Ele brilhou no tempo do amadorismo futebol amazonense e como profissional jogando no futebol pernambucano. Um ponteiro de toque refinado, agressivo e bom goleador. Ao deixar o futebol viveu durante muito tempo no volante de seu caminhão percorrendo estradas, ouvindo as músicas de Sula Miranda ou de Roberto Carlos. Na calmaria recordava seu tempo de futebolista, a chance que teve de ganhar dinheiro correndo atrás da bola, mas não se arrependeu do que fez e do que está fazendo, pois tem futuro garantido para um cidadão classe média. Como ponteiro direito do Auto Esporte ou do Nacional, procurava a linha de fundo para o cruzamento certeiro ou, por sua habilidade, infiltrar-se pelo miolo do ataque para marcar seus gols. A memória do povo é curta. Os ídolos são esquecidos rapidamente. No futebol a regra é a mesma. Grandes craques foram ficando como folha morta caída no chão. Ninguém lembra de ninguém.
Carlos Adriano Prata, que muitas glórias deu ao Nacional e ao futebol amazonense, está no esquecimento de muitos torcedores. Ele é o Pratinha, bom de bola e que chegou a jogar em Recife e em Fortaleza. Nascido a 27 de junho de 1942, como todo garoto, Pratinha começou em time suburbano, no Nazaré, lá do final da Avenida Joaquim Nabuco, conhecido como Alto de Nazaré no tempo dos bondes. Em 1956 ele já estava no juvenil do Olímpico levado pelo treinador Timinho e lá encontrou outros garotos que mais tarde tiveram nome no nosso futebol, como Horácio, Lourenço, Catita, Belini e até o ex-deputado Armando Freitas.
O técnico Alfredo Barbosa filho era um descobridor de valores e viu em Pratinha um jovem promissor. Conversou e logo ele passou a vestir a camisa do Nacional, como juvenil. Sem muita esperança no futebol, ainda amador, foi ajudar o seu pai no trabalho de camioneiro. Parou com o futebol durante dois anos por causa dessa ocupação, reaparecendo em 1959, no Nacional por ocasião de um jogo amistoso, no Parque, contra o Clube do Remo, cujo resultado foi de 2×2. Teve uma atuação muito boa e de seus pés saiu um cruzamento para Lacinha marcar o segundo gol do Naça.
Pratinha jogava mesmo por esporte. Nunca se dedicou aos treinos já que não via perspectivas no futebol local. Parava e voltava. Em 1961 recebeu um convite de Cláudio Coelho para defender o Rio Negro que enfrentaria o Náutico de Recife, em jogo amistoso, no Parque. Na época servia ao Exército e estava detido, justo no dia do jogo. O velho Josué Pai conseguiu a sua liberação com a condição de voltar ao quartel do 27º B.C., hoje Colégio Militar, tão logo terminasse o jogo Pratinha deu o seu recado com atuação destacada. O Rio Negro empatou com o time pernambucano em 2×2 .
E foi pela boa atuação nesse jogo que ele mereceu a simpatia do técnico do Naútico, o uruguaio Alfredo Gonza- lez. Pratinha foi para o futebol pernambucano, ganhou dois vice-campeonatos, 1961/1962, participando de um ataque que deixou saudade:- Gilbert, Pratinha, Bita, Zé Maria e Nado. Em 1963 Pratinha defendeu o Fortaleza e novamente vice-campeão. Decidiu ajudar o seu pai e parou, fixando residência em Fortaleza durante três anos. Em 1967, voltou a Manaus para vestir a camisa do Nacional, numa época em que o nosso futebol, com o advento da FAF, estava com o astral alto.
Pratinha ganhou de “luvas” para assinar com o Naça, boa grana que deu para comprar um Fusca. Estreou contra o Sul América com uma vitória de 3×1, marcando o primeiro gol. Depois venceu o Olímpico por 4×0. Nesse dia Edson Piola arrasou fazendo três gols, mas o Olímpico, que no jogo seguinte levou uma goleada de 6×0 ante o Fast, foi o campeão da cidade. Nesse mesmo campeonato Pratinha fez seu último jogo, contra o mesmo Olímpico, já no returno.

Na foto, Pratinha, Gordinho, Nonato e Hugo no Auto-Esporte (1959)
Pratinha constituiu família. Pai de três filhos, uma mulher e dois homens, nenhum deles interessado em futebol. Continuou trabalhando no volante de seu próprio caminhão pelas estradas deste país, embora com menor freqüência.
No futebol pernambucano foi onde ganhou mais dinheiro. Jovem, sem pensar no futuro, gastou á vontade. Depois de arquivar as chuteiras, montou um restaurante na Avenida Floriano Peixoto. Morreu aos 59 anos, em 28/08/2001.
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Author: Carlos Zamith
5 comments
esse jogou muita bola!!
14 de julho de 2010 10:13 ||
oi será que vc encontra o nome pimenta ou pimenteira… ela jogou nos anos 60..e veio pra cá pra porto velho tenho fotos dele aqui em minha kza… com o time do nacional…sou a sua maior fã…e sua filha tb…hj ele estar com 67 anos..e joga muita bola ainda… esperarei resposta..qualquer coisa eu mando a foto do time completo que temos aqui moldurada com muito orgulho.. obrigada!
23 de julho de 2011 12:03 ||
Olá Camila, para facilitar vc poderia enviar a foto com as informações que vc dispõe para o endereço zamith@bauvelho.com.br
Um abraço,
24 de julho de 2011 07:57 ||
esse ai jogou muita bola.estava frente do seu tempo. ele tem um neto que vai brilhar no futebol. um canhoto que joga muita bola.
9 de outubro de 2012 10:30 ||
ele se chama geraldinho. tinha um futuro brilhante com varios clubes do sul interessado, mas inexplicavelmente parou de jogar.
9 de outubro de 2012 10:33 ||