Estava perto de completar 95 anos de vida. Joaquim de Moraes Lucena, nascido a 9 de junho de 1900, paraibano de Guarabira veio para Manaus e aqui viveu quase 70 anos, por muito tempo morando na Rua Apurinã, onde existia um pé de Cumaru.
Criou e educou os filhos (três mulheres, Elita, Odila e Rosa) e três homens, todos já falecidos, trabalhando, lutando, enfrentando sacrifícios, mas o carinho que sempre dedicou aos seus, teve retorno, o afeto da parte dos filhos netos e noras durante toda a sua vida, os frutos vieram.
Quando Lucena quando chegou a Manaus era um jovem de 24 anos. Cidade pequena, todos se conheciam, com o comércio restrito à Rua Marechal Deodoro e o principal meio de transporte era o bonde. Trabalhou como tipógrafo do Diário Oficial, depois no jornal “Estado do Amazonas”, do Partido Republicano, pertencente ao governo do Estado na época de Álvaro Maia e ainda na Papelaria Velho Lino até chegar à firma J. G. Araújo, quando com ele travei conhecimento, recebendo muita orientação e conselhos, por volta de 1940, dirigindo o setor gráfico que funcionava nos altos da Drogaria Rosas, na Marechal Deodoro, 206.
Conheci o velho Lucena e seus filhos Silvestre e Raimundo (às vezes o Walfredo), ajudando-o na composição de talonários, rótulos, etc., somente para uso da firma. À noite, Lucena já trabalhava no veterano O Jornal do Comércio, na Avenida Eduardo Ribeiro. Depois de desativada a tipografia da empresa J.G., Lucena começou a trabalhar por conta própria. Fundou a sua oficina na Avenida Joaquim Nabuco, próximo ao antigo Canto do Quintela, (Avenida Joaquim Nabuco com a Avenida Sete de Setembro) até que com a ajuda e o incentivo dos filhos, construiu um prédio próprio na Rua Theodureto Souto e lá passou a funcionar a Tipografia Lucena, sempre mantendo na direção seus filhos.
Lucena era um cidadão muito preocupado com os compromissos. Quando a Tipografia do J.G. foi transferida para suas mãos, passou noites sem dormir pensando no pagamento das promissórias. Quando seus filhos tomaram a frente para construir o novo prédio, também passou noites de preocupações e até chegou a confidenciar os amigos mais próximos que eles eram malucos em assumirem tão grande compromisso. Preocupação de um homem honesto, de mãos limpas, sempre preocupado em não ter condições de saldar uma dívida.
Até o mês de março de 1995, Lucena comparecia diariamente à sua Tipografia. Era visto conversando com velhos amigos, relembrando coisas antigas de Manaus, de suas importantes figuras, com uma privilegiada memória. Lucena sempre falava que este ano, no dia 9 de junho, quando completaria 95 anos, queria ver muitos amigos em sua casa, lá a Praça 14.
Lucena sofreu um derrame e nunca mais foi visto na Rua Theodureto Souto. Seus velhos amigos sentiram a sua ausência, a falta, daquele papo agradável de todas as manhãs cedinho, antes das oito quando lá estava firme, como o primeiro a chegar à Tipografia,a Theodoreto Souto.
Recolhido à sua residência após alguns dias numa UTI, seu estado foi piorando gradativamente, até que numa quarta-feira, às 18,30, (17-05-1995) esse paraibano de Guarabira que fez de Manaus a sua terra, deixou para sempre o nosso convívio.
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Author: Carlos Zamith
4 comments
Parabéns por este post. Eu sou bisneta e afilhada desse grande homem, filha de Hamilton, neta de Raymundo Lucena. Voltei a minha infância e adolescencia, e consegui sentir os carinhos e mimos que meu VOVÔ LUCENA me dava. Faltou mencionar que meu velho querido era radioamador, assim como seus filhos, talvez os pioneiros do Amazonas, lembro muito bem disso, pois sempre brincava embaixo das mesas onde ficavam aquelas enormes traquitanas. Vovô também era um velho PARAIBANO forte, pois no auge de seus 94 anos ainda tomava as suas bebidinhas de testa com os netos sem fazer feio. Boas lembranças, incriveis palavras, a FAMILIA LUCENA te agradece o carinho e a lembrança. realmente valeu reviver estes sentimentos meu caro.
Abraços.
Fabiola Lucena.
24 de novembro de 2010 18:32 ||
É com orgulho que sendo membro da terceira geração da Família LUCENA, compartilho a amizade que teve início com o nosso saudoso patriarca JOAQUIM LUCENA. Sempre acompanhei os bate papo entre Lucena e Zamith, principalmente quando nos encontravamos nos campos de futebol(Parque Amazonense e Colina) , que frequentavamos, principalmente, quando o NACIONAL, que era seu time do coração, iria jogar.
Ficamos orgulhosos , todas as vezes que o nosso avô é lembrado pelos seus amigos, porque para nós até hoje temos a imagem de um homem batalhador ,disciplinado, honesto, amigo e avô carinhoso, que não admitia desperdícios.Ensinou aos seus filhos,netos,sobrinhos e agregados , que iniciavam na área de tipografia todas técnicas , com toda a paciencia de um mestre.
Obrigado ,Sr. Zamith, pela lembrança ao nosso exemplar de avô, e já é de seu conhecimento, através dos meus filhos Haroldo Jr. e Diego, a sua amizade já está estendida a nossa IV geração .A Papelaria Lucena, está de portas abertas para as suas frequentes visitas, que sempre foram bem recebidas.
Haroldo Lucena
24 de novembro de 2010 22:47 ||
Conheci muito “seu” Lucena, amigo do meu pai, José Bento Fernandes, também radioamador. Meu pai o conheceu lá pelo início dos anos 50, quando foi para Manaus, transferido como auditor fiscal do Tesouro Nacional. Meu pai e minha mãe, Nair, tinham por “seu” Lucena e seus filhos uma admiração enorme, um respeito profundo, uma amizade eterna. Devem estar todos lá no céu, com lugar de destaque para os homens e mulheres justos e de fibra, com ética inabalável e coração bondoso.
22 de agosto de 2014 13:06 ||
Era nosso vizinho na rua Apurinã.
1 de junho de 2015 23:14 ||