26 de novembro de 2010

Pedro Sena

Dia 28 de novembro, de 1992, numa modesta casa no bairro do Japiim, morria um dos grandes jogadores do nosso futebol Jogador clássico de bom estilo, membro de uma família de bons atletas, companheiro de Lupércio e Mariozinho, durante muito tempo formando uma das mais perfeitas linha de médios do futebol amazonense na época do amadorismo, quando os sistemas táticos eram formados por um goleiro, dois zagueiros, três médios e cinco atacantes.

clip_image002Pedro Sampaio de Andrade, no futebol apenas Pedro Sena, nascido a 3 de outubro de 1915, em Manaus.

Começou jogando futebol em 1929, no time inferior do Cruzeiro do Sul, do Dr. Alfredo Costa e de Dona Laura e chegou ao primeiro time estreando com uma vitória sobre o Nacional por 2×1. Em 193l já estava no Rio Negro que lhe fez uma boa proposta de emprego. Era reserva do time principal no tempo de Vidinho, Bandeira, Ofir Corrêa, Miúdo, Jaime Figueiredo, Goiot, Maluco, Dodoca e outros. Ficou no Rio Negro dois anos e o emprego não saiu, disse numa entrevista publicado em 1990, na coluna Baú Velho.

Recebendo um convite de Chico Andrade, dirigente maior da União Esportiva Portuguesa, que lhe ofereceu 200 mil réis por semana, não teve dúvida em aceitar a proposta. Na União permaneceu três anos e teve a oportunidade de jogar ao lado de Beré, Sabá, Lisboa, Osmar Bento, Paixão, Dico, Barrote, Nerino e Dôda.

Em 1939 Pedro Sena transferiu-se para o Nacional e lá ficou até 1948. Conquistou os títulos de 1939, 1941, 1942 e 1946 e foi no Nacional que a intermediária Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho ganhou fama em Manaus.

No seu primeiro ano de Nacional, em 1939, aconteceram os tão falados quinze minutos decisivos entre Rio Negro e Nacional. Contou que o rionegrino Cláudio Coelho não deixou o jogo terminar segurando a bola por causa de um penal marcado contra seu clube. O árbitro Tácito Moura, sem meios para levar avante o jogo, pois o tempo estava ficando escuro, suspendeu a partida que daria o título ao Rio Negro com o empate que o marcador registrava na hora.

NA SELEÇÃO

Pedro Sena jogou nas seleções do Amazonas de 1939, 1941, 1942, 1943 e 1946. Na de 1943 era reserva de Pelado, jogador paraense que pertenceu ao Santa Cruz e que jogava pelo Olímpico. Lembrou que o gol marcado por Pelado contra o Amazonas não foi proposital como muitos chegaram a comentar.

Recordou que foi um lance de pura infelicidade do jogador, pois o terreno estava molhado e a bola correu muito para o gol de Téo. Depois do jogo chegou a ver o jogador Pelado em prantos. Envergonhado não voltou a Manaus.

A última participação de Pedro na seleção amazonense foi no Campeonato Brasileiro de 1946. O Amazonas perdeu por 3×0, em Belém, mas ele não jogou. No segundo jogo, em Manaus, o Amazonas venceu por 2×1 no tempo normal, mas perdeu pelo mesmo escore na prorrogação. Nesse dia o Amazonas jogou com Flaviano Limongi, Aurélio e Marcilio (dois irmãos), Lupércio, Pedro Sena e Dog; Cabral, Mário Orofino, Paulo Onety, Raimundo Rebelo e Raspada. Waldir Oliveira e Luís Comitante eram os técnicos do time amazonense.

OS IRMÃOS

Pedro tinha dois irmãos mais novos e que também foram bons jogadores: Zeca Sena, titular do Rio Negro e do Nacional, na mesma época de seu irmão mais velho e Hélcio Sena, que defendeu o Nacional, Barés, América e Seleções. Os dois morreram ainda jovens. Em todo o tempo de futebol, Pedro jamais arranjou um emprego público. Trabalhou muitos anos no comércio, no ramo de calçados. Passou pelas Sapatarias Botafogo, Oriente, Salvador, Jezine e 22 Paulista.

clip_image004O TÉCNICO

Encerrou sua longa carreira de jogador em 1946 foi indicado por Luís Comitante, um uruguaio que estava trabalhando no Nacional como técnico, para essa função no seu clube. Como técnico foi campeão invicto em 1950 e no ano seguinte tornou-se juiz de futebol por acaso.

Estava na arquibancada do Parque Amazonense para assistir a um jogo entre Fast e Olímpico quando o Dr. Menandro Tapajós, presidente da FADA e os capitães das duas equipes foram convidá-lo para dirigir a partida, pois o árbitro escalado, Francisco Oliveira, não havia comparecido. Dai em diante dedicou-se a nova profissão, apitando durante 14 anos, inclusive jogos entre seleções dos Estados, em Belém e São Luís.

Doente durante muito tempo, Pedro Sena faleceu no dia 28 de novembro de 1992, aos 77 anos em sua residência no conjunto do Japiim. (Pedro Sena em 1990).

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2 comments
  • LUCE ELAINE BENTO DE ANDRADE

    Fui surpreendida com a matéria que enfoca os irmãos Pedro, Zeca e Helcio Sena, fazendo referencia ao meu pai Helcio Sena. Se interessar disponho de material fotográfico da época aurea do futebol amazonense onde meu pai foi ídolo de futebol daquela época.
    Muito obrigada pela lembrança, pois isto conforta nossos corações.
    Luce Elaine

    2 de dezembro de 2010 13:37 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    Luce:
    Claro que me interessa o material que voce possui sobre seu pai. Se não for incomodo, gostaria de receber, talvez no meu endereço:
    Conjunto Aristocrático, Rua C- casa 16 – Chapada.

    2 de dezembro de 2010 15:15 || Responder

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