Nunca defendeu outro time a não ser o Nacional que era a sua vida e desde garoto. Aprendeu a adorar a camisa da estrela azul solitária quando a sede ainda era na Rua Saldanha Marinho. Jogador raçudo, de boa impulsão, disposto a enfrentar qualquer jogada ríspida, firme na marcação, jogava mais com a perna esquerda e quando deixava o campo, com o rosto, de pele clara, bem avermelhada, demonstrava o esforço, sua luta pela camisa que vestia. Por tudo isso foi um ídolo da torcida nacionalina e esquecido, como sempre acontece com qualquer jogador de futebol.
Boanerges Lopes Ramos, nascido em Manaus a 8 de outubro de 1936, lateral direito ou esquerdo, foi adaptado a esta última posição pela dupla Flaviano Limongi e Leal da Cunha quando treinavam o Nacional em 1957. Brilhou no Nacional até o início do profissionalismo. Seus contatos com a bola foram num campinho que ficava na Rua Japurá com a Rua Apurinã, no sempre lembrado campo do Cumarú, em frente à antiga residência da família do saudoso Joaquim Lucena.
Boanerges foi para o Nacional em 1952, levado por Barbosa Filho, como infanto-juvenil. Em 1954 já estava no juvenil e foi campeão. Chegou ao qua-dro titular em 1957 e foi campeão ao lado de Marcus, Martins, Mário China, Dadá, Português, Zizico, Said, Pedro Brasil. Durante as competições de 1958 a 1962, o Naça esteve correndo por fora do título, mas voltou a ser bi-campeão em 1963- 1964, o último no regime amador. Sempre firme na late-ral, botou a faixa juntamente com Zé Maria, Jonas, Sula, Jaime Basilio, Vanderlann, Vivaldo, Hugo, Fredoca, Português, Ribas, Pretinho, Lacinha e Pepeta.
Boanerges é grande amigo do seu velho companheiro Português. Jogou na Seleção do Amazonas de 1962. Estava em grande forma e foi convocado por Barbosa Filho para os jogos do Campeonato Brasileiro. Dentre os laterais chamados (Soldado, Bolôlô e Valdér), ganhou a posição de titular. Nossa seleção passou pelos Territórios classificando-se para enfrentar o Maranhão. Triste a trajetória porque perdemos em Manaus, por 3 a 1 e em São Luís por 4×1, acabando com a esperança de continuar na competição.
No início do campeonato de 1965, o Nacional empreendeu uma temporada por gramados do Amapá, Santarém e Belém. Dolorosa para Boanerges, pois sofreu uma forte contusão no joelho que o afastou dos gramados. Submeteu-se a uma cirurgia, mas não houve jeito de se recuperar. Arquivou as chutei-ras.
Em partida oficial, em Manaus, Boanerges jogou pela última vez com a camisa do Nacional, contra o América, no turno do campeonato, dia 10 de julho de 1965. Uma despedida melancólica, pois seu time perdeu por 3 a 1. Casado, pai de um casal de filhos adultos, trabalha por conta própria.
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Author: Carlos Zamith
13 comments
Daqui de Fortaleza, um abraço do negão para o historiador Carlos Zamith e este excelente blog, museu do passado do nosso futebol.
6 de dezembro de 2009 23:38 ||
Meu estimado Negão:
Li tua mensagem no blog Bau Velho. Boa sorte no passeio.
7 de dezembro de 2009 08:19 ||
Sou genro do Boanerges, atualmente ele está aposentado, porém devido a um derrame tem dificuldade de falar mas reconhece os amigos e lembra-se muito do passado. Ele mora comigo e seria muito bom se ele recebesse a visita de seus contemporâneos do futebol. Parabéns ao seu blog que valoriza a nossa terra e aos que por ela deram um pouco de si como você.
10 de dezembro de 2009 09:34 ||
Clelson:
Lamento o que aconteceu com o Boanerges. Faltou o seu endereço para as visitas ao grande craque do passado.
12 de dezembro de 2009 19:17 ||
MORO EM FORTALEZA VEJO O SEU BLOG TODAS AS SEMANAS, VOCE MOSTRA OS MEUS IDOLOS DO PASSADO, QUE ME DA MUITA SAUDADES, PRINCIPALMENTE O MEU PRIMO VITORINO, MAIOR LATERAL QUE O AMAZONAS TEVE.
MANOEL AGUIAR RIBEIRO
13 de dezembro de 2009 13:23 ||
Por favor envie nota para o meu email que lhe forneço o nosso endereço. Grato pela atenção.
13 de dezembro de 2009 18:06 ||
eu tive á oportunidade de vê-lo jogar pelo leão da vila municipal era um jogador viril porém clássico, pelo eu não me lembro de alguma jogada rispida por por parte, do referido contra outro jogador com adversário sempre jogando forma leal ou com seu colega de profissão mesmo período amador do futebol manauense , praticado no velho estádio da linha circular ou mesmo noetádio da colina.
14 de dezembro de 2009 22:27 ||
quero enaltecer á dedicação e força de vontade do sr. carlos zamith em preservar á memória do futebol do amazonas como também á memoria da nossa cidade de manaus, e também tido oportunidade de conversar com á sua pessoa em vossa residência alguns anos atrás ,sucesso pelo seu esfôrco por deixar um legado para futuras geraçôes dos manauara .
14 de dezembro de 2009 22:33 ||
Parabéns pelo site gostaria de saber sobre os clubes do passdo
20 de dezembro de 2009 18:25 ||
Zamith, sou nacionalino de coração, mas ñ posso esquecer do seu arquirival( Rio Negro), gostaria que o Sr. indicasse qual dos jogos desse grande clássico, qual foi o jogo mais badalado de todos os RIO-NAL, pois sei que a torcida do GALO também foi muito grandiosa, sei que, grandes craques passaram por este grande clube. Feliz natal, saúde e muita felicidade ao Sr.
23 de dezembro de 2009 16:28 ||
Pelo que pude perceber, no futebol do passado no amazonas, todas as classes se misturavam, diferentemente dos outros centros:Rio de Janeiro e São Paulo, só praticavam o futebol pessoas da alta sociedade, aqui pude perceber que não era bem assim, pobres ou ricos jogavam no mesmo clube, o Sr. poderia me explicar melhor, como era essa união de classes?
24 de fevereiro de 2010 10:27 ||
Hello, in all respects!
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24 de maio de 2010 13:34 ||
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11 de dezembro de 2011 04:01 ||