14 de abril de 2013

O patriarca Flaviano Limongi

Garoto ainda conheci o Flaviano Limongi, nascido em 04 de maio de 1926 já um pouco gordinho e demonstrando poder de liderança. Nós estudávamos as primeiras letras, aí por volta de 1931, na Escola de Dona Joana, na Rua Dez de Julho, (entre Avenida. Epaminondas e Rua Lobo D’almada) onde foi o Salão Borba. Eu fiquei onde estava e ele dali saiu para o Colégio Dom Bosco, bem em frente a sua residência, na Avenida Epaminondas e foi lá que nasceu a sua paixão pelo futebol, embora contrariando o velho Vicente Limongi.

Limongi muito novo apareceu no time do Colégio, o Uberabinha e logo defendeu a meta do Tijuca, um clube que ele ajudou a fundar e formado praticamente por alunos do Dom Bosco, (um bom celeiro de bons jogadores) que passou a disputar o Campeonato da Liga Matinal, com jogos no campo do Luso, na década de 40 e depois a primeira divisão da FADA. Limongi era o titular da camisa um. Passou a jogar com o nome trocado para driblar seu o velho Vicente. Nas escalações aparecia como goleiro Aymoré.

Em 1942, com 16 anos, ele foi chamado pela primeira vez para vestir a camisa da Seleção do Amazonas para o Campeonato Brasileiro, contra o Pará. Só houve um jogo por causa da Guerra. Estava na reserva do veterano Iano, mas em 1946, era o titular absoluto da nossa Seleção, fazendo os dois jogos contra o Pará. Na temporada do Santa Cruz, de Recife, em 1947, o Tijuca abriu a série de jogos. Embora perdendo por 2×1, gols de Eloi e Dengoso para os visitantes e Juvenil, para os locais. Limongi teve destacada atuação. Era um time profissional contra os nossos amadores e o Parque Amazonense lotado. Nesse dia o Tijuca formou com Limongi (que já adotava o seu próprio nome), Darcy e Mário Matos (Major); Ilmar Oliveira, Brás Gioia e Mariozinho; Cabral, Mário Orofino, Cláudio Coelho, Juvenil e Pedrinho.

Muito jovem ainda, Limongi deixou o Futebol como jogador, mas ficou sempre ligado a ele. Praticava também o basquetebol e o voleibol, outras especialidades do Tijuca.

Tornou-se cronista esportivo de A Critica, narrador de futebol da Rádio Difusora do Amazonas, onde também comandou programa de auditório (Na Casa do Zebedeu) na mesma Rádio Difusora e foi com ele, como repórter de campo da Rádio Rio Mar em 1955, lançou pela primeira vez nos nossos campos de futebol, por ocasião de um jogo Nacional x Princesa Isabel, o microfone sem fio, que levava o nome de hand-toc, aparelho montado aqui mesmo pelo saudoso José Lima Mendes, também técnico da emissora. Era deficiente, sem boa audição por excesso de ruídos, mas era uma novidade e chegou até a merecer registro na imprensa.

No jornal A Critica, tinha uma coluna esportiva muito lida, o Passou Raspando, sempre comentando os jogos locais e a atuação dos jogadores. Outra coluna, um pouco mais pesada, pois registrava fatos atrás dos bastidores e suas mutretas, era o Buraco Quente que pelos problemas causados a cada edição, desapareceu logo.

Limongi também foi técnico de futebol. Andou pelo Nacional, mas estava na função apenas para colaborar. Sempre envolvido no esporte, tomando a frente de grandes e arrojadas promoções, principalmente nas temporadas interestaduais, para ajudar este ou aquele clube, foi encarregado pelos clubes para fundar a FAF – Federação Amazonense de Futebol, desvinculado da FADA o futebol. Uma luta árdua que durou meses, mas venceu. A Federação Amazonense de Futebol (FAF) foi fundada no dia 26 de Setembro de 1960, tendo como primeiro presidente o Dr. Flaviano Limongi, com a sede atual instalada num prédio antigo da Avenida Constantino Nery, 282, centro. A FAF promoveu uma acentuada reviravolta no nosso futebol.

O público voltou aos campos, as arrecadações cresceram, os clubes passaram a importar jogadores. Os estádios Parque e Colina, mesmo com todos os melhoramentos feitos pela entidade eram pequenos para tanta gente. O Vivaldo Lima seria a salvação e lá foi o Limongi contatar, diariamente, com os governantes desta cidade para acelerar a construção do então Tartarugão, recebendo o maior apoio de Danilo Areosa.

Numa arrojada iniciativa, levou o time do Nacional para jogar no Maracanã, contra o Maringá. Finalmente viu seu esforço coroado com a pré inauguração do Vivaldo Lima a 5 de abril de 1970, com a exibição de duas seleções brasileiras, A e B, que mais tarde levantava a Copa do Mundo, no México.

De família italiana, Limongi estava internado no Hospital Beneficente Portuguesa, na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus. Desde outubro de 2012, seu estado de saúde declinou. Ontem à tarde (13) não resistiu a problemas cardíacos e um edema pulmonar. O corpo do patriarca da FAF, que completaria 87 anos no próximo dia 4 de maio, está sendo velado na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), na Zona Centro-Sul de Manaus e será enterrado, neste domingo (14), no cemitério São João Batista, na mesma Zona da cidade.

Pelo que fez nesses longos anos em favor do nosso futebol, pela sua dedicação ao esporte, Limongi foi agraciado com o Titulo de Cidadão Benemérito de Manaus, outorgado pela Câmara Municipal de Manaus, de autoria, do então Vereador Raimundo Sena. Sempre alegre, divertido, de bem com a vida, procurando auxiliar o próximo. O Patriarca Limongi, tornou-se um símbolo do futebol amazonense. Siga na Luz, na Paz e no Amor meu amigo.

Um abraço, um queijo, uma saudade e uma rosa.


Escola Esta matéria foi publicada a partir dos alfarrábios do Baú Velho, meu pai Carlos Zamith, que encontra-se recuperando sua saúde e por recomendação médica não sabe ainda da morte do amigo e irmão Flaviano Limongi.

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