O bairro de Aparecida, na época em que ainda era Tócos, na década de 30, foi um grande celeiro de bons jogadores para os clubes da primeira divisão. A história do personagem, um ex-defensor do Fast, nascido no bairro, começou de uma forma muito comum entre os garotos nas peladas ao fim das ta
rdes.
No início do ano de 1932, Pedro Cumaú, antigo morador da Bandeira Branca, passou suavemente suas mãos espalmadas sobre a cabeça do um garoto de 5 anos e profetizou: você vai subir muito na vida, pode até ser um craque de futebol, mas tem que se cuidar e não deixar de lado os estudos. “Seo” Fernando, pai do garoto, também o incentivou. Gostava de futebol e foi até presidente do Libertador, que disputou o campeonato da Primeira Divisão na década de 20 e que tinha como seu destaque, o goleiro Zeca Lopes, irmão do ponteiro Marcolino. Era um time de equipamento vistoso: camisas listradas em vermelho e preto e fazia com o Independência, o clássico do bairro (camisa em vermelho e branco idêntica a do Bangu).
Nas décadas de 30 e 40, o clássico do bairro dos Tócos era entre Tuxaua, da Bandeira Branca, presidido pelo saudoso Cândido Honório Ferreira (depois desembargador) e o Satma, da Rua Gustavo Sampaio, dos irmãos Paixão, presidido por André Jobim. Mais tarde, no final da década de 40 e inicio dos anos 50, o clássico do bairro passou a ser Brasil x Tieté, ambos da Bandeira Branca.
Mas foi nos clássico Tuxaua x Satma que apareceu um jovem garoto que fazia uma ala infernal no time do Tuxaua, como vaticinou o Camaú:- Babau e Fernandinho, ao lado de Aníbal, jogavam como se fosse por música, tal era o entendimento entre eles. Ganharam cartaz no meio dos outros clubes do subúrbio, como Alvi-Negro, Palmeiras, Flandres e Copacabana.
O INÍCIO
José Fernandes da Silva Júnior foi criado no bairro de Aparecida Bandeira Branca). Lá aprendeu a jogar futebol e sempre era requisitado para formar nos times suburbanos, até que um dia, com 15 anos de idade, foi levado para o Fast Clube, participando de alguns jogos no time de aspirantes, ao lado de Ilmar Oliveira, Tiziu, Heitor, Durval, Adauto, Ciboga, Mário Torres, Basílio, Aurélio e Carlito alcançando o time titular 1945.
Ficou até o início de 1948. Teve que deixar de lado o futebol porque trabalhava na Serraria Pereira e sempre no horário de treinos tinha a obrigação de fazer o pagamento dos operários. Preferiu optar pelo emprego.
A carreira de Fernandinho na primeira divisão foi rápida, restringiu-se
ao Fast Clube, onde estavam alguns colegas do bairro, como o goleiro Raul, o zagueiro Canhão, os médios Alberto Cidonha, Peroba e Paulo Eusébio Lig-Leg.
Estudando sempre à noite, no Colégio Estadual, completou o 2º grau e fez o Curso de Contabilidade no Colégio D. Bosco, até que através de concurso, foi nomeado para o Banco da Borracha, (BASA), e foi servir no Acre e lá voltou a jogar futebol, tornando-se tricampeão pelo Rio Branco, 1950/51/52 e ainda tomou parte da Seleção local em jogo contra Rondônia.
As suas atividades bancárias atrapalhavam o futebol. Depois foi para a gerência de Pedro Afonso, em Goiás e mais tarde para Bragança, no Pará. Sem se habituar a ficar longe do futebol, foi treinador da seleção local, campeã do Intermunicipal e que, por uma manipulação da Federação, evitou que o Bragança fosse um dos representantes do Pará, na Copa Brasil. Aposentado como Chefe do Departamento de Auditoria do BASA e fixou residência em Belém.
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Author: Carlos Zamith
7 comments
Fiquei feliz e emocionada ao saber que meu pai é lembrando, vou guarda tudo que li, obrigada Carlos Zamith, abraços
20 de agosto de 2012 21:35 ||
Agradeço imensamente ao sr. Carlos Zamith pela lembrança de meu pai José Fernandes (Fernandinho). Vou mostrar com muita felicidade, para meus filhos, a memória de meu pai.
21 de agosto de 2012 03:02 ||
Há uns 15 anos atrás levei uma camisa do Fast Club ao seu Fernando em Belém (Pa) e pude ver a felicidade brilhar de seus olhos. Posso dizer que tive a honra de conhecê-lo, embora não tenha tido o convívio que gostaria. Parabéns por resgatar essas memórias que ficarão eternamente em nossos corações.
21 de agosto de 2012 15:23 ||
Sempre tivemos acesso a coluna, através de recorte que nossa tia Decíola Nunes Castelo Branco enviava ainda pelo correio.Parabenizamos o autor pela matéria muito bem inscrita e traz informações muito importante.José Luiz Nunes Fernandes,
filho de Fernandinho ,também conhecido como Pecanga,nascido em Bragança e residente em Belém jogou futebol de salão no Yamada, Remo e pelo Paisandú no qual como capitão sagrou-se campeão, fazendo parte da seleção paraense, filho de peixe……
21 de agosto de 2012 17:21 ||
José Wilson:
Connheci o Fernandinho ainda no bairro de Aparecida. Ele jogou por um time que era meu (1a. foto da matéria) e nos torrnamos amigos. Faz tempo que tive o último contato com ele já residente no Pará. Não sei como ele anda agora.
22 de agosto de 2012 08:05 ||
O Fernandinho que jogou no FAST foi pai exemplar de sete filhos, os criou com exemplos de retidao, amor e simplicidade. Hoje trabalha no andar de cima praticando a caridade e o amor ao proximo. Agradecemos a Deus o pai que tivemos!
9 de dezembro de 2014 20:55 ||
Sou o mais velho dos sete filhos do Fernandinho.Também tentei jogar futebol entretanto ao ser aprovado no vestibular de medicina em 1970 resolvi realizar meu sonho e o de papai e hoje sou obstetra no Amapá.Dos filhos do Fernandinho o craque pra mim é o Zé Luís.
9 de janeiro de 2015 20:55 ||