Ele era um jogador de ataque que no começo da carreira ganhou seu primeiro título defendendo o Nacional, clube dos sonhos de qualquer principiante praticante do futebol em nossa cidade. Teve algumas decepções em sua carreira, uma delas a de ter que abandonar a bola ainda cedo por motivo de uma grave contusão. Habilidoso, jogando pelas pontas, direita ou esquerda, trabalhando muito mais com a perna direita, tinha também uma grande “virtude”: a de saber conduzir a bola com a mão quando ela colava ao seu corpo, sem o mais atento árbitro perceber. Chegou a contribuir para decidir algumas partidas com esse ilegal recurso.
Ele é Francisco de Assis Catunda, ou simplesmente Assis, ponteiro esquerdo do Nacional na década de 50, que nasceu em Manaus, numa grande data, 7 de setembro de 1935 e primo do desembargador Gaspar Catunda.
Começou a bater bola em 1953, no time do Bangu, do bairro de Educandos que disputava o campeonato da Segunda Divisão da FADA. Em 1954 recebeu convite de dois amigos jogadores do Nacional que estavam servindo, como ele, ao Exército, para defender o clube da Estrela Azul. Eram Nelson Pereira, que jogava de lateral esquerdo e Azarias um zagueiro, falecido ainda jovem. Não pensou duas vezes. Foi logo fazendo alguns jogos como titular ao lado de Alemãozinho, Antero, Cumarú e outros, para depois ser campeão no time de aspirantes, em 1955, ao lado Ribas, Maneca Marques, Jaime Costa, Caica, Adamor. No ano seguinte, Assis foi guindado ao time titular por exigência do então treinador Flaviano Limongi, que viu nele qualidades para a posição de ponteiro esquerdo e não se enganou o “Patriarca”, pois ali estava um jogador taticamente disciplinado e muito eficiente para o conjunto.
No título de 1957, que só terminou no ano seguinte, dado o grande número de participantes, 14 clubes, Assis estava no time como titular, mas pela sua condição de militar, ele e outros, tiveram viajar para Roraima por determinação da Justiça Eleitoral a fim de garantir as eleições locais. Do time do Nacional também Pedro Brasil, que era soldado, teve que se deslocar para o interior com a mesma missão. O Nacional ia decidir com o Fast, em melhor de quatro, o campeonato de 1957.
No primeiro jogo o Fast ganhou de 3×1; no segundo o Nacional venceu por 2×1; no terceiro houve empate de 2×2. Nem Assis nem Pedro Brasil participaram desses jogos. Cada time estava com três pontos ganhos. O quarto jogo ia decidir tudo. Dia 30 de outubro de 1958. Pedro Brasil e Assis chegaram de suas missões na véspera do jogo decisivo e catimbado.
O Naça venceu por 3×2. O Fast ficou na frente do marcador por 2×1, (Rosas e Coelho para o Fast e Português, para o Naça) quando o árbitro Álvaro Maranhão marcou um penal contra o Nacional, chutado para fora pelo armador Marcelo. O Nacional se reanimou e logo no inicio do segundo tempo fez dois gols (Dadá, de penal e Português), amarrando o jogo numa tremenda cera até o final. O Nacional foi o campeão da cidade com Pedro Brasil, Martins e Sampaio; Toscano, Agostinho e Boanerges; Lacinha, Dadá, Portugues, Zizico e Assis.
NACIONAL x REMO
Jogo entre Nacional e Remo, no Parque em 1959, o Naça venceu por 2×0 e o goleiro Jorge Baleia foi a grande figura em campo. Nesse dia, o ataque do Naça era formado por Tucupi, Pratinha, Lacinha, Motal e Assis que parou de jogar com 25 anos, por ter sofrido uma contusão nos meniscos das duas pernas.
Viajou para o Rio e foi operado de uma delas pelo Dr. Mário Tourinho, do América. A outra foi operada em Manaus, mas a contusão – ligamentos cruzados – era muito grave e por isso não teve mais condições de voltar a praticar o futebol.
Pretendia fazer carreira no Exército. Era cabo quando pediu transferência para o Rio de Janeiro. Não gostou e preferiu voltar para dar baixa. Trabalhou na Serraria Hore, no Porto de Manaus como Conferente e por fim na Companhia de Navegação da Amazônia (Transnavi), aposentando-se a partir de 1983. Pai de três filhos.
Filed under:Nacional || Tagged under: Astros da bola, Nacional
Author: Carlos Zamith
1 comment
Sr.Zamith, fiquei muito emocionado, com a matéria publicada sobre meu Pai (Assis), agradeço de coração e que DEUS o proteja, ele sempre estará comigo, mesmo la do Ceú
ele brilhará para sempre……
17 de julho de 2010 13:40 ||