De baixa estatura, jogava rindo, principalmente quando ia duro no adversário. Marcava em cima e tinha muita regularidade nas suas atuações. Foi por esse motivo que durou mais de uma década vestindo a camisa de um só clube e chegou a Seleção do Amazonas em duas oportunidades.
Manuel Vieira dos Santos, simplesmente Cachoeirinha, um lateral esquerdo que dedicou sua carreira de jogador de futebol ao Fast Clube, um de seus principais atletas ao longo de doze anos.
Nascido no bairro que tem o seu apelido, a 30 de agosto de 1910, lá mesmo aprendeu a dar os primeiros chutes. Inicialmente com bagaço de laranja; depois com bola de meia e mais tarde com uma de borracha cernambi comprada com muito sacrifício no Mercadão.
Seu irmão mais velho jogava no time do Euterpe que disputou os campeonatos de 1920 a 1923 e era conhecido pelo nome de Cachoeirinha, por isso que ele herdou o apelido deixando de ser, no futebol, o Manuel Vieira dos Santos.
Na Federação, seu primeiro time (1929) foi o Libertador, que pertencia ao “seo” Fernandes, do bairro dos Tócos, hoje Aparecida. Jogava no segundo time. Em 1930 foi fundado o Fast e Cachoeirinha passou a ser seu integrante formando ainda no segundo time. Era admirador dos craques da época: Rodolfo Gonçalves, Orlando Dantas, Cangalhas, Geraldo e Horacinho seu maior amigo e responsável por seu ingresso no Fast.
Em 1932, Cachoeirinha tornou-se titular como ponteiro direito. O dono da posição, Petro, contundiu-se num lance com Gentil, no campo do Luso, nos Bilhares e ele entrou no seu lugar. Jogou várias partidas e só saiu com a volta do titular. No mesmo ano, por ocasião da estadia do navio Floriano no porto de Manaus, seu time de futebol enfrentou o do Fast. Era comum esse tipo de jogo. Num lance infeliz, o lateral Sócrates sofreu uma contusão e lá foi o Cachoeirinha para a nova posição obedecendo a ordem do treinador Fidoca, completando a intermediária com Cangalhas e Horácio.
Depois de recuperado, Sócrates voltou ao time e Cachoeirinha teve que amargar a reserva, mas por pouco tempo, porque em 1933 segurou a posição permanecendo dez anos como titular, lamentando não ter conquistado um só título para o seu Fast, embora com cinco vice-campeonatos, dois deles empatados com o Rio Negro e com a União Esportiva Portuguesa.
Com boa memória, Cachoeirinha lembrou uma grande vitória do Fast, na qual ele teve participação. Foi em outubro de 1940, contra o Ferroviário, do Ceará. O Fast venceu por 5×2, gols de Piolão 2, Vinicius 2 e Raimundo Cururu. Recorrendo aos arquivos, encontramos esse jogo, no dia 17 de outubro, no Parque.
FAST – Raul, Edgar e Zeca Periquito; Basílio, Gradin e Cachoeirinha; Olímpio, Bigode (Miguel), Piolão, Raimundo Cururu e Vinicius.
FERROVIÁRIO – Capotinho, Zé Sergio e Zé Félix; Aírton, Zuza e Popó; Pepê (Negrin), Chinez, Jombrega, Fatiguê (Chaguinha) e Juracy
Como defensor do Fast, Cachoeirinha chegou a jogar em São Luís e em Fortaleza em desastrosas temporadas no tempo em que Lucano Antony era o presidente do clube.
Cachoeirinha esteve entre os convocados para as Seleções do Amazonas em 1936 e 1939 na condição de reserva. Na Seleção de 1939, o técnico preferiu deslocar Pedro Sena para a lateral esquerda (ele era centro-médio) a colocá-lo nessa posição, na qual jogava a muito no Fast: Depois do time amazonense enfrentar os paraenses, com resultado para eles por 10 a 5, houve um amistoso da nossa seleção contra o Clube do Remo e Cachoeirinha jogou na lateral. O Amazonas ven
ceu por 5 a 4.
Depois de arquivar as chuteiras, Cachoeirinha continuou freqüentando os estádios de futebol até o final do amadorismo. Andou fazendo algumas peripécias como torcedor. Sabia assobiar muito bem. Imitava com perfeição o apito de um árbitro e muitas vezes fez paralisar um jogo quando seu clube corria perigo. No setor da geral do Parque Amazonense, lado esquerdo, onde sempre ficava a torcida fastiana, era fácil saber-se que Cachoeirinha estava ali quando se ouvia o som de um apito extra.
Exercendo suas atividades no porto de Manaus durante 40 anos, de 1º de outubro de 1928 a 3 de novembro de 1977, no ato da aposentadoria recebeu homenagem de seus chefes e companheiros de trabalho sendo agraciado com uma placa de prata que guardou com muito carinho.
Pela Federação Amazonense de Futebol (FAF), em 1971 foi homenageado juntamente com outros veteranos jogadores, pelo presidente da entidade, Flaviano Limongi, a quem considera grande amigo, pois teve a oportunidade de jogar contra ele, que era goleiro do Tijuca e até chegou a marcar um gol de longa distancia.
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Author: Carlos Zamith
1 comment
É com grande orgulho, que eu Afranio amazonense de Manaus o unico filho vivo de um grande desportista do remo, que conquistou varias vitorias para o nosso Estado o Amazonas é com satisfação, que digo sou filho do Raymundo Limonada, remador do RUDER e colega do fundador do Carlos Zamith , na drogaria Rosas do JG Araujo.
Sou Advogado aposentado do Banco do Brasil e moro em Brasíli/Df, quando quero matar a saudade recorro ao BAU Velho.
13 de maio de 2013 09:25 ||