2 de abril de 2010

Passagem Cabral

Quanto se discutia a denominação da nova ponte de São Raimundo, inaugurada a 16 de novembro de 1988, tive a oportunidade de fazer um comentário sobre as denominações de pontes, deixando claro que elas nunca são chamadas pelo nome oficial.

Citei alguns exemplos como a ponte “Antônio Plácido de Souza”, que liga a Rua Quintino Bocaiúva ao bairro de Educandos; a ponte Pensador, no bairro dos Bilhares; a ponte Ephigênio Sales, também ligando o bairro de Cachoeirinha com o de Educandos; ponte engenheiro Lopes Braga, de acesso ao bairro de São Jorge e outras que o povo ignora seus nomes, preferindo sempre o mais fácil, o de indicar o bairro.

Fiz referência à “Ponte Cabral”, praticamente a única conhecida pelo verdadeiro nome, mas desconhecia a razão da denominação. E isso me levou a realizar uma pesquisa para saber a origem e quem foi o homenageado.

Pelos documentos oficiais, cheguei à conclusão que essa ponte, uma pequena passagem que fica no início da chamada Primeira Ponte da Avenida Sete de Setembro, encostada a um muro de um terreno no seu lado direito, sentido centro-bairro, foi construída antes de 1920, por um cidadão comerciante nesta cidade, pois no ano de 1921, o jornal “Amazonas” publicava algo a respeito da referida ponte em razão de um pronunciamento do Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa, na coluna “Intendência Municipal”, que dizia:

“A antiga e conceituada firma desta praça, J.H. Andersen – popularmente conhecida sob a denominação de Amazonas Andersen, prestou relevantes serviços ao nosso Estado, notadamente a sua capital. Entre outros melhoramentos levados a cabo sob a iniciativa dessa empresa, destaca-se pela utilidade pública, a Passagem Cabral, mandada construir quando à gerência daquele estabelecimento se encontrava o operoso cidadão que dá o nome ao referido melhoramento, dando acesso diariamente a centenas de pessoas da Rua Municipal, hoje Sete de Setembro, um dos bairros mais populosos desta cidade”.


Ao finalizar, o Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa diz na sua justificativa:
“É dever do Poder Público estimular aos que trabalham pelo bem estar da coletividade, conservando e guardando os seus feitos como homenagem ou agradecimento aos seus nobres atos e é por isso que levo à consideração da Casa, o Projeto que autoriza o Superintendente Municipal a mandar fazer todos os concertos que forem necessários para a boa conservação da ponte denominada “Passagem Cabral”, com a abertura do crédito especial, no orçamento vigente, para atender as despesas com os supracitados concertos”.


A proposição foi aprovada por unanimidade no dia 2 de agosto de 1921, transformando-se em Lei.


Mas, em livro de Ata da Câmara Municipal de Manaus, consta que na reunião do dia 27 de março de 1918, presidida apelo Dr. Jerônimo Ribeiro, o Intendente Henrique Rubim, apresentou Projeto de Lei, com esta justificativa:


“O Intendente abaixo firmado, tendo em vista a real necessidade de ser facilitado aos transeuntes o acesso da Rua Dr. Almino para a Rua Oriental e vice-versa, sem o longo e penoso contorno pela Rua Quintino Bocaiúva, pela Avenida Joaquim Nabuco e pela Rua dos Andradas, bem assim, considerando que as despesas a fazer para esse fim não serão de tal monta, que os recursos financeiros do Município não possam comportar, e que, com as providências a tomar no assunto inestimável serviço prestará a cidade o Legislativo da Comuna apresenta o seguinte Projeto”:


Art. 1º – Fica o Superintendente Municipal autorizado a mandar construir uma ponte de madeira de lei que liga a Rua Dr. Almino à Rua General Pedro Paulo, antiga Oriental.


Art. 2º – Para a execução do disposto no artigo precedente a mesa Superintendência mandará proceder previamente aos necessários estudos técnicos e confecção do respectivo orçamento, depois do que solicitará a Intendência o crédito preciso para ocorrer às despesas a fazer com a mencionada construção – Henrique Rubim (Intendente).


Depois, muitos outros reparos foram feitos na Ponte Cabral. Seu piso era de madeira e sempre tinha que ser reparado pelo Poder Público, até que decidiram resolver o problema, trocando a madeira pelo concreto. A Ponte Cabral está servindo ao povo, dando acesso à Rua Dr. Almino.


Esta matéria foi publicada em A Critica, edição de 17-01-1988.


REPAROS


Na edição do dia 29 de fevereiro do mesmo ano, o Dr. Ulysses Bittencourt, publicou artigo com o título BERÇO ESQUECIDO e num trecho analisa alguns pontos de meu comentário a respeito da Ponte Cabral.


“Lendo o trabalho de Carlos Zamith a respeito da Passagem Cabral, podemos informar algo mais recuado no tempo esclarecido enriquecido com a colaboração do velho amigo Tude Gomes da Costa”. “A passagem Cabral foi construída em 1909, quando Superintendente Municipal o professor Agnello Bittencourt”.


E a origem do nome é a seguinte: quando o Comendador José Cláudio Mesquita deixou a direção dos “Armazéns Andersen” (que, segundo consta, ainda existe em Vila Nova de Gaia, Portugal), veio substituí-lo o senhor Cabral. Havendo depósitos de mercadorias no Igarapé de Manaus, o referido senhor pleiteou e conseguiu que a Prefeitura construísse a ligação que se mantém útil há mais de oitenta anos, tendo sido conservado o nome do velho comerciante.


Originalmente de madeira, a “Passagem” foi reconstruída em concreto e alargada sob a administração do Prefeito Paulo Nery.


Pela Lei 343/96, a Passagem Cabral passou a Travessa Cabral.

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