14 de novembro de 2010

Rádio Rio Mar – 56 anos

De Carlos Zamith

Três meses antes da inauguração, a Rio Mar (com responsabilidade técnica de José Lima Mendes) entrava no ar em período experimental, das 8 ás 10 e de 11 às 13 horas. Na abertura desse período, o técnico de som (eu) colocava no prato o disco 78 rotações, “Despertar da Montanha”, com o pianista Jorge Murad. Essa música serviu para a abertura depois da inauguração e por muitos anos.

A inauguração

A Rio Mar foi inaugurada dia 15 de novembro de 1954. Estúdio no 8º andar do edifício IAPETEC, (atual INSS) marcada para as 17 horas. Na ocasião de apertar o botão, nos transmissores para a emissora entrar no Ar, houve um problema e por isso um atraso de 30 minutos.

No dia da Inauguração, o jornal Diário da Tarde, da empresa Archer Pinto que, com Charles Hamu, dono das Lojas Credi-Lar, eram proprietários da emissora, circulou com uma edição especial, com o papel do jornal na cor azul-claro.

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Transmissores em São Raimundo ao lado do Cemitério Santa Helena. À noite, no Teatro Amazonas, a festa de inauguração teve andamento com o apresentador Wuppschlander Lima comandando, auxiliado pelo locutor Carlos Alberto.

O ponto alto da festa no Teatro foi a presença da cantora amazonense Violenta Cavalcanti, que desfrutava de bom cartaz no Rio de Janeiro, onde já residia.

Os controlistas eram Carlos Zamith que trabalhou na inauguração além de Lauro Castro. Depois vieram Gadelha, Francisco Souza (Goiabeira) e Lourival Manjuloca.

Locutores

A idéia do Charles Hamu era a de colocar dois locutores no estúdio. Alegava que para o ouvinte, era enfadonho ouvir a mesma voz nos comerciais durante três horas. A idéia durou pouco mais de dois meses. Terminou com um só locutor mesmo.

Locutores: Amâncio Costa, Paes Barreto, Ronaldo, Eldo Lins, Ivens Lima. Mais tarde, o baixinho Carlos Alberto, Brandão, Wilma Pinheiro, Guiomar Cunha, José Serrão, Djalma Dutra, Clodoaldo Guerra,

Resenha local

A Rio Mar importava programas da Radio Mayrink Veiga, do Rio. Chegavam a Manaus, todas às terças-feiras, gravações (em grandes discos de acetato), programas como Balança Mas Não Cai, Praça da Alegria e outros, além de uma resenha esportiva.

Como a resenha tratava só de assuntos do Rio e de São Paulo e com notícias já conhecidas do amazonense, sugeri ao Charles Hamu quer se montasse uma resenha com noticiário do esporte local tão esquecido pela imprensa.

A resposta veio logo: monte, grave e passe para eu ouvir. João Lins que já trabalhava na rádio como escriturário e era atleta de jogos de quadra do Rio Negro, convidou o bancário Renato Mestrinho para fazer parte do projeto.

Diariamente, no intervalo da Voz do Brasil, fazíamos o treinamento que duraram uns dois meses. O Renato teve que sair por motivo de outras ocupações. João Lins convidou o seu colega Luís Verçosa, que também era atleta do Rio Negro.

Em março de 1955, a resenha com os dois, começava às 19 horas com duração de 30 minutos foi ao ar. O noticiário principal era o local, o que até então era muito raro.

A equipe foi se renovando com a entrada de Denys Menezes, Luís Saraiva, Djalma Dutra e Flaviano Limongi ainda nos primórdios da emissora, que tinha sempre idéia nova para oferecer.

Hand-toc

No esporte, o técnico Lima Mendes idealizou, para o futebol, um parelho que tinha o nome de Hand-Toq, microfone sem-fio para reportagens dentro de campo. Limongi foi o que primeiro a empunhar tal aparelhagem com uma pesada bateria para alimentá-lo. O Denys, pelo seu porte físico, jamais poderia dar conta da missão. Nesse jogo o primeiro jogador expulso foi o nacionalino Lupércio, pelo árbitro Odail Braga Martins. Ao ser interrogado pelo Limongi a causa da expulsão, Odail disse no ar: ele me chamou de filho da….

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A inauguração da novidade deu-se por ocasião do jogo entre Nacional x Princesa Isabel, no Parque Amazonense, em 1955, fato publicado no Diário da Tarde. A equipe, na ocasião, era formada por Limongi, Luís Saraiva, Djalma Dutra, Denys Menezes e na técnica, Carlos Zamith.

Duas Taças

Um ano depois da inauguração da Resenha, Zamith idealizou a disputa de duas Taças: Eficiência e Disciplina. A primeira era para os times que totalizasse maior numero de pontos, contanto quatro para titulares, dois para os aspirantes, por vitória e um pelo empate. A Taça Disciplina era para o time que tivesse menor número de punição.

Transmissão

Em 23-12-1956, a Rio Mar pela primeira vez no futebol, transmitiu de Belém do Pará, o jogo Amazonas x Pará pelo campeonato brasileiro de Futebol, vencido pelo Pará por 7 a 0 incluindo os gols da prorrogação. A equipe era formada por Djalma Dutra e Luís Saraiva e Zamith na técnica. A transmissão, devido a precário recurso técnico, foi um tanto decepcionante, pois o sinal chegava a Manaus com péssimo rendimento e, ademais no estádio (Souza) não se conseguiu. retorno

Saía do ar

De quando em quando a emissora sai do ar. Com o estúdio no Edifício Iapetec, e os transmissores em São Raimundo, os fios telefônicos atravessavam o igarapé de São Raimundo para chegar aos transmissores. Com o rio cheio, embarcações mais altas derrubavam o fio e quando não o vento forte. Isso causou transtornos imensos. A emissora tinha que contratar os catraieiros para esticar o fio e pô-lo no devido lugar. Isso ás vezes demorava dois dias.

Muitos outros passaram pela Rádio Rio Mar desde a sua inauguração, como Alfredo Fernandes (diretor artístico); Genésio Bentes, o Formiguinha; a discotecária Alba; o jornalista Waldir Garcia, conhecido por Santa Ozita e Erasmo Linhares.

Em 1959, dispensado pelo diretor Charles Hamu e devidamente indenizado. Daí então, passei a fazer parte da equipe esportiva da Radio Difusora, como repórter, trabalhando para João Bosco e Leal da Cunha.

O Ary Neto, locutor esportivo, manda-me esta mensagem.

O Vivaldão não existe mais. Saudades, Saudades, Saudades.

O terreno continua lá.

Outro estádio monumental será erguido. É o progresso.

Na minha memória ficará para sempre.

Eu, na cabine da Rádio Rio Mar me deliciando da Tribuna

de Honra do Vivaldo Lima, desse Trio de Ouro:

Flaviano Limongi, Flávio de Souza e o Baú Velho.

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11 comments
  • Felipy

    Carlos, gostaria saber todos os títulos de Nacional, Rio Negro, São Raimundo e Fast Club. Também queria saber qual o maior ídolo de cada clube.

    Obrigado.

    15 de novembro de 2010 20:05 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    Felipy:
    Tudo o que você solicita está na 2a. edição do livro Baú Velho, que pode ser encontrado na Livraria Valer.

    16 de novembro de 2010 07:49 || Responder

  • Felipy

    Não dá Carlos sou de Belém!

    16 de novembro de 2010 17:34 || Responder

  • Rolando Lero

    Deixa de bancar o esperto. Vai no site da livraria valer (pesquisa no google que tu acha) e adquire o livro. A livraria entrega em todo Brasil.

    18 de novembro de 2010 12:30 || Responder

  • julio diogo

    Sr. Carlos

    o sr. continua o mesmo no desenho em relação a sua foto atual. Qual o mistério para não envelhecer ? Parabéns.
    Julio

    19 de novembro de 2010 12:55 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    Amigo Júlio:
    Não há muito esgredo. O problema é echar a boca, evitar frituras e alimentação oleosa. Por isso, estou c hegando aos 85 dentro de dois meses.

    20 de novembro de 2010 10:05 || Responder

  • Jose Camacho

    Li com satisfação a sua narração sobre a inauguração da “nossa” Rio Mar, uma emissora de 56 anos, tenho 55, e tive a alegria de passar por lá de jan/09 a abr/2010. Uma emissora que poderia hoje ser a MELHOR de Manaus, mas infelizmente, gente que não sabe o que é rádio, a comandam. Não importa que seu conteúdo seja religioso católico, mas que buscassem conhecer melhor o que é uma rádio, até para valorizar e manter a chama acesa com o trabalho feito pelo Charles Hamur, infelizmente quem está “matando” a rádio, por incrível que pareça é um Charles também. Quem sabe Deus não inspire a esses que comandam a emissora hoje e despertem para o futuro que está batendo a nossa porta com a rádio AM Digital.

    4 de dezembro de 2010 19:30 || Responder

  • Caríssimo Carlos Zamith, fiquei muito feliz e emocionado ao ver o nome Guiomar Cunha como locutora da Rádio Rio Mar. Denys Menezes, conheci aqui no RJ, grande sujeito, excelente profissional. Liguei imediatamente para falar com minha mãe e ela nos seus quase noventa anos ficou também muito feliz.Se porventura você me conseguir mais algum texto sobre a carreira dela como cantora, apresentações na Difusora e Teatro Amazonas, fotos ou qualquer coisa, lhe ficaria muito grato. Grande abraço e parabéns pelo teu trabalho maravilhoso.

    16 de setembro de 2011 22:08 || Responder

  • Carlos Zamith

    Prezado Luiz Cláudio:
    Tieve a honra de trabalhar com a cantora-locutora Guiomar Cunha, na rádio Rio Mar, logo após a inauguração dessa emissora. Infelizmente não tenho outros detalhes sobre sua carreira. .

    17 de setembro de 2011 08:21 || Responder

  • LOE BARBOSA LIMA (92 993-508632)

    Tenho uma foto do meu pai, Arthur de Moraes Lima Filho, Tocando na inauguração da Rádio Rio Mar, no Teatro Amazonas com a Srª Énesia Lima. (irmã de Domingos Lima, Músico que integrava o Grupo Primas e Bordões, que apresentava-se no Carrossel da Saudade, da TV Educativa), Se for de interesse do Site Baú velho, posso doar uma cópia

    12 de junho de 2015 14:26 || Responder

  • Carlyle
    Carlyle

    Olá, amigo
    Temos interesse sim. Faça uma cópia digital (scanner), esse serviço também é feito por uma lan-house. E envie-nos para o email:
    carlyle@clubedorei.com.br
    Junto com a foto, descreva o máximo que puder sobre a foto e quem são as pessoas.
    Grato pela colaboração.

    19 de julho de 2015 13:42 || Responder

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