12 de agosto de 2010

Horácio – do Rio Negro

Nas peladas queria ser zagueiro, mas a sua altura não ajudava. Depois foi jogar no ataque, nas extremas e conseguiu destaque, numa das grandes esquipes do nosso futebol. Foi duas vezes campeão e, por intermédio do futebol, arranjou um bom emprego. Com a mesma fisionomia de garoto e o mesmo físico, gozando de uma razoável aposentadoria, que dá muito bem para viver, até pouco tempo andou as voltas com a bola, participando de peladas nos finais de semana ao lado de antigos companheiros das décadas de 50 e 60.

Horácio Rodrigues do Nascimento Neto, nascido a 27 de junho de 1938, o neguinho Horácio, como carinhosamente era chamado pela torcida do Rio Negro, criou-se no bairro da Cachoeirinha, jogando peladas no campo do Ipiranga, com a camisa do time do Waupés, recebendo alguns ensinamentos do pedreiro Climério, que sempre juntava a garotada para o bate-bola, dentre eles, Miguel Batará, Cleber, Ofir e Roberto Pimenta.

De zagueiro não dava e resolveu ir jogar na frente. Muito rápido, bom no drible, um dia foi levado pelo seu primo Guilherme Lapa, para treinar no Olímpico, reorganizado pelo Zulândio Pinheiro.

Ficou muito tempo no clube dos cinco aros, jogando ao lado de Quinha, Jacob, Purgante, Jander Cabral, Belini, Lourenço, Jofre e do falecido desembargador, aposentado, Kid Mendes, que era o goleiro. Corria o ano de 1957 e tem lembrança da grande goleada que seu time aplicou no Independência, por 14 a 1, com o atacante Quinha fazendo 9 gols.

O Olímpico extinguiu seu departamento de futebol e Zulândio levou Horário para jogar no time do Educandos que estava na primeira divisão, mas só ficou uma temporada, porque o antigo zagueiro rionegrino Tabosa dos Reis convidou-o para jogar pelo Rio Negro, que estava se reorganizando para voltar ao futebol. Não pensou duas vezes, pois em troca teria um bom emprego federal, no antigo INPS.

O primeiro título de Horácio aconteceu em 1962, vestindo a camisa do Rio Negro que tinha na sua direção de futebol o velho Josué Cláudio de Souza. A decisiva foi contra o Nacional e uma vitória de 2×1, isto já no mês de janeiro de 1963. O time base era formado por Pedro Brasil, ou Chicão, Bolôlô e Raimundo Mário; Fernando, Catita e Eudóxio; Horácio, Thomaz, Aírton, Dermilson e Orlando Rebelo, um time dirigido por Cláudio Coelho.

Na Seleção

Em grande fase, Horácio foi convocado duas vezes para a Seleção do Amazonas, participante do Campeonato Brasileiro de 1960 e de 1962, na primeira jogando contra o Pará e na segunda, contra os Territórios e o Maranhão.

Na de 1960, jogavam Simões, Jaime Costa, Gatinho, Zamundo, Jaime Basilio, Orlando Mineiro, Tucupí, Dermilson, Gordinho, Hugo e ele na ponta.

Na de 1962, jogavam Pedro Brasil, Boanerges, Waldir Lima, Zamundo, Sula, Vanderlann, Aírton, Tomaz, Santarém, Dermilson e ele formando na esquerda.

Um jogador duro, mas leal, Horácio encontrou no futebol local. Era o nacionalino Boanerges, o símbolo da raça, que jogava por amor à camisa, embora de pavio um pouco curto, pois não admitia ser driblado. Tinha um sentido de recuperação fabuloso e logo se recuperava de uma jogada perdida.

Outra vez campeão

Em 1965, sempre como titular, Horácio foi outra vez campeão pelo Rio Negro, ainda sob o comando de Cláudio Coelho. A decisão outra vez contra o Nacional, num super reunindo também o Fast. O Rio Negro venceu os dois jogos: Contra o Fast 1 a 0;. No dia 6 de fevereiro de 1966, no Parque, com arbitragem do paraense Sena Muniz, contratado para dirigir esse jogo, em grande tarde, venceu fácil por 4 a 1 o último gol foi seu. Sabá Burro Preto fez dois e Ademir de penal, outro. O time campeão formou com Clovis, Valdér, Edson Ângelo, Catita e Damasceno; Ademir e Rubens; Nonato, Sabá Burro Preto, Thomaz e Horácio.

Horácio defendeu o Rio Negro até 1967. Seu derradeiro jogo vestindo a camisa barriga-preta ocorreu contra o Nacional, (1 a 1), no dia 11 de junho, no campo da Colina, num jogo com recorde de público até então. Nesse seu “adeus”, o Rio Negro jogou com Clovis, Caboré, Edson Ângelo (Jayme Basilio), Catita e Damasceno; Ademir e Rolinha; Rubens, Sabá, Thomaz e Horácio.

Depois desse jogo, parou por causa de uma exigência do então treinador Osvaldinho, que falou para ele: “ou treina como os outros ou fica no seu emprego. Preferiu ficar no emprego”. Seu posto passou a ser ocupado pelo também baixinho Paulinho que ficou como titular muito tempo e com bom destaque.

“O neguinho Horácio” não se importava quando era assim chamado. Um jogador de certa elegância dentro e fora de campo. Veste-se muito bem, cabelos cuidados e sapatos sempre brilhando. Educado no falar e no modo de agir. Continua o mesmo cavalheiro de sempre. Pai de vários filhos, todos já crescido, feliz com o grande numero de amigos que reuniu durante sua vivência no futebol.

Tagged under:
Author:

7 comments
  • Sergio Nascimento

    Linda homenagem. Sou sobrinho do Horácio, filho do Edson, que jogou pelo juvenil do Nacional, sendo conhecido como Timba, que tambem ficou muito agradecido com a lembrança feita ao seu irmão e primo Guilherme “terçado”.

    12 de agosto de 2010 10:58 || Responder

  • CARLINHOS DO JAPIIM II

    Sr. Carlos Zamith, gostaria que Vsa, publica-se uma reportagem do meu amigo ZE LUIZ, que jogou nos anos 70 e 80 pelo nacional,fast,rio negro e remo de belem inclusive o jogo do cosmo em Manaus, ficaria muito grato.
    saudaçoes

    14 de agosto de 2010 20:50 || Responder

  • MEU ORKUT HOMENAGEANDO O ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE TÁ FICANDO MUITO LINDO…
    SÓ PREECISO DE MAIS FOTOS (PRINCIPALMENTE COM ZÉ CLAUDIO E A SUA GALERA DA ÉPOCA)

    BRIGADUUUUUUUUUU CARLOS ZAMITH.

    PAZ DE CRISTO!!!

    16 de setembro de 2010 16:36 || Responder

  • Eduardo Alcantara

    Professor, fale sobre o campeonato estadual de 67, quando o Olímpico foi campeão – pelo que eu sei – com jogadores e técnico, todos oriundos de outros estados.
    Na época, eu tinha 11 anos de idade e não entendia direito as coisas.
    As minhas perguntas, 43 anos depois, são:
    – Como os jogadores e as torcidas dos clubes manuara viam aquela “invasão” de estrangeiros?
    E os jogadores dos demais clubes naquela Manaus provinciana o que pensavam?
    Houve retaliação das torcidas contra contra os “estrangeiros”?
    Dizem os mais velhos que o Nacional “gelou” nas finais. Verdade?
    Agradeço pelos esclarecimentos!

    21 de setembro de 2010 12:29 || Responder

  • Mônica Nascimento

    Sr. Zamith, estou emocionada pela linda homenagem feita ao meu pai. Ele, realmente ainda é um cavalheiro, excelente pai, muito amoroso com a família…
    E vejo aqui pelos comentários já deixado por outras pessoas, encontrei meu primo Sergio.
    Um grande abraço e, mais uma vez, obrigada pela linda homenagem…

    12 de novembro de 2010 14:39 || Responder

  • volmir seabra

    Sou sobrinho do nonato, campeao pelo rio negro de 1965 , infelismente o mesmo no deixo no dia 06/03/2011, gostaria de reseber algumas fotos

    26 de março de 2011 22:55 || Responder

  • Cazuza

    Grande ponta esquerda, bom caráter bom amigo, lembro do Horário do bairro da cachoeirinha, precisamente do Ypiranga Futebol Clube, de uma família de de chaques, com seus irmaões, Timba, Paulinho, seus primos Guilherme de Sebá. um abraço meu amigo.

    20 de abril de 2013 15:59 || Responder

Leave a comment

CALENDÁRIO

novembro 2025
S T Q Q S S D
« set    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

ARQUIVOS DO BAÚ