17 de fevereiro de 2010

Aírton – o indiozinho

Airton e Orlandino, numa disputa aerea pela Taça Amazonas. São Raimundo 1 e Olimpico 1, em 26/01/1969.Um louco do volante, desses que andam por aí impunes tirando a vida do ser humano, matou o Aírton, um antigo jogador, que brilhou no Rio Negro e no São Raimundo. Um atleta que fez a sua história no nosso futebol, pelos gols que marcou com sua incrível impulsão. 
 
Revelado pelo futebol de Parintins, ele veio para Manaus juntamente com um outro conterrâneo e formaram uma dupla de área de boas tabelinhas. Aqui fez o seu cartaz de bom goleador, especialista nas bolas pelo alto. Ganhou até o apelido de O Indiozinho de Parintins, dado pelo saudoso narrador esportivo Carlos Carvalho. Campeão duas vezes na década de 60 e infernizou a vida de muitos goleiros pelos seus inesperados gols cabeça.

José Aírton Nunes, nascido a 3 de setembro de 1939, em Parintins, chegou a Manaus quando o Rio Negro estava voltando aos gramados, no tempo de Josué Pai. Seu companheiro do futebol, Thomaz, também conhecido por Passa-Fome, veio depois. Estrearam na equipe rionegrina em dezembro desse ano, já no segundo turno do campeonato, contra o Sul América. Estréia vitoriosa, pois o seu time venceu por goleada: 6 a 1. O barriga-preta jogava com Chicão, Bolôlô e Mário; Fernando, Catita e Eudóxio; Horácio, Aírton, Thomaz, Dermilson e Orlando Rebelo. Foi campeão da temporada de 1962, numa empolgante decisiva contra o Nacional, num jogo em que Lacinha, do Naça, foi expulso e substituído.

Nesse mesmo ano jogou pela Seleção do Amazonas, pelo Campeonato Brasileiro, contra os Territórios e o Maranhão.

Airton,  São Raimundo (1968)Aírton se entendia muito bem com o Thomaz que atuava quase sempre entre os zagueiros. Os dois faziam tabelas rápidas e, nos cruzamentos do ponteiro Horácio, sempre Aírton estava presente, saltando mais alto que os defenso-res, a despeito de sua mediana estatura. Era um exímio cabeceador. O Rio Negro marcou 46 gols no campeonato de 1963 e a dupla Aírton-Thomaz contribuiu com 20. Em 1964, Aírton recebeu boa proposta do São Raimun-do, na época presidido por Ismael Benigno. Na Colina passou a melhor fase de sua carreira, formando este ataque (de cinco) arrasador: Melo, Aírton, Santarém, Almir e Vadinho. Voltou a ser campeão em 1966 pelo seu novo time. Ficou no São Raimundo até o final do campeonato 
 
Em 1967 foi contratado pelo Olympico, que voltava ao futebol. Fez poucas partidas, mas o seu nome figura entre os campeões da temporada. O São Raimundo, porém, vivia na sua cabeça. Muito ligado ao grande goleador Santarém, não demorou em voltar ao ninho antigo. Jogou ainda as temporadas de 1968, 1969 e 1970, no São Raimundo. Em 1971, atravessou a rua e foi vestir a camisa do Sul América. Fez seis jogos pelo primeiro turno. O Sul América não conseguiu classificar-se para a fase final e ficou de fora do campeonato. Aírton decidiu parar ainda com idade que dava para jogar mais uns três anos. Vice-artilheiro do campeonato de 1964, pelo São Raimundo, com 12 gols. Seu companheiro Santarém ficou em primeiro, com 13. Na temporada de 1966, terceiro colocado na artilharia, com cinco gols. Em 1968, foi artilheiro, ainda pelo São Raimundo, com seis gols. A vida de Aírton foi ceifada de modo brutal. Ao cair da noite de um domingo, 07 de abril de 1996, após uma visita à residência de familiares, caminhava tranqüi-lo pela Estrada dos Franceses, quando foi apanhado violentamente, por trás, por um veículo conduzido por um irresponsável. Ainda chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, mas sem chance alguma. Morreu três horas após o atropelamento.

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