«24/03/1916 U15/09/1993
Marcos Gonçalves da Silva, 1,78m., chuteiras 44, nascido em Belém do Pará a 24 de março de 1916 teve uma longa história a serviço do futebol, pois só parou de jogar com quase 42 anos de idade, mas continuou como técnico muito bem sucedido no início da nova carreira.
Para o Baú Velho, em março de 1990, Marcos contou a sua história:
“Meu pai era sargento do Exército e nos constantes deslocamentos, a família o acompanhou, fixando-se no Rio de Janeiro onde passou a servir. Tive a oportunidade de jogar nos quadros inferiores do Fluminense e do Vasco da Gama. Depois meu pai foi transferido de volta para Belém. Joguei no Luso e mais tarde no Clube do Remo e nos anos de 1936 e 1937 no Paissandú. No ano seguinte novamente meu pai foi transferido, agora para Fortaleza. Lá joguei no Estrela do Mar e no Maguari entre os anos de 1938 e 1939. Novo deslocamento para Maceió e a seguir para Recife onde passei a defender o Santa Cruz em 1942. O campeonato havia terminado. Os jogadores estavam de férias e eu aproveitei a folga viajando para Belém onde aguardaria a delegação do Santa Cruz que vinha para o Norte cumprir uma série de jogos, inclusive em Manaus, num período não muito bom porque estávamos no fervor da II. Guerra Mundial”.
Em Belém o Santa Cruz enfrentou o Clube do Remo e venceu pela contagem de 5 a 2. Marcos fez quatro dos cinco gol, atuando como centro avante do time pernambucano. Em seguida dois empates contra o Paysandu e contra a Tuna. Marcos chegou a Manaus antes da delegação do Santa Cruz, juntamente com Bendelak e explicou que dois dirigentes de clubes de Manaus estavam em Belém tratando da temporada do Santa Cruz, Arnóbio Valente (Olympico) e Rocha Barros (Rio Negro) que também estavam atrás de reforços.
O Santa tinha estreia marcada contra o Olympico, no Parque e dois dias antes, Marcos e Bendelak apareceram no estádio para ver um jogo do campeonato local. De repente recebeu um convite para apitar o jogo porque o árbitro escalado não havia comparecido. Relutou muito, argumentando que o Bendelak era mais acostumado a apitar. Não adiantou. Terminou apitado e até que se saiu bem .
Marcos tinha compromisso com o Santa Cruz, mas os dirigentes do Olympico fizeram força para que ele jogasse com a sua camisa. Após muita conversação, foi liberado e jogou ao lado de Bendelak. O Olympico venceu o time pernambucano por 3 a 2 e ele marcou os três gols, todos no segundo tempo. Não podia ter uma estreia melhor, num time que jogava com Théo, Periquito e Manuel Braga, Chinelo, Almir Marques e Nestor; Cabral, Klin, Marcos, Bendelak (Eliomar
ar) e Sálvio Miranda Corrêa.
Relembrou com tristeza a morte de dois companheiros do Santa Cruz, Papeira e King, falecido em Belém na volta da delegação. Por sua boa atuação, o Santa Cruz o incorporou à delegação, mas diante de tantos problemas, inclusive com a ameaça de bombardeios do navio em que viajavam, a embaixada voltou a Belém e os jogadores receberam passe livre. Na ocasião praticamente acabava o time do Santa Cruz. Arnóbio Valente trouxe para o Olympico, Pinhegas, Pelado, Sidinho e o próprio Marcos, enquanto Rocha Barros segurava Salum Omar e França, para o Rio Negro. Limoeirinho foi para o Botafogo, do Rio; Amaro para o América, também do Rio e outros tomaram rumos diferentes. Foto de 1992.
Na seleção de 1943, o Amazonas venceu ao Pará pela primeira vez dentro de Belém, por 2 a 0 e Marcos assinalou os dois tentos. Jogou ainda na seleção de 1944 e perdeu por 1 a 0, em Manaus. Foi campeão pelo Olímpico em 1944 e pelo Nacional em 1946 para onde foi levado pelo dirigente Ney Rayol. Defendeu o Barés e encerrou sua longa carreira no Santos, da Cachoeirinha, como jogador e como técnico, pelo qual foi campeão da segunda divisão, em 1957 e campeão no ano seguinte pelo mesmo Santos, já na primeira divisão.
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Author: Carlos Zamith