Campeão de futebol em Manaus, jogou na Seleção e por acaso atuou no futebol pernambucano durante três anos ao lado de grandes nomes. Jogava como meia armador, mas chegou a ser ponteiro e até se aventurou a jogar no gol, no momento muito difícil quando defendia a Seleção do Amazonas De boa estatura, responsável e dedicado, mostrou seu bom futebol nos velhos tempos do Parque Amazonense. Não foi, porém, por acaso que chegou a Seleção do Amazonas que disputou o campeonato Brasileiro.
Miguel Alves, Guilhito, nasceu no município de Itacoatiara a 24 de junho de 1932, mas veio para Manaus, ainda garoto, com 9 anos de idade. Residiu por muito tempo nas imediações do Estádio General Osório, na Rua Lobo D’Almada com a José Clemente e sempre participava das peladas nos finais de tarde. Seu pai Elias, cidadão de quase 1,90 de altura um fiscal da Prefeitura Municipal, também era um bom apreciador do futebol do filho.
O começo de Guilhito foi no time suburbano do Filatélico, da Rua Henrique Martins, mas pouco tempo depois estava engrossando as fileiras do Atlético Barés Clube que disputava o campeonato da primeira divisão da FADA. Jogou nessa agremiação até 1953, quando foi extinto o seu departamento de futebol. O professor João Liberal levou-o para o Fast e já em 1955 era campeão da cidade com este time: Raul ou Ditó; Morcego ou Gurgel e Mário ou Valdemar; Zezinho, Dog e Nêgo; Padeirinho, Orleans ou Marcelo, Paulo Onety, Guilhito e Paulo Lira ou Said.
Em 1956 formava como titular da Seleção do Amazonas que jogou contra o Pará pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro jogo foi em Manaus e o Amazonas venceu por 1 a 0. Gol de pênalti quase no final do jogo. Dodó não se conformou com a marcação, reclamou e foi expulso de campo. O lateral esquerdo Caim foi para o gol paraense. Guilhito bateu a falta e fez o único tento da partida, debaixo de um clima de verdadeira guerra,
O Amazonas enfrentou o Pará, no domingo seguinte, no Estádio do Souza, em Belém. Derrota por 3 a 0 no tempo normal. Na prorrogação, a seguir, mais um gol paraense. Nesse momento o goleiro, Marcos, foi retirado de campo, contundido. Como ainda não existia a regra três, o técnico Cláudio Coelho determinou que Guilhito fosse para o arco amazonense. O Pará ainda fez mais dois, o último do ponteiro Cacetão.
Guilhito ficou no Fast até 1957, pois teve que viajar para o Rio de Janeiro onde já se encontravam seus familiares. A viagem foi de navio. Na passagem por Recife, manteve contato com o irmão do Dr. Edson Stanislau Afonso, ex-goleiro e posteriormente presidente do Fast. A conversa girou sobre futebol e logo recebeu um convite para fazer um teste no Náutico.
Aprovado de surpresa foi escalado para enfrentar o time do Santos – SP que estava cumprindo temporada.
No mesmo dia, o Náutico promovia as estréias de Edmur, ex-Portuguesa de Desportos e Vasco da Gama e de Mozarzinho, outro jogador de grande cartaz no Norte. O jogo com o Santos terminou em 0 a 0 e a atuação de Guilhito convenceu. Tanto que ficou três anos no time pernambucano que era dirigido pôr Ricardo Diaz e teve como companheiros, dentre outros, Caiçara, Lula, o argentino Caparelli, Elisio, Valter Vieira e Geraldo. Vice-campeão duas vezes e campeão de aspirantes no Náutico.
Depois de três anos em Recife, Guilhito seguiu viagem para o Rio de Janeiro e lá chegou em 1960 sem pensar em futebol. Nunca mais veio a Manaus. Casado com uma amazonense, trabalhou como comerciário, aposentou-se e continuou em atividade.
Tagged under: Astros da bola, Fast
Author: Carlos Zamith