No dia 12 de outubro, comemora-se o dia de Nossa Senhora Aparecida, feriado federal pela Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1990, assinada pelo então Presidente da República, João Batista de Figueiredo.
Presto minha homenagem ao bairro de Aparecida onde passei os melhores momentos de minha adolescência. Com vontade de ser craque de futebol comecei a dar chutes na bola, mas sem qualquer habilidade.
Quando lá cheguei, em 1938, aos 12 anos de idade, o bairro ainda tinha o nome de Tocos. Entrando pela Rua Alexandre Amorim, lado esquerdo, passei a ser um dos moradores das “Treze Casas”, a de nº 220, a sexta casa, que hoje, com a demolição das duas primeiras, passou a ser a quarta. Através do futebol desde o final dos anos quarenta até a década de 50, reuni uma legião de amigos alguns ainda vivos e que faço questão de preserva-lós.
APARECIDA foi o famoso Bairro dos Tócos de gente valente, na década de 30 e que antes eram Cornetas, Cajazeiras e depois batizado pela Lei de 15 de julho de 1926 como bairro dos Operários, ato assinado pelo então presidente da Intendência Municipal, Antônio Guerreiro Antony, nomenclatura que não pegou. A mesma lei mudava a denominação de Largo da Bandeira Branca para Praça 1º de Maio, que também não pegou. Hoje, denomina-se Praça Comandante Ventura, em homenagem ao cidadão português, morador do bairro, falecido em 1962, vítima de acidente, depois de cumprir a missão de debelar um incêndio. Foi ele o criador da corporação “Bombeiros Voluntários” que prestou inestimáveis serviços à nossa cidade.
Bairro dos Tocos – até a metade da década de 40, grande celeiro de bons jogadores de futebol como goleiro Zeca Lopes e o ponteiro Marcolino, dois irmãos nascidos e criados no bairro. O primeiro defensor do Libertador, time que disputou o campeonato da primeira divisão de 1926 a 1931, falecido ainda jovem e Marcolino, falecido em fevereiro deste ano (1998), um dos mais perfeitos ponteiros do nosso futebol, atuando com grande destaque no Nacional.
Bairro dos Tocos de Chico Amador, “seu” Néco, Antônio Chico, Buretamba, Anastácio, Etelvino, Estevam Santos, Nêgo Isauro, “seo” Fernandes, que se reuniam diariamente a partir das sete da noite na calçada do Grupo Escolar Cônego Azevedo, para emitir opiniões principalmente sobre política, enquanto a garotada corria pela rua brincando de “geral” ou “sete pecados”, com muita gritaria perturbando os “coroas do chamado Senadinho”. E, quando aparecia uma bola o campinho ao lado do grupo era ocupado para uma “pelada” até às 22 horas, para tormento de dona Maria, zeladora do grupo e de sua filha Tapuia.
Bairro de Aparecida – denominação foi adotada através do Decreto Lei nº 265, de 7 de maio de 1946, assinado pelo Prefeito da Capital, Dr. João Fábio de Araújo e pelo Secretário da Prefeitura, Raimundo de Magalhães Cordeiro.
O documento oficial diz: ao Norte – com a Rua Comendador Alexandre Amorim, desde a Rua Coronel Salgado até a Rua Wilkens de Matos;
ao Sul – com o Igarapé de São Vicente;
a Leste – com a Rua Coronel Salgado desde a sua intercessão com a rua Comendador Alexandre Amorim, até a margem direita do Igarapé da Bica;
a Oeste – com a Rua Wilkens de Matos, inclusive.
Bandeira Branca de Babau, Anibal, Fernandinho, Paulo Eusébio, o Lig-Leg, Caeté, Híspere Peroba, Canhão, Venino, Mário Fortes, Candinho (Cândido Honório), Valter Manon, Isaac, Pedro Curica, Sandoval Bicuí, Solano, Abelardo, o bom goleiro Nenem Rafael, Alberto Cidonha, Lauro Chibé, um artista na confecção de boi-bumbá, o goleiro Raul Cerqueira, Virgílio, Bebé, Cachoeirinha, Cumaú, José e Walmir Adir Cidade, Marco Antônio Simões, Ciboga, Lauro Castro, Walzenir Careca, Adalberto, Zé Pinguim, Tucano, Reginaldo Amador, Vadoca, Laurito, Jonas Aliada, Azamor, Adamor, Zezinho Casanova, Arnoud, Dó, Osvaldo Cassote, Zé Briba, os irmãos Zeca Galalau, Jofre e Jaime Chacon, Moacir Fortes, Vavá, Zé Melado, Brando Boca Torta, João Rá-rá-rá, gente que se reunia diariamente na esquina da Bandeira Branca com a Rua Alexandre Amorim, quando ainda não existia asfalto em Manaus, para discutir os mais variados assuntos predominando o futebol, a paixão de todos, alguns com passagens pelos principais times da capital, principalmente pelo Fast Clube.
Bandeira Branca de Eduardo Paparrôs com seu carro de garapa de frutas regionais e a caixa de doces fabricados na Confeitaria da Guilhermina, do gostoso bolo de milho, fazendo ponto ao lado da residência dos Fortes (Mário, Moacir, Milton e Maurício) atendendo aos fregueses sempre ditando frases excêntricas que ainda não constam dos dicionários, tais como “sassaborotéias ocúlticas”.
Bandeira Branca do Tieté, Brasil, Copacabana, Tuxaua, Tejo, Alvinegro, Copacabana ou Palmeiras, times de futebol que normalmente só mudavam de camisas. Do Eldorado da família Rebelo de Souza, que disputou o campeonato de futebol da primeira divisão da FADA nas décadas de 40 e 50. Dele faziam parte os irmãos João, Jairo, Raimundinho, Jayme, Jessé, além de Antônio que funcionava como uma espécie de massagista do time, presidido pelo patriarca professor Francisco Rebelo de Souza.
Aparecida se identifica mais como se fosse apenas Bandeira Branca e a Rua Xavier de Mendonça e seus pequenos becos, como Carolina das Neves, da Indústria, das Flores, da Escola e ruas Gustavo Sampaio, Flores e Gloria.
Xavier de Mendonça, do Flandres, Oberon, do Independência de Caetete, Bigode, Pipira, Edgar, Nazário e do Satma, da Gustavo Sampaio, do Satma, clube dos irmãos Paixão, presidido por André Jobim e que se aliava mais ao pessoal da Xavier, de Antônio da Finada, Jauapery e Coracy (os Bacuráus), Tonico Braga, Jaime Pinheiro, dos irmãos Gesner, Jefrin e José Rosas Maciel, do Chico Procopio, Adelson Bastos, Manuel Luis, Moisés Santos, Lauro Larréa, Peroba, Zuza, Capilé, Valter Caithô, Vanildo, Getúlio, Milton e Bianor Beleza, dos Macaxeiras, Carará Pei Pei, Carabinã, João Passarinho, Zé Balduino, Pedro Marceneiro, Jefersson da Mãezinha, Murilo, Orlando Lizardo Lourão, Policieiro, Campos, Leopoldino, Maravalhas, Cúida, Chico Arruda, Pula-Pula, Jeferson (Bibi) de Souza, do Pate-Papo, Sargento Ivan, Valder Reis, Miguel Frazão, o Mão de Paca, Quinha, Antônio Andrade, Paulo Santo Antônio, do irmãos Wilson Santa Ozita, Didi e Vavá, e Ico Zamith, Arlindo Santos, Targino Bananeira, Zuza, Ercolino, Pirarucú, Romú, Raimundo Bala, Baton, Lôlô, João e Arnaldo Pesado, Mário Cibute, Cabo Nadinho, Zeca Afonso, Carará, José Ribamar Bessa e seus irmãos, sempre debaixo da vigilância de Dona Elisa.
Turma sadia que jogava bola de gude, saltava papagaio de papel e à noite, com a excelente luz dos antigos lampiões, fugindo da perseguição dos guardas civis “Caneca Amassada”, Ostafo e Juca ou do indesejável Ciariba que carregava consigo a mania de ser “otoridade”. Turma que batia pelada ao lado do Cônego Azevedo importunando os moradores, como o “seu” Inácio que tinha uma mercearia atrás de um dos gols e da própria família do Chico Procópio, também conhecido por “Papagaio na areia quente”.
A turma de Aparecida tinha local certo para as peladas diárias. Na Bandeira Branca usava-se o largo onde hoje está a Praça Comandante Ventura, ainda sem placa indicativa; na Xavier de Mendonça, no campinho ao lado do Grupo, num terreno que pertencia ao lusitano Araújo, dono da Loja “O Mandarim” e que na administração de Jorge Teixeira, no local, foi construída uma quadra esportiva, recebendo o nome de “Marcolino Lopes”, além do campo do Rapapé, no início da Rua Leonardo Malcher e mais tarde no campo do Hore, na Rua Wilkens de Matos, onde foi erguida a usina de luz. Havia ainda alternativa: quando o rio vazava, a turma jogava futebol na praia de São Vicente, com Torneios bem movimentados e de grande afluência, organizado pelo Demóstenes, um jovem hanseniano que gostava de jogar como goleiro.
Os celeiros desapareceram. O largo da Bandeira Branca, o campo do Hore ou do Rapapé, a praia, enfim, tudo.
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Author: Carlos Zamith
9 comments
fico feliz em ver esta fotografia,apesar ter vivido esta epoca do ano de 1942,mais aprecio e gosto de fotos antigas de nossa de nossa cidade,enquanto existirem pessoasque se dediquem pela preservacaodos nossos monumentose nosso patrimonio,muitas vezes considerados loucos,ou malucos por quererem bem da cidade sorrisocomo a conhecemos. ,parabenspelo vosso trabalho.
31 de outubro de 2010 17:10 ||
Eu fico muito emocionada quando leio suas publicações relembrando os bons e velhos tempos, onde nós podiamos sentar nas esquinas das ruas nas calçadas e bater um bom papo com os vizinhos.
Nasci e me crei na Bandeira Branca no Bairro da Aparecida e sei que o progresso acabou com muita coisa e só ficou a lembrança, meu Pai o Paulo Euzebio gostava muito do nosso bairro. Carlos eu percebo na sua escrita que vc tambem sente saudades daquele tempo, mas para nós só restou as lembranças.
Um grande abraço.
28 de novembro de 2010 22:01 ||
Ednea:
Claro que sinto muita saudade do querido bairro de Aparecida. Quanado lá cheguei, em 1938 morei na Xavier de Mendonça,ainda era Bairro dos Tócos. Depois fui para a Bandeira Branca. No bairro de Aparecida permaneci durante 48 anos.
29 de novembro de 2010 08:21 ||
Prezado ZAMITH, também aprendi a amar o bairro da aparecida. Morei ao lado da casa da dona MARIQUINHA, na bandeira branca 66. Hoje, moro em Macapá-AP. Sinto saudades de todos do Bairro de Aparecida e da nossa querida Escola de samba.
21 de julho de 2011 11:00 ||
zamith sempre que passo no bau sinto saudades do bairro aparecida. vc citou pula pula, seria o sogro de meu pai afonso parral
26 de março de 2012 23:00 ||
Adorei ler essa matéria! Essa foto! Conheci quando criança o Chico Procópio. Ele era muito amigo do meu tio Francisco FARIAS – filho de Dna. Belinha. Jamais pensei em encontra-lo em 2012. Muito legal mesmo!!!!!
OBRIGADA!
29 de novembro de 2012 15:26 ||
Zamith, a minha professora, sra. Waldenora, morava em Aparecida. Inclusive no ano de 1968 eu em sua residencia pegar aula particular. Uma boa lembrança.
29 de novembro de 2012 20:43 ||
Nasci em Boa Vista Roraima, e morei no bairro aparecida na rua Bandeira Branca de 1982 a 1986, e sinto muita saudades deste bairro. Na época estava estudando na Escola Técnica e admirava muito estes prédio e casas antigas.
21 de fevereiro de 2013 21:02 ||
gostaria que si possivel mi enviassen uma foto do antigo time do santos com o jogador cacheado
2 de julho de 2013 07:24 ||