Desde garoto ele tinha inclinação para a posição de goleiro. Aos 14 anos de idade foi apresentado ao treinador Alfredo Barbosa Filho, do Nacional, pôr volta de 1963 e logo figurou no time infantil como titular, seguindo para o quadro juvenil para se tornar bicampeão da categoria ao lado de muitos jovens que mais tarde, como ele, ganharam destaque na primeira divisão, já no profissionalismo.
José Carlos de Mendonça Filho (Zé Carlos), filho Do velho desportista Zé Pretinho que pôr muito tempo foi representante de medicamentos da firma A Benoliel e que também andou chutando a bola com a camisa do Comercial e da União Esportiva. Nascido em Manaus, a 16 de fevereiro de 1949, Zé Carlos sempre andou as voltas com a balança. Facilmente aumenta de peso e isso andou prejudicando um pouco a sua carreira de goleiro cheia de títulos no nosso futebol, numa fase em que os times locais tinham o privilégio de ter dois ou três goleiros do mesmo nível.
Zé Carlos esteve no Nacional ao lado de outro grande goleiro, o Marialvo. Depois foi para o Fast e lá encontrou Maneco e Pedro Brasil e mais tarde, voltou a ser companheiro de Marialvo na mesma equipe. Antes de encerrar a carreira, ainda jovem, teve que se contentar em ser reserva do carioca Borrachinha, na grande fase do Fast. Zé Carlos estreou no time titular do Nacional em fevereiro de 1967, mas o campeonato era do ano anterior. Foi num jogo contra o Sul América, mas no intervalo foi substituído pôr Marck Clarck. Quando saiu, o Naça perdia pôr 1 a 0 e, no final, a vitória de 4 a 1, para o “Sulão”. Um verdadeiro desastre para o Nacional.
Uma de suas maiores alegrias no futebol foi por ocasião de um jogo de campeonato de 1968 contra o Olímpico. Estava defendendo o arco do Nacional, quando houve um penal. O baixinho ponteiro Santiago cobrou a falta e ele fez uma defesa que arrancou aplausos, a ponto de receber cumprimentos do árbitro carioca José Mário Vinhas que dirigia esse jogo. Uma outra grande alegria de Zé Carlos aconteceu em 1971, no Estádio “Vivado Lima” quando a Seleção do Amazonas derrotou a do Pará, pôr 7 a 1. Nesse dia o time local formou com Zé Carlos, Antônio Piola, Tarcísio, Valter e Wanderley (Formiga); Zezinho e Mário Vieira (Ângelo); Paulo Borges, Edson Piola, Santarém e Ivo (Zé Cláudio).
Zé Carlos foi bicampeão juvenil pelo Nacional, em 1964 e 1965; campeão profissional ainda pelo Nacional, em 1968; bicampeão da Taça Amazonas, pelo Fast, em 1971 e 1972, revezando-se com Marialvo. Foi ganhador de dois troféus da FAF, em 1969 por ter mantido a sua meta invicta durante 540 minutos, recebendo os prêmios das mãos do Dr. Samuel do Valle. Recorda com muita saudade e época de ouro do nosso futebol, logo após o surgimento da Federação Amazonense de Futebol. Os Estádios (Parque ou Colina) sempre com boa lotação. O futebol local tinha magnifica cobertura da imprensa e até álbum de figurinhas, revistas especializadas e quase todos os jogos eram apitados pôr árbitros de outras Federações, especialmente paulistas e cariocas
Zé Carlos parou com o futebol profissional em 1973. Formou-se em Educação Física e desde 1974 atuava na Escola Técnica Federal do Amazonas, por onde se aposentou em 1995.
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Author: Carlos Zamith