Era um dia de domingo, 22 de agosto de 1965. Jogo de 1º turno programado pela Fada, na Colina, entre Rio Negro x Nacional. A cidade se movimentou porque o Rio Negro, que vinha de uma derrota ante o São Raimundo por 3 a 0, tinha duas novidades para apresentar em sua equipe, dois reforços fundamentais para fortalecer seu time: um zagueiro, Edson Ângelo (foto ao lado) vindo de fora e um atacante, prata da casa e com muito cheiro de gol. A estréia de ambos não poderia ser melhor, Uma vitória maiúscula ante o velho “inimigo”, com um escore até hoje não batido. Um dia de alegria, de gloria para a família rionegrina, dia de festa para o torcedor barriga-preta que desceu a antiga Rua Belém até a “Praça da Saudade” gritando:- é freguês, é freguês, vamos ser campeões.
Ele é Sebastião Fournier de Oliveira, ou simplesmente Sabá Burro Preto, um predestinado a fazer gols. O apelido veio de seu pai, já falecido, figura muito querida no Boulevard e que também bateu bola pelo Internacional. Sabá havia deixado o Fast cuja estréia deu-se contra o Rio Negro com uma vitória de 2 a 0 e o primeiro gol foi seu. Só ficou uma temporada no time fastiano, ainda no tempo de Santana, Paulo Lira, Jofre, Tapioca, Valdir Lima, Purgante, Edson Piola e o goleiro Chicão.
Dia de nervosismo, dia de Rio-Nal, dia de estréia. Sabá e o zagueiro pernambucano Edson Ângelo eram os alvos da torcida rionegrina.
Juiz em campo: Manuel Luís Bastos, Dependências, da Colina ocupada pelo torcedor. Logo aos 11 minutos Sabá Burro Preto já carimbava seu primeiro gol, mandando o goleiro Marcus Paiva Marinho ir apanhar a bola no fundo da rede. A comemoração de Sabá não agradou a torcida nacionalina. Ele dava murros no ar, vibrava com intensidade como se faz hoje em dia. O torcedor do Nacional bufava de raiva. Nonato fez o segundo quatro minutos após, mas Jayme Basílio diminuiu aos 20 e Thomaz Passa-Fome concluiu o 1º tempo fazendo 3 a 1 para o Rio Negro.
Torcedores e dirigentes do Nacional culparam o goleiro Marcus pelo desastre no 1º tempo, sob a alegação de que o jovem guardião teria ingerido alguns copos de cerveja antes do jogo. O certo é que Chicão (já falecido) foi convocado para o segundo tempo. O certo também, é que o dia era de Sabá e do Rio Negro. Logo aos 3 minutos, o artilheiro marcava seu segundo gol e na gozação, apontava para o fundo da rede mandando Chicão pegar a bola para nova saída. A coisa caminhou fácil: Thomaz fez o quinto, Holanda diminuiu, o pernambucano Ademir fez dois seguidos, sendo o último de penal.
Final:- marcador de 7 a 2 para o Rio Negro que nesse mesmo ano conquistava seu segundo título após a volta ao futebol em 1960. O Nacional saiu de campo arrasado. O seu ponta direito titular era o desportista e ex-deputado Maneca que jamais se conformou com tão alto resultado.
RIO NEGRO – Clovis, Valdér, Edson Ângelo (estreante), Catita e Damasceno; Ademir e Rubens; Nonato, Thomaz, Sabá Burro Preto (estreante) e Horácio.
NACIONAL – Marcus (Chicão), Téo, Russo, Jayme Basílio e Vivaldo; Hugo e Ribas; Maneca, Dernilson, Holanda e Quisso (Lacinha).
O Rio Negro conquistou o 1º turno; o Fast ficou com o 2º e o Nacional com o 3º turno. O Fast saiu logo do páreo porque perdeu seguidamente para o Nacional e o Rio Negro, ambos por 1 a 0.
A decisiva foi Rio Negro x Nacional e novamente o Rio Negro, em grande tarde, venceu por 4 a 1. Sabá fez dois no goleiro Vasconcelos. Os outros foram de Ademir e Horácio para a conquista de tão almejado título.
Sabá o artilheiro do campeonato com 10 gols, seguido pelo seu companheiro de equipe, Thomaz, com 9 gols e em terceiro lugar, Pepeta, do Nacional, com 8. Sabá ainda disputou o campeonato de 1966 pelo Rio Negro e foi novamente artilheiro, com 8 gols. Jogou na seleção do Amazonas de 1962, contra o então Território do Rio Branco. O Amazonas venceu por 6 a 1 e o nosso personagem fez 3 gols.
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Author: Carlos Zamith
3 comments
Olá. boa noite ,idealizador de ´´BAU VELHO“ eu sempre que entro na nete dou uma olhada em suas reportagens maravilhoas tenho 56 anos era criança mais me lembro de tudo o que acontecia naquela epoca DOURADA do nosso futebol me lembro que saia da escola IEA, e descia eu e meus amigos colegas a Eduardo Ribeiro direto para o CATO DO FUCHICO, Eduardo c/ Henrrique Martisn, e lá eu e meus amigos fica so escutando os mais velhos debaterem falarem sobre os nossos times da Capital, naquela época criaças, adultos, mulheres se falava sobre nosso futebol a e nao tinha esse que apos ouvir o Josué Claudio de Souza meio dia nao escutava a Resenha Esportiva. É amigo tempos que nao voltam mais, continui assim amigo nao trazendo estas alegrias. sou RIONEGRINO ,de coração. obrigado um abraço aqueles que participam desta coluna. até a proxima. fiquem com DEUS
17 de outubro de 2010 20:04 ||
gostaria de informaçoes do time do educandos futebol clube
10 de novembro de 2010 12:29 ||
Euvaldo:
Do time do Educandos, de Zulândio Pinheiro, que disputou o campeonato de 1957, tenho lembranças de alguns jogadores:
Botelho e Raimundo (goleiros), Roberval, Sabiá, Cão, Jorge, Bebé, Irânio, Clovis, Paraiba, Bilôto, Gago, Horácio, Carvalho, Santos, Oliveira, Gostoso e Pedrinho.
11 de novembro de 2010 18:54 ||