15 de outubro de 2010

Nacional sofre goleada

clip_image002Era um dia de domingo, 22 de agosto de 1965. Jogo de 1º turno programado pela Fada, na Colina, entre Rio Negro x Nacional. A cidade se movimentou porque o Rio Negro, que vinha de uma derrota ante o São Raimundo por 3 a 0, tinha duas novidades para apresentar em sua equipe, dois reforços fundamentais para fortalecer seu time: um zagueiro, Edson Ângelo (foto ao lado) vindo de fora e um atacante, prata da casa e com muito cheiro de gol. A estréia de ambos não poderia ser melhor, Uma vitória maiúscula ante o velho “inimigo”, com um escore até hoje não batido. Um dia de alegria, de gloria para a família rionegrina, dia de festa para o torcedor barriga-preta que desceu a antiga Rua Belém até a “Praça da Saudade” gritando:- é freguês, é freguês, vamos ser campeões.

O HERÓI

A grande figura do clássico, sem dúvida alguma, foi um atacante que começou em 1957, no time do Princesa Isabel de Jorge Bonates, com apenas 17 anos. Depois passou pelo Internacional, do Boulevard Amazonas, pelo Nacional em 1962, pelo Fast no primeiro ano de profissionalisclip_image003mo no futebol local, até chegar ao Rio Negro em 1965.

Ele é Sebastião Fournier de Oliveira, ou simplesmente Sabá Burro Preto, um predestinado a fazer gols. O apelido veio de seu pai, já falecido, figura muito querida no Boulevard e que também bateu bola pelo Internacional. Sabá havia deixado o Fast cuja estréia deu-se contra o Rio Negro com uma vitória de 2 a 0 e o primeiro gol foi seu. Só ficou uma temporada no time fastiano, ainda no tempo de Santana, Paulo Lira, Jofre, Tapioca, Valdir Lima, Purgante, Edson Piola e o goleiro Chicão.

Dia de nervosismo, dia de Rio-Nal, dia de estréia. Sabá e o zagueiro pernambucano Edson Ângelo eram os alvos da torcida rionegrina.

Juiz em campo: Manuel Luís Bastos, Dependências, da Colina ocupada pelo torcedor. Logo aos 11 minutos Sabá Burro Preto já carimbava seu primeiro gol, mandando o goleiro Marcus Paiva Marinho ir apanhar a bola no fundo da rede. A comemoração de Sabá não agradou a torcida nacionalina. Ele dava murros no ar, vibrava com intensidade como se faz hoje em dia. O torcedor do Nacional bufava de raiva. Nonato fez o segundo quatro minutos após, mas Jayme Basílio diminuiu aos 20 e Thomaz Passa-Fome concluiu o 1º tempo fazendo 3 a 1 para o Rio Negro.

O CULPADO

Torcedores e dirigentes do Nacional culparam o goleiro Marcus pelo desastre no 1º tempo, sob a alegação de que o jovem guardião teria ingerido alguns copos de cerveja antes do jogo. O certo é que Chicão (já falecido) foi convocado para o segundo tempo. O certo também, é que o dia era de Sabá e do Rio Negro. Logo aos 3 minutos, o artilheiro marcava seu segundo gol e na gozação, apontava para o fundo da rede mandando Chicão pegar a bola para nova saída. A coisa caminhou fácil: Thomaz fez o quinto, Holanda diminuiu, o pernambucano Ademir fez dois seguidos, sendo o último de penal.

Final:- marcador de 7 a 2 para o Rio Negro que nesse mesmo ano conquistava seu segundo título após a volta ao futebol em 1960. O Nacional saiu de campo arrasado. O seu ponta direito titular era o desportista e ex-deputado Maneca que jamais se conformou com tão alto resultado.

RIO NEGRO – Clovis, Valdér, Edson Ângelo (estreante), Catita e Damasceno; Ademir e Rubens; Nonato, Thomaz, Sabá Burro Preto (estreante) e Horácio.

NACIONAL – Marcus (Chicão), Téo, Russo, Jayme Basílio e Vivaldo; Hugo e Ribas; Maneca, Dernilson, Holanda e Quisso (Lacinha).

UM SUPER

O Rio Negro conquistou o 1º turno; o Fast ficou com o 2º e o Nacional com o 3º turno. O Fast saiu logo do páreo porque perdeu seguidamente para o Nacional e o Rio Negro, ambos por 1 a 0.

A decisiva foi Rio Negro x Nacional e novamente o Rio Negro, em grande tarde, venceu por 4 a 1. Sabá fez dois no goleiro Vasconcelos. Os outros foram de Ademir e Horácio para a conquista de tão almejado título.

Sabá o artilheiro do campeonato com 10 gols, seguido pelo seu companheiro de equipe, Thomaz, com 9 gols e em terceiro lugar, Pepeta, do Nacional, com 8. Sabá ainda disputou o campeonato de 1966 pelo Rio Negro e foi novamente artilheiro, com 8 gols. Jogou na seleção do Amazonas de 1962, contra o então Território do Rio Branco. O Amazonas venceu por 6 a 1 e o nosso personagem fez 3 gols.

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3 comments
  • Paulo Pereira

    Olá. boa noite ,idealizador de ´´BAU VELHO“ eu sempre que entro na nete dou uma olhada em suas reportagens maravilhoas tenho 56 anos era criança mais me lembro de tudo o que acontecia naquela epoca DOURADA do nosso futebol me lembro que saia da escola IEA, e descia eu e meus amigos colegas a Eduardo Ribeiro direto para o CATO DO FUCHICO, Eduardo c/ Henrrique Martisn, e lá eu e meus amigos fica so escutando os mais velhos debaterem falarem sobre os nossos times da Capital, naquela época criaças, adultos, mulheres se falava sobre nosso futebol a e nao tinha esse que apos ouvir o Josué Claudio de Souza meio dia nao escutava a Resenha Esportiva. É amigo tempos que nao voltam mais, continui assim amigo nao trazendo estas alegrias. sou RIONEGRINO ,de coração. obrigado um abraço aqueles que participam desta coluna. até a proxima. fiquem com DEUS

    17 de outubro de 2010 20:04 || Responder

  • Euvaldo Dacio

    gostaria de informaçoes do time do educandos futebol clube

    10 de novembro de 2010 12:29 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    Euvaldo:
    Do time do Educandos, de Zulândio Pinheiro, que disputou o campeonato de 1957, tenho lembranças de alguns jogadores:
    Botelho e Raimundo (goleiros), Roberval, Sabiá, Cão, Jorge, Bebé, Irânio, Clovis, Paraiba, Bilôto, Gago, Horácio, Carvalho, Santos, Oliveira, Gostoso e Pedrinho.

    11 de novembro de 2010 18:54 || Responder

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