Raimundo Rebelo e Raspada,
Odontólogo e funcionário estadual aposentado, sócio Benemérito do Rio Negro, ex-diretor da mesma agremiação, Dog (foto de1990), sempre lembrou que durante seus vinte anos correndo atrás da bola como jogador nunca foi expulso de campo.
Por esse motivo pleiteou o “Prêmio Belfort Duarte”, mas por falta de documentação nos arquivos da nossa Federação, jamais conseguiu juntar as provas para obtenção do prêmio.
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Author: Carlos Zamith
1 comment
Meu grande avô! Grande jogador,quem me dera ter ao menos o prazer de tê-lo conhecido e tê-lo visto jogar! Esse era o cara!
24 de setembro de 2012 23:41 ||