24 de novembro de 2010

Rádio Rio Mar – 56 anos

Três meses antes da inauguração, a Rio Mar (com responsabilidade técnica de José Lima Mendes) entrava no ar em período experimental, das 8 ás 10 e de 11 às 13 horas. Na abertura desse período, o técnico de som (eu) colocava no prato o disco 78 rotações, “Despertar da Montanha”, com o pianista Jorge Murad. Essa música serviu para a abertura depois da inauguração e por muitos anos.

A inauguração

A Rio Mar foi inaugurada dia 15 de novembro de 1954. Estúdio no 8º andar do edifício IAPETEC, (atual INSS) marcada para as 17 horas. Na ocasião de apertar o botão, nos transmissores para a emissora entrar no Ar, houve um problema e por isso um atraso de 30 minutos.

No dia da Inauguração, o jornal Diário da Tarde, da empresa Archer Pinto que, com Charles Hamu, dono das Lojas Credi-Lar, eram proprietários da emissora, circulou com uma edição especial, com o papel do jornal na cor azul-claro.

.Transmissores em São Raimundo ao lado do Cemitério Santa Helena. À noite, no Teatro Amazonas, a festa de inauguração teve andamento com o apresentador Wuppschlander Lima comandando, auxiliado pelo locutor Carlos Alberto.

O ponto alto da festa no Teatro foi a presença da cantora amazonense Violenta Cavalcante, que desfrutava de bom cartaz no Rio de Janeiro, onde já residia.

Os controlistas eram Carlos Zamith que trabalhou na inauguração além de Lauro Castro. Depois vieram Gadelha, Francisco Souza (Goiabeira) e Lourival Manjuloca.

Locutores

A idéia do Charles Hamu era a de colocar dois locutores no estúdio. Alegava que para o ouvinte, era enfadonho ouvir a mesma voz nos comerciais durante três horas. A idéia durou pouco mais de dois meses. Terminou com um só locutor mesmo.

Locutores: Amâncio Costa, Paes Barreto, Ronaldo, Eldo Lins, Ivens Lima. Mais tarde, o baixinho Carlos Alberto, Brandão, Wilma Pinheiro, Guiomar Cunha, José Serrão, Djalma Dutra, Clodoaldo Guerra,

Resenha local

A Rio Mar importava programas da Radio Mayrink Veiga, do Rio. Chegavam a Manaus, todas às terças-feiras, gravações (em grandes discos de acetato), programas como Balança Mas Não Cai, Praça da Alegria e outros, além de uma resenha esportiva.

Como a resenha tratava só de assuntos do Rio e de São Paulo e com notícias já conhecidas do amazonense, sugeri ao Charles Hamu quer se montasse uma resenha com noticiário do esporte local tão esquecido pela imprensa.

A resposta veio logo: monte, grave e passe para eu ouvir. João Lins que já trabalhava na rádio como escriturário e era atleta de jogos de quadra do Rio Negro, convidou o bancário Renato Mestrinho para fazer parte do projeto.

Diariamente, no intervalo da Voz do Brasil, fazíamos o treinamento que duraram uns dois meses. O Renato teve que sair por motivo de outras ocupações. João Lins convidou o seu colega Luís Verçosa, que também era atleta do Rio Negro.

Em março de 1955, a resenha com os dois, começava às 19 horas com duração de 30 minutos foi ao ar. O noticiário principal era o local, o que até então era muito raro.

A equipe foi se renovando com a entrada de Denys Menezes, Luís Saraiva, Djalma Dutra e Flaviano Limongi ainda nos primórdios da emissora, que tinha sempre idéia nova para oferecer.

Hand-toc

No esporte, o técnico Lima Mendes idealizou, para o futebol, um parelho que tinha o nome de Hand-Toc, microfone sem-fio para reportagens dentro de campo. Limongi foi o que primeiro a empunhar tal aparelhagem com uma pesada bateria para alimenta-lo. O Denys, pelo seu porte físico, jamais poderia dar conta da missão. Nesse jogo o primeiro jogador expulso foi o nacionalino Lupércio, pelo árbitro Odail Braga Martins. Ao ser interrogado pelo Limongi a causa da expulsão, Odail disse no ar: ele me chamou de filho da….

A inauguração da novidade deu-se por ocasião do jogo entre Nacional x Princesa Isabel, no Parque Amazonense, em 1955, fato publicado no Diário da Tarde. A equipe, na ocasião, era formada por Limongi, Luís Saraiva, Djalma Dutra, Denys Menezes e na técnica, Carlos Zamith.

Duas Taças

Um ano depois da inauguração da Resenha, Zamith idealizou a disputa de duas Taças: Eficiência e Disciplina. A primeira era para os times que totalizasse maior numero de pontos, contanto quatro para titulares, dois para os aspirantes, por vitória e um pelo empate. A Taça Disciplina era para o time que tivesse menor número de punição.

Transmissão

Em 23-12-1956, a Rio Mar pela primeira vez no futebol, transmitiu de Belém do Pará, o jogo Amazonas x Pará pelo campeonato brasileiro de Futebol, vencido pelo Pará por 7 a 0 incluindo os gols da prorrogação. A equipe era formada por Djalma Dutra e Luís Saraiva e Zamith na técnica. A transmissão, devido a precário recurso técnico, foi um tanto decepcionante, pois o sinal chegava a Manaus com péssimo rendimento e, ademais no estádio (Souza) não se conseguiu. retorno

Saía do ar

De quando em quando a emissora sai do ar. Com o estúdio no Edifício Iapetec, e os transmissores em São Raimundo, os fios telefônicos atravessavam o igarapé de São Raimundo para chegar aos transmissores. Com o rio cheio, embarcações mais altas derrubavam o fio e quando não o vento forte. Isso causou transtornos imensos. A emissora tinha que contratar os catraieiros para esticar o fio e pô-lo no devido lugar. Isso ás vezes demorava dois dias.

Muitos outros passaram pela Rádio Rio Mar desde a sua inauguração, como Alfredo Fernandes (diretor artístico); Genésio Bentes, o Formiguinha; a discotecária Alba; o jornalista Waldir Garcia, conhecido por Santa Ozita e Erasmo Linhares.

Em 1959, dispensado pelo diretor Charles Hamu e devidamente indenizado. Daí então, passei a fazer parte da equipe esportiva da Radio Difusora, como repórter, trabalhando para João Bosco e Leal da Cunha.

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