A Rua Tabelião Lessa, de apenas uma quadra, fica localizada ao lado do edifício do Mercado “Adolpho Lisboa” entre as Ruas dos Barés e Barão de São Domingos.
A denominação foi dada por iniciativa do Intendente Fulgêncio Martins Vidal, na reunião do dia 19 de março de 1918, conforme consta do livro de Atas da Câmara Municipal, de nº 04, página 248.
O autor da propositura, na ocasião, lembrou das qualidades superiores de caráter do coronel Manoel Antônio Lessa, bem como dos serviços por ele prestado à Nação, ao engrandecimento do Estado e como incansável defensor dos direitos dos pequenos e pobres lavradores amazonenses.
O autor apresentou ainda alguns considerandos ao seu projeto:
Considerando que se tem dado denominação há algumas ruas desta cidade com nomes de respeitáveis individualidades que muito labutaram pelo ressurgimento deste município;
Considerando que o pranteado Tabelião Lessa, desde 1863 vinha trabalhando ao lado dos que lutaram pelo engrandecimento desta Manaus, como certo as notícias editadas pelos jornais desta cidade por ocasião do seu passamento;
Fica denominada de Rua Tabelião Lessa a antiga travessa sem nome ao lado do edifício do Mercado Publico, começando da Rua dos Barés e terminando à margem esquerda do Rio Negro.
O Projeto foi aprovado pelo Presidente da Intendência, Dr. Jerônimo Ribeiro, transformando-se na Lei número 923, de 20 de março de 1918. Denominação mantida.
Embora passados alguns anos, a Rua Mundurucus mudou de nome, mas continuou sendo conhecida por essa denominação. Essa artéria, no centro da cidade entre a Rua Quintino Bocaiúva e dos Andradas, cuja extensão talvez não chegue a duzentos metros, teve seu nome mudado em duas oportunidades.
Em 1920, o Intendente Júlio César Lima apresentou projeto justificando:-
"É dever cívico, que muito diz do grau de cultura e adiantamento de um povo, prestar homenagem à memória daqueles vultos que se distinguiram na sociedade onde viveram. Assim tem entendido o Conselho Municipal a respeito de quase todas as individualidades de destaque no nosso meio e que, no entanto, uma lamentável exceção se vê no esquecimento relativo à memória do tenente Manoel da Silva Ramos – fundador da imprensa no Amazonas – o qual, além da glória, por si só bastante para imortalizá-lo entre nós, foi ainda secretário e Vereador à Câmara Municipal da antiga Cidade da Barra do Rio Negro, hoje nossa elegante capital".
Concluindo, o orador mandou à Mesa o Projeto de Lei mudando o nome de Rua dos Mundurucus para Rua Silva Ramos, autorizando o Superintendente Municipal a fazer as despesas necessárias para colocar as placas designativas na aludida Rua A proposição de Júlio César Lima recebeu o apoio de seus pares, Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, Plácido Serrano, Aprígio de Menezes e Luiz Caetano de Oliveira Cabral.
No dia 30 de outubro de 1920, o Projeto foi promulgado transformando-se na Lei nº 1.057 e, a partir daí a Rua Mundurucus passou a denominar-se de Rua Silva Ramos,
Três anos depois, pela Lei nº. 1.220, de 27 de outubro de 1923, assinada pelo presidente da Intendência, Dr. Vivaldo Palma Lima e pelo secretário Vicente Monteiro Maia, foi restabelecida a denominação de Rua Mundurucus enquanto o nome de Silva Ramos passava para atual artéria que tinha o nome de Rua Cearense.
Mas, em 1963, pelo Decreto nº. 53, de 11 de abril, a Rua Mundurucus volta a ter outra denominação: "Travessa João Avelino", nomenclatura que permaneceu oficialmente, embora no cadastro da Prefeitura constasse o nome de "Rua Mundurucus".
A justificativa desse ato, assinado pelo então Prefeito Josué Cláudio de Souza dizia que "compete aos Poderes públicos exaltar as atividades dos homens que se distinguiram em todos os setores sociais, não somente os letrados e os possuidores de fortuna, por seus serviços prestados à coletividade através de ensinamentos e doações merecem a consagração popular, mas também àqueles que por seu procedimento hão demonstrado as facetas de espíritos superiores onde sobressaem, por mais dignas, a sinceridade e a lealdade".
A Lei nº. 343/96, do Executivo, aprovada pela Câmara Municipal, restabeleceu o nome de Mundurucus, constando como nomenclatura antiga, embora João Avelino fosse o oficial.
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Author: Carlos Zamith
1 comment
Poxa Zamith! Que felicidade colocar uma materia sobre a Rua Mundurucus onde eu passei minha juventude nos anos 70. Gosto de ir num barzinho tomar uma geladda e reecontrar uns amigos bem na esquina com a Miranda Leão. Muito obigrado. Waldir
30 de outubro de 2012 13:06 ||