*21-02-1910 + 20-07-1996
Na primeira quinzena de julho de 1996, a triste notícia veio pelo telefone através do amigo Dr. Francisco Marinho: “morreu o Príncipe Adair”. Estava com a matéria do dia 28 de julho no “forno”, pronta, sem meio de substituí-la, mas mesmo assim, quase duas semanas depois, o BAÚ presta sua homenagem àquele que foi um dos grandes jogadores do nosso futebol na década de 30, um “Príncipe” com a bola nos pés e um dos fundadores do Olímpico Clube. Adair estava com 86 anos de idade e há algum tempo doente. Morreu de insuficiência renal no dia 20 de julho de1996, em Belo Horizonte onde residia com a família.
UM CAVALHEIRO
Fora de campo era um cavalheiro de poucas palavras e de fina educação. Dentro de campo não mudava. Era um “Príncipe”. Jogava um futebol bonito, com refinada técnica, incapaz de praticar qualquer tipo de falta e por isso respeitado pelos adversários e admirado pela torcida, que gostava de ver aquele elegante jogador vestindo a camisa do Olímpico.
Na foto, Adair, Pedro Sena e Sávio em 1938.
Adair Marques da Silva, um craque, um exímio driblador, jogador limpo, sempre buscando distância das normais brigas em campo. Empolgou a torcida paraense quando defendeu o Amazonas, no estádio Antônio Baena, em Belém, pelo Campeonato Brasileiro de 1939. Os jornais da época destacaram a atuação da nossa representação e especialmente do armador Adair; do comandante Sálvio Miranda Corrêa e de Osak Soares.
Amazonense de Manaus, nascido 21 de fevereiro de 1910, vivia em Belo Horizonte, com a esposa Clélia, cinco filhos, um deles homem e vários netos. Ainda garoto, Adair morou algum tempo em Portugal e lá começou a brincar com bola. Jogou no infantil do Futebol Clube do Porto e chegou a subir para o time juvenil estreando contra o Boa Vista e uma bela vitória de 3×0, sendo o autor dos três tentos, todos no segundo tempo, quando entrou para substituir um colega seu.
NO FLUMINENSE
No Estádio “Álvaro Chaves”, Adair, no Fluminense, é o terceiro a partir da esquerda.
Voltou ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro já com 13 anos de idade. Jogou pelo time de aspirantes do Fluminense ao lado de Sálvio Miranda Corrêa. Chegou a ser sondado para se tornar profissional, mas os estudos tomavam grandes parte de seu tempo e não conversou muito sobre o assunto.
Adair veio para Manaus no final de 1930 com cartaz de bom jogador de futebol e logo foi defender o Rio Negro, conquistando os títulos de 1931 e 1932, no time principal que tinha Gutemberg ou Hugo Guimarães no arco; Oliveira, Candú, Arnóbio Valente, Pedro Barbosa, Ciro, Goiot, Vidinho, Ofir, Adair, Bandeira, além de Miúdo, Dodoca, Maluco, Valdemar Santana e Armando Barbosa.
Por volta do ano de 1937, Adair reuniu vários amigos, dentre eles seus irmãos Almir, Ademar, Moacir e João, além dos irmãos Sálvio e Acrísio, com a finalidade de fundar um time de futebol. A ideia prosperou e saiu, inicialmente, o Albatroz de Rui Guimarães, Luiz Daou. Osak Soares, Cloter Gama. Candú, Arnóbio Valente e logo depois o Albatroz virou Olímpico, nome que Adair Adair entre a esposa e o filho (1990). trouxe do Rio.
NA SELEÇÃO
Em 1939, a Seleção do Amazonas estava em preparativos para o Campeonato Brasileiro, com jogo em Belém. Numa tarde de dia útil, no estádio General Osório, foi disputado um jogo-treino com o Olímpico (ainda com o nome de Albatroz) que venceu por 6×5, sobressaindo-se com grande destaque a linha atacante formada por Cloter, Adair, Sálvio, Osak e Almirzinho ou Gaspar.
Após essa exibição, vários jogadores do Olímpico foram convocados para a Seleção do Amazonas, que faria apenas um jogo em Belém. Nossa representação perdeu por 10×5. O ponteiro esquerdo Lé, fez 3, Cláudio Coelho e Sálvio completaram. O time do Amazonas ainda fez um amistoso contra um combinado Remo-Paissandu e venceu por 5×4, com um placar adverso no primeiro tempo de 3×0. No tempo final, o Amazonas fez seus cinco gols, contra um do Pará. Os jornais da época destacaram o trabalho de Adair e Osak Soares.
Adair, profissional de arquitetura, filho de Marques Paraguai, um marchante de peso nesta cidade nas décadas de 30 e 40, morador por muito tempo da Rua Alexandre Amorim, próximo à Bandeira Branca, estava casado há mais de meio século com Dona Clélia, filha de Lourival Muniz, professor de longa carreira em Manaus, cujo nome foi perpetuado numa das ruas do Bairro da Glória.
O filho homem de Adair, também é amazonense e engenheiro da Usiminas de Belo-Horizonte, onde já exerceu o cargo de diretor.
Adair morreu em Belo-Horizonte, de insuficiência renal, no dia 20 de julho de 1996, aos 86 anos.
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Author: Carlos Zamith