O clássico Rio Negro e Nacional sempre foi o de maior rivalidade no futebol amazonense. Um jogo que realmente mexe (ou mexia) com os nervos do torcedor e até do pessoal que trabalha na imprensa que se desdobra no noticiário, buscando detalhes para sacudir a torcida no afã de levá-la ao Estádio.
O campeonato profissional de 1968 estava fervendo. Os meios esportivos com muita movimentação, principalmente no conhecido “Canto do Fuxico”, na esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Henrique Martins. As sedes dos clubes com grande freqüência de torcedores. Na Federação Amazonense de Futebol (FAF), que funcionava na Rua Lobo D’Almada, quase esquina com a Rua Henrique Martins, o burburinho do torcedor em busca do ingresso com antecedência, também era muito grande.
Os jornais e emissoras de rádio (não existia televisão na época) procuravam dar cobertura total ao futebol amazonense, deixando de lado o noticiário do sul que antes tomava todas as páginas dos jornais e os noticiários das rádios, Difusora, Baré e Rio Mar.
O Jornal do Comércio era secretariado por José Cidade de Oliveira, fundador da ACLEA, (já falecido) diretor do Rio Negro e seu ferrenho torcedor e na subsecretaria, Guilherme Gadelha, de óculos (foto com o autor), um nacionalino declarado, também funcionário da Assembléia Legislativa do Estado, bem mais moderado, sem o fanatismo de seu companheiro Cidade. Tinha muito cuidado em ler a matéria antes e depois do jogo ao ser encaminhado para a composição e chegava a eliminar trechos que por qualquer motivo, mesmo de leve, atingissem o seu Nacional.
Guilherme Gadelha, falecido a 18 de setembro de 1987, na cidade de São Paulo, aos 57 anos para onde fora a tratamento de problema do coração, foi quem introduziu pela primeira vez na imprensa escrita, passando posteriormente para as emissoras, a abreviatura, do clássico Rio Negro e Nacional, para “RIO-NAL”, espelhando-se no “Gre-Nal”, clássico Grêmio x Internacional do Rio Grande do Sul.
Quando o fato aconteceu, na véspera do clássico amazonense, num sábado à tarde, ano de 1968, a edição de domingo estava sendo fechada. O título da página esportiva era sobre o jogo. Gadelha utilizou um clichê antigo de seis colunas, com a palavra EMOCIONANTE. Como faltava completar o espaço de duas colunas para a manchete, Gadelha chamou-me (eu era o repórter do JC) e fez a pergunta: coleguinha, que tal se eu colocar Rio-Nal neste espaço que está sobrando? A aprovação foi imediata. No dia seguinte a manchete esportiva de O Jornal do Comércio, chamava a atenção.

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Author: Carlos Zamith
1 comment
Parabenizo o autor pelo site “baú Velho”, sou filha de Gulherme Gadelha, e senti-me honrada em poder ver o nome desse brilhante jornalista ser lembrado por um de seus copanheiros dos velhos tempos de jornalismo.
Continue postando artigos e noticias desses gandes nomes que outrora fizeram a imprensa Manauara.
Se possivel fale um pouco de Pablo Cid também, o saudoso Moacir Rosas.
24 de maio de 2011 21:57 ||