6 de agosto de 2012

Fernandinho de Aparecida

O bairro de Aparecida, na época em que ainda era Tócos, na década de 30, foi um grande celeiro de bons jogadores para os clubes da primeira divisão. A história do personagem, um ex-defensor do Fast, nascido no bairro, começou de uma forma muito comum entre os garotos nas peladas ao fim das taclip_image002rdes.

No início do ano de 1932, Pedro Cumaú, antigo morador da Bandeira Branca, passou suavemente suas mãos espalmadas sobre a cabeça do um garoto de 5 anos e profetizou: você vai subir muito na vida, pode até ser um craque de futebol, mas tem que se cuidar e não deixar de lado os estudos. “Seo” Fernando, pai do garoto, também o incentivou. Gostava de futebol e foi até presidente do Libertador, que disputou o campeonato da Primeira Divisão na década de 20 e que tinha como seu destaque, o goleiro Zeca Lopes, irmão do ponteiro Marcolino. Era um time de equipamento vistoso: camisas listradas em vermelho e preto e fazia com o Independência, o clássico do bairro (camisa em vermelho e branco idêntica a do Bangu).

Nas décadas de 30 e 40, o clássico do bairro dos Tócos era entre Tuxaua, da Bandeira Branca, presidido pelo saudoso Cândido Honório Ferreira (depois desembargador) e o Satma, da Rua Gustavo Sampaio, dos irmãos Paixão, presidido por André Jobim. Mais tarde, no final da década de 40 e inicio dos anos 50, o clássico do bairro passou a ser Brasil x Tieté, ambos da Bandeira Branca.

Mas foi nos clássico Tuxaua x Satma que apareceu um jovem garoto que fazia uma ala infernal no time do Tuxaua, como vaticinou o Camaú:- Babau e Fernandinho, ao lado de Aníbal, jogavam como se fosse por música, tal era o entendimento entre eles. Ganharam cartaz no meio dos outros clubes do subúrbio, como Alvi-Negro, Palmeiras, Flandres e Copacabana.

O INÍCIO

José Fernandes da Silva Júnior foi criado no bairro de Aparecida Bandeira Branca). Lá aprendeu a jogar futebol e sempre era requisitado para formar nos times suburbanos, até que um dia, com 15 anos de idade, foi levado para o Fast Clube, participando de alguns jogos no time de aspirantes, ao lado de Ilmar Oliveira, Tiziu, Heitor, Durval, Adauto, Ciboga, Mário Torres, Basílio, Aurélio e Carlito alcançando o time titular 1945.

Ficou até o início de 1948. Teve que deixar de lado o futebol porque trabalhava na Serraria Pereira e sempre no horário de treinos tinha a obrigação de fazer o pagamento dos operários. Preferiu optar pelo emprego.

A carreira de Fernandinho na primeira divisão foi rápida, restringiu-se clip_image004ao Fast Clube, onde estavam alguns colegas do bairro, como o goleiro Raul, o zagueiro Canhão, os médios Alberto Cidonha, Peroba e Paulo Eusébio Lig-Leg.

Estudando sempre à noite, no Colégio Estadual, completou o 2º grau e fez o Curso de Contabilidade no Colégio D. Bosco, até que através de concurso, foi nomeado para o Banco da Borracha, (BASA), e foi servir no Acre e lá voltou a jogar futebol, tornando-se tricampeão pelo Rio Branco, 1950/51/52 e ainda tomou parte da Seleção local em jogo contra Rondônia.

As suas atividades bancárias atrapalhavam o futebol. Depois foi para a gerência de Pedro Afonso, em Goiás e mais tarde para Bragança, no Pará. Sem se habituar a ficar longe do futebol, foi treinador da seleção local, campeã do Intermunicipal e que, por uma manipulação da Federação, evitou que o Bragança fosse um dos representantes do Pará, na Copa Brasil. Aposentado como Chefe do Departamento de Auditoria do BASA e fixou residência em Belém.

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7 comments
  • Decíola Fernandes de Sousa

    Fiquei feliz e emocionada ao saber que meu pai é lembrando, vou guarda tudo que li, obrigada Carlos Zamith, abraços

    20 de agosto de 2012 21:35 || Responder

  • José Wilson Nunes Fernandes

    Agradeço imensamente ao sr. Carlos Zamith pela lembrança de meu pai José Fernandes (Fernandinho). Vou mostrar com muita felicidade, para meus filhos, a memória de meu pai.

    21 de agosto de 2012 03:02 || Responder

  • Miguel Henrique Tinoco de Alencar

    Há uns 15 anos atrás levei uma camisa do Fast Club ao seu Fernando em Belém (Pa) e pude ver a felicidade brilhar de seus olhos. Posso dizer que tive a honra de conhecê-lo, embora não tenha tido o convívio que gostaria. Parabéns por resgatar essas memórias que ficarão eternamente em nossos corações.

    21 de agosto de 2012 15:23 || Responder

  • Sempre tivemos acesso a coluna, através de recorte que nossa tia Decíola Nunes Castelo Branco enviava ainda pelo correio.Parabenizamos o autor pela matéria muito bem inscrita e traz informações muito importante.José Luiz Nunes Fernandes,
    filho de Fernandinho ,também conhecido como Pecanga,nascido em Bragança e residente em Belém jogou futebol de salão no Yamada, Remo e pelo Paisandú no qual como capitão sagrou-se campeão, fazendo parte da seleção paraense, filho de peixe……

    21 de agosto de 2012 17:21 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    José Wilson:
    Connheci o Fernandinho ainda no bairro de Aparecida. Ele jogou por um time que era meu (1a. foto da matéria) e nos torrnamos amigos. Faz tempo que tive o último contato com ele já residente no Pará. Não sei como ele anda agora.

    22 de agosto de 2012 08:05 || Responder

  • Jose Luiz Nunes Fernanded

    O Fernandinho que jogou no FAST foi pai exemplar de sete filhos, os criou com exemplos de retidao, amor e simplicidade. Hoje trabalha no andar de cima praticando a caridade e o amor ao proximo. Agradecemos a Deus o pai que tivemos!

    9 de dezembro de 2014 20:55 || Responder

  • jose fernandes da silva neto

    Sou o mais velho dos sete filhos do Fernandinho.Também tentei jogar futebol entretanto ao ser aprovado no vestibular de medicina em 1970 resolvi realizar meu sonho e o de papai e hoje sou obstetra no Amapá.Dos filhos do Fernandinho o craque pra mim é o Zé Luís.

    9 de janeiro de 2015 20:55 || Responder

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