4 de novembro de 2012

Emanuel

*25/04/1918  +16/01/1991

Morava em Belém, cidade onde nascera e muito jovem, veio a Manaus por causa de um problema familiar. Soube que seu pai, o Comandante Carlos Soares, havia morrido nesta cidade. Pegou um navio da antiga Amazon River, aqui chegou, inteirou-se do triste acontecimento, sentou a cabeça, gostou da terra, tornou-se craque de futebol, ídolo da torcida do Nacional e depois foi embora para o Rio de Janeiro.

Emmanoel dos Santos Soares, com dois “emes” iniciais, mas a crônica esportiva tirou um, preferindo chamá-lo simpesmente de Emanuel. Nasceu a 25 de abril de 1918 na capital paraense.

Como todo garoto, começou a jogar futebol em peladas até sobressair-se no time infantil do Grupo Escolar “Barão do Rio Branco” de onde saíram outros grandes craques como o goleiro Simeão, Orlando Brito, Trindade, Vavá, Capí, Pinhégas, Pelado, Bendelak e Vevé, tricampeão pelo Flamengo.

Emanuel veio para Manaus em 1939, viajando de navio que parava nas beiras de rios para trocar balata por mantimentos e lenha. A cada parada entravam e saiam passageiros, o que se transformava em diversão. No município de Itacoatiara, o navio ficou longe do porto que estava vivendo momentos de festa. Foguetes, gritos de viva, etc. Uma canoa vinha em direção do navio que permanecia distanciado. Além do remador do pequeno barco, um homem de um largo sorriso mostrando os dentes alvos, vestido de branco e ostentando um “chapéu de Chile”. Emanuel ficou espantado com a recepção para aquele cidadão, de cor escura e perguntou ao foguista do navio:

De que se trata?

O foguista respondeu:

Moço, o navio parou para embarcar um grande jogador de futebol que foi contratado pelo Nacional, de Manaus., mas o nome dele eu não sei.

Emanuel aproximou-se do jovem crioulo e soube o seu nome que era Lupércio Nascimento, e foi logo dizendo:

Eu também jogo futebol, mas vou a Manaus para saber detalhes sobre a morte de meu pai.

No domingo seguinte, Lupércio estava estreando no time do Nacional, contra o Rio Negro e os jornais anunciavam com destaque a presença do seu novo craque. Emanuel estava hospedado na casa de Alberto Ramadan que o levou ao Estádio do Parque para ver o clássico. Na arquibancada os dois ficaram perto de um cidadão gordo de postura elevada e que mostrava ser duro nacionalino.

De saída, o jovem Emanuel gostou do uniforme do Naça e de um atacante baixinho e muito arisco. Era o Barrote. Gostou do jogo e da estreia de Lupércio, mas num certo momento a partida andou monótona e comentou com o Ramadan:

Confesso que jogo melhor que muitos do que estão aí em campo.

O cidadão gordo que estava ao seu lado era o saudoso Aloísio Brasil, um nacionalino fanático, que após uma rápida apresentação feita pelo Ramadan convidou o Emanuel para treinar no seu time. Aceitou o desafio e não fez feio. Segurou a posição de meia, tornou-se titular campeão e ídolo da torcida até ir embora, mas sempre lembrando do seu Nacional.

OS TÍTULOS

O primeiro titulo de Emanuel com a camisa do Naça foi em 1939, nos célebres 15 minutos com o Rio Negro fazendo o gol que decidiu a partida após um cruzamento do ponteiro Didi. O técnico do Nacional era o ex-goleiro Praxiteles Antony, e o time campeão formava com Joel, Otílio e Beré; Lupércio, Pedro Sena e Manuel Braga; Maurício, Barrote, Garibaldi, Emanuel e Didi. Depois mais dois títulos seguidos: 1941 e 1942, sem muita modificação nas duas campanhas: Joel, Beré, Luís Onety (Periquito); Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho; Caiado, Emanuel, Paulo Onety, Barrote e Raspada, além de Benjamim, Esmeraldo, Ariosto e os goleiros Alfredo Pires e Salgado que também participaram do bi.

Na seleção Amazonense, Emanuel formou em 1941, 1942 e 1943. Em 1943, com um time dos melhores, reforçado por jogadores que haviam atuado pelo Santa Cruz, de Recife. O Amazonas jogou em Belém e venceu por 2 a 0, com Téo, Periquito e Marcilio; Omar, Pelado e Emanuel; Oliveira, França, Cláudio, Sidinho e Pinhégas. Emanuel ostentava boa forma. Embora meia armador, não podia ficar fora da seleção. Na sua posição tinha o cearense França e por isso o técnico não teve outra alternativa não ser deslocá-lo para a lateral e, como craque joga em qualquer posição, sua atuação foi consagradora.

Em 1943, o São Cristóvão do Rio estava em temporada pelo Norte depois de uma bela campanha no certame carioca em que revelou o centro avante João Pinto, artilheiro da temporada. Era um timaço e ficou entre os quatro primeiros colocados: Joel, Augusto e Mundinho; Bianchi, Papeti e Castanheira; Santo Cristo, Alfredo, João Pinto, Nestor e Magalhães. O Clube do Remo tinha um compromisso com o time carioca, em Belém e Emanuel foi convidado para reforçar o time paraense. Obteve licença do Nacional e foi embora.

Com ele foram os jogadores do Olímpico, Pelado, Bendelak e Pinhégas, estes sem dar satisfação ao clube. O Remo venceu por 1 a 0, gol de Pinhégas, num jogo disputado debaixo de forte chuva. No final, o técnico do São Cristóvão, Abel Picabéa foi ao vestiário do Remo dar os cumprimentos aos remistas e apontou Emanuel como o melhor do time, convidando-a para jogar no seu time. Emanuel voltou a Manaus, conversou com a diretoria do Naça, recebeu sinal positivo e viajou para o Rio de Janeiro.

Jogou no time “alvo” de Figueira de Melo de 1944 a 1950. Parou porque havia contraído matrimônio no ano anterior e resolveu tornar-se comerciante, atividade que exigia tempo integral. Equilibrado, continuou os estudos até formar-se em direito. Tornou-se escrivão, dono de um Cartório e Tabelionato – Coelho da Rocha, Distrito de São João do Miriti. Em 1969, quando o Nacional foi jogar no Maracanã, contra o Maringá, Emanuel deu total assistência ao seu Nacional, aos jogadores e dirigentes. Sempre esteve junto a delegação procurando resolver os problemas.

No dia 19 de janeiro de 1991, Emanuel morreu no Rio de Janeiro, aos 73 anos em consequência de problemas cardíacos.

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7 comments
  • Obrigado pela linda homenagem ao meu pai e estou muito emocionado em rever a sua história e seus dias de glórias. Um homem admirável, lutador, grande pai e um ser humano incrível. Obrigado de verdade, e se o senhor puder me mandar mais alguma coisa a respeito dele ficaria muito agradecido.

    Atenciosamente

    Emmanoel dos Santos Soares Filho

    25 de julho de 2013 15:58 || Responder

  • A mãe de meu pai…minha avó Paquita…tinha todas as reportagens dele que saiam nos jornais e essas mesmas reportagens hoje se encontram comigo. Se o senhor puder me mandar mais alguma coisa a respeito de meu pai ficaria muito agradecido.

    Atenciosamente

    Emmanoel dos Santos Soares Filho

    Telefone: 35 – 8837-4889
    e-mail: soares489@gmail.com

    25 de julho de 2013 16:18 || Responder

  • Meu pai voltou anos mais tarde e foi recebido por diversos amigos e autoridades local no aeroporto de Manaus. Ele foi capa da primeira página do jornal intitulada…O ÍDOLO DE TODOS OS TEMPOS…gostaria muito de poder ter uma cópia desse jornal e a que eu tinha meu pai guardou ou deu para algum amigo da época…poderia me ajudar…por favor.
    P.S. Não me lembro o ano e nem o jornal da época…me desculpe.

    Atenciosamente

    Emmanoel dos Santos Soares Filho

    25 de julho de 2013 16:26 || Responder

  • Possuo muitas recordações do meu pai…inclusive guardo a camisa que ele jogou no São Cristovão Futebol Clube…seu último jogo. Essa foto que o senhor postou no seu blog, tenho a original dela. Forte abraço e obrigado de novo e mil vezes.

    Atenciosamente

    Emmanoel dos Santos Soares Filho.

    25 de julho de 2013 16:30 || Responder

  • Samara de Serpa Soares

    Estive em Manaus com meu filho Mauro agora, em setembro, e estivemos em todos os lugares que meu amado pai Emmanoel jogou, visitamos a sede do Nacional e fomos maravilhosamente recebidos por todos, da recepção até a direção. Foram momentos de muita emoção! poder estar nos mesmos lugares dos quais papai nos contava suas alegrias no esporte. E agora, fico muito feliz, emocionada e agradecida pela lembrança de seu nome. Muitíssimo obrigada!
    sinceramente,

    Samara de Serpa Soares

    24 de setembro de 2013 09:08 || Responder

  • ANTONIO TAVERNARD

    Fiquei feliz ao ver o nome do meu avô Simeão Tavernard nessa matéria. Meu avô jogou na Tuna Luso, Paysandú, Ferroviário (Rondônia) e Seleção Rondoniense. Faleceu em Porto Velho, em 05/12/1991.

    24 de setembro de 2013 22:00 || Responder

  • SIDNEY RIVERO TAVERNARD

    Uma imensa felicidade ver o nome de meu pai o saudoso Simeão Frazão Tavernard, grande goleiro em Belém do Pará. Foi um grande desportista e comentarista esportivo.
    Melhor ainda ver a homenagem de meu sobrinho Antônio Carlos Mendonça Tavernard.

    7 de março de 2014 11:48 || Responder

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