O patriarca Flaviano Limongi, 84, não gosta quando se fala da estréia de seu time, o Tijuca Clube, no campeonato da primeira divisão em 1942. E não gosta com justa razão. Tomar um “banho” de 11 (onze) gols contra apenas um, não é brincadeira. Mas nos jogos seguintes, seu time sepultou o fracasso da estréia, reabilitou-se e conseguiu bons resultados até o final da competição.
O campo do Luso, onde hoje está uma agência de veículos e o Ginásio Rennê Monteiro foi o palco da grande goleada.; Na foto, Jaime Rodrigues (Catré) e o goleiro Limongi.
A estréia
Tijuca ingressou na Primeira Divisão do Campeonato oficial em 1942, estreando no dia 26 de abril, contra o Nacional. Um início muito ruim, pois sofreu uma contundente goleada de 11 a 1, na primeira rodada da temporada. Uma derrota justificada pela inexperiência seus defensores, quase todos jovens da faixa de 16 a 19 anos de idade. Jogo com arbitragem de Francisco Oliveira, ex-zagueiro do Rio Negro.
Tijuca: – Limongi (que mais tarde jogaria com o nome de Aymoré), Nestor Nascimento e Valter Muturita; Barrote, Jaime Catré Rodrigues e Jadir Guimarães; Enéas, Pedrinho, Mário Orofino, Dorval e Didi.
O Nacional:- Joel, Zeca Periquito e Luís Onety; Lupercio, Pedro Sena e Mariozinho; Caiado, Emanuel, Paulo Onety, Benjamim Onety e Raspada.
No primeiro tempo, 5 a 0:- Paulo Onety 3 e Raspada 2. No tempo final, Paulo Onety 2, Emanuel 2, Raspada 1 e Benjamim Onety 1. Didi marcou o único gol do Tijuca quando o marcador era de 8 a 0.
Esse jogo foi o principal da rodada que reuniu Olímpico, 3 x 1 Independência, na preliminar. No jogo de returno, o Nacional encontrou um Tijuca diferente, mais experiente e foi dureza vencê-lo por 2 a 1.
Nesse mesmo campeonato, na quinta rodada, o Tijuca enfrentou o Rio Negro, no campo do Luso e revelou, para o futebol local, um bom artilheiro: Raimundo Rebelo. O jogo foi vencido pelo time rionegrino por 5 a 4 e o comandante tijucano marcou os quatro gols, dois deles em grande estilo.
A história dos gols: logo ao primeiro minuto, Paraense marca para o Rio Negro. O Tijuca empata aos 11. Pedrinho cruzou da esquerda e Raimundo Rebelo salta colado ao goleiro Luizinho, jogando-o para dentro da meta com bola e tudo. O gol foi validado pelo árbitro Humberto Peixoto, um ex-zagueiro do Nacional. Aos 16 minutos, Cláudio Coelho marca o segundo do Rio Negro e novamente Raimundo Rebelo, aos 17, aos 30 e aos 42, coloca o Tijuca em vantagem. Primeiro tempo, Tijuca: 4 a 2.
No tempo final, aos 28 e aos 35, Damasceno empata o jogo: 4 a 4. Aos 39, Valter comete toque fora da área, mas o árbitro marca penal contra o Tijuca. O zagueiro Marcílio cobra e faz o 5º gol do Rio Negro.
RIO NEGRO – Luizinho Mão de Grude, Velhinho e Marcílio; Dog, Agnelo Carapanã e Zeca Sena; Cloter Gama, Damasceno, Cláudio Coelho, Paraense e Vinícius.
TIJUCA – Limongi, Barrote e Valter Muturita; Jaime Catré Rodrigues, Nestor Nascimento e Lázaro; Adilson, Mário Orofino, Raimundo Rebelo, Dorval e Pedrinho.
(Dados extraídos do “Diário da Tarde” de 26 de abril de 1942).
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Author: Carlos Zamith