Há um momento na vida da gente que enfrentamos uma batalha pessoal e intransferível: o confronto com a morte.
Como diz a música do rei Roberto Carlos, tudo está certo como dois e dois são cinco, e vamos vivendo sem perceber que um dia teremos que morrer. É preciso clarear para poder ver, apender a viver por toda a vida e a vida toda é um aprender a morrer.
Cheia de dificuldades que existem para serem superadas, a vida segue nessa estrada sob o Sol, vêm então as perguntas que ninguém gostaria de fazer e as respostas que a gente não gostaria de ouvir, mas que precisamos enfrentar porque é chegado o momento da colheita.
Um dos maiores pesadelos de meu pai, Carlos Zamith, é o medo de ficar internado em hospital. Desde os primeiros meses de 2012, quando começou a sentir fraqueza, cansaço, perder peso e massa muscular, sem motivo aparente, mas que já caracterizava ser o sintoma de uma doença grave e degenerativa, já me advertia que não queria saber de hospitais e médicos.
O diagnóstico chegou tarde, um ano depois, através de uma consulta com o Dr. Nelson Fraiji e deflagrou imediatamente uma tempestade de sentimentos e emoções. Descobrir que sofre de uma doença incurável e que a expectativa de vida provavelmente não vai além do próximo aniversário é para todo mundo, em qualquer tempo, o choque definitivo de toda uma vida. Embora a morte seja uma das poucas certezas da vida, porque nascemos no seu caminho e dele não temos como escapar. Diferente da espiritualidade que abraço e acredito, a cultura, a biologia e até algumas religiões conspiram para que as pessoas jamais estejam prontas para morrer.
Meus irmãos e eu decidimos que nosso pai ficaria em casa para viver da melhor maneira possível os dias que lhe resta, cercado de amor e carinho pela nossa mãe, filhos, netos e amigos. O que o auxilia a enfrentar com coragem e disposição é a presença do Amor da família. Com isso, ganha o tempo da prorrogação do jogo e vai até para a cobrança dos pênaltis.
A luta sem tréguas é uma regra à medida que o tempo passa. A enfermidade segue evoluindo progressivamente, e as condições físicas de meu pai se deteriora. Ele oscila entre a vigília e o sono; a respiração fica cada vez mais difícil, os músculos da garganta tornam-se flácidos, às vezes incapazes de eliminar secreções ou engolir um pequeno comprimido. Perde todos os movimentos dos membros e não pode mais falar. Ainda consciente de quem ele é, embora de forma cada vez mais remota.
Esta semana passamos a administrar o uso do medicamento chamado Tramal. É o penúltimo estágio do controle da dor desse mal, antes da morfina. O mal tem dois lados. Procurando direitinho encontra o Bem do outro lado. Esperar o Bem da cura é doloroso. Então é chegada a hora de aperfeiçoarmos nossa fé, e nos mostrarmos totalmente confiantes e dependentes do Poder Superior para que seja feita a Vossa Vontade!
Quem nos dá tudo é Jesus, Ele é o nosso SALVAdor.
Filed under:Eu sou o Baú Velho || Tagged under: bem, dor, fraiji, milagre, nelson, sofrimento
Author: Carlyle Zamith
5 comments
Eu, e minha família, venho por meio desta mensagem expor todo nosso sentimento pela recente perda. Quero que saiba que estamos aqui se precisarem … Que Deus ilumine e console a vida de sua família!Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim ainda que morto viverá . E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá.Saudades seu Zamith,,, sua cuidadora Francisca Neide.
27 de julho de 2013 22:12 ||
Meus sentimentos a toda família, saudades eternas. Gabrielle tenho 9 anos…
27 de julho de 2013 22:18 ||
Carlyle, você e seus irmãos fizeram a escolha correta, ao meu ver. Vivenciei 10 anos com meu pai e com a minha mãe até os últimos momentos e tomei horror aos hospitais que jamais foram preparados para os idosos, se alguém não morre fora de época, tenha certeza que as pessoas sofrem à qualquer época e os hospitais são para os idosos um lugar de expiação. Fiquei com a minha mãe até quando pude e era o desejo dela, mas em um momento ela passou muito mal e a levamos ao hospital, tinha plano e direito a tudo, mas os hospitais não foram feitos para os idosos. Na minha opinião, a morte é merecimento e o sofrimento inexorável, eu só não sei por quê. Hoje perdi de escrever para você mais cedo e quando vim lê a nota de falecimento já estava publicada. Minhas condolências a essa grande família, chamada Zamith, Deus dê o conforto.
28 de julho de 2013 01:30 ||
Fico triste pela partida do Sr. Carlos Zamith, mas feliz por ele ter-me dado o previégio de conhecê-lo e termos tão boa conversa, ontem senti uma grande vontade de visitá-lo não deu, porém hoje tentei ligar para seu Carlyle não consegui, então abri o Blog, recebi a triste notícia do seu falecimento. Com certeza ele será sempre uma eterna e boa lembrança, meus sentimentos à toda família pela perda. JESUS disse: Quem crêr em mim, jamais morrerá. Ele estará sempre em nossos corações.
Um abraço.
28 de julho de 2013 16:58 ||
Também fiquei muito triste com a partida de Carlos, não tive a coragem de vê-lo dentro de uma urna, meu querido, meu velho amigo… Saudades de suas postagens mirabolantes de uma Manaós antiga, agora despois de algum tempo venho até este blog muito triste ainda prestar minha gratidão a esse trabalho arquitetônico. Aos familiares saúde, alegria, força e vamos adiante e horar nossa querido e saudoso CARLOS ZAMITH.
19 de agosto de 2013 13:40 ||