O escritor e cronista esportivo Carlos Zamith morreu as 17 horas deste sábado. Ele será velado na Assembleia Legislativa do Amazonas e seu enterro ocorrerá as 10 hs de domingo, no cemitério São João Batista. Zamith mantinha um Blog, Baú Velho, mesmo nome da coluna que escrevia no jornal aCritica, até a morte do patriarca dos Calderaro, Humberto Calderaro. A nova geração que assumiu o jornal afastou a velha guarda: Zamith, Flaviano Limongi e outros. Mas Zamtih soube manteve seu amor pelo futebol e continuou a escrever agora na internet e com mais liberdade.
Carlos Zamith foi embora. Seu Baú Velho fica como legado para gerações interessadas em conhecer a história do futebol amazonense. O que ele fez pelo esporte foi guardar a memória de um tempo no qual os clubes funcionavam e os estádios (da Colina e do Parque Amazonense) lotavam nas tardes de domingo. A história desse tempo – de paixão pelo Nacional, Fast, Rio Negro e Olímpico – não se perderá.
Zamith foi o grande cronista de seu tempo. Sério, ponderado, apontava as causas de uma crise no futebol que levou os clubes à falência e esvaziou os estádios. Ninguém lhe deu atenção. Zamith fez o que se faz com os despojos de uma guerra onde os dois lados perderam: juntou tudo num baú: fotos, camisas, sonhos. Quem lê seu "Baú Velho" entra no túnel do tempo e ainda ouve o grito das torcidas ensandecidas que lotavam os estádios em Manaus.
Zamith partiu hoje, mas esse baú que ele criou para guadar a memória do esporte amazonense não pode ser fechado… É história pura.
O livro, que ele também deixa, pode ser encontrado na Livraria Valer. ( Raimundo Holanda)
Seu filho, Carlyle Zamith Oliveira, escreveu dois dias antes de sua morte:
"Um dos maiores pesadelos de meu pai, Carlos Zamith, é o medo de ficar internado em hospital. Desde os primeiros meses de 2012, quando começou a sentir fraqueza, cansaço, perder peso e massa muscular, sem motivo aparente, mas que já caracterizava ser o sintoma de uma doença grave e degenerativa, já me advertia que não queria saber de hospitais e médicos.
O diagnóstico chegou tarde, um ano depois, através de uma consulta com o Dr. Nelson Fraiji e deflagrou imediatamente uma tempestade de sentimentos e emoções. Descobrir que sofre de uma doença incurável e que a expectativa de vida provavelmente não vai além do próximo aniversário é para todo mundo, em qualquer tempo, o choque definitivo de toda uma vida. Embora a morte seja uma das poucas certezas da vida, porque nascemos no seu caminho e dele não temos como escapar. Diferente da espiritualidade que abraço e acredito, a cultura, a biologia e até algumas religiões conspiram para que as pessoas jamais estejam prontas para morrer.
Meus irmãos e eu decidimos que nosso pai ficaria em casa para viver da melhor maneira possível os dias que lhe resta, cercado de amor e carinho pela nossa mãe, filhos, netos e amigos. O que o auxilia a enfrentar com coragem e disposição é a presença do Amor da família. Com isso, ganha o tempo da prorrogação do jogo e vai até para a cobrança dos pênaltis.
A luta sem tréguas é uma regra à medida que o tempo passa. A enfermidade segue evoluindo progressivamente, e as condições físicas de meu pai se deteriora. Ele oscila entre a vigília e o sono; a respiração fica cada vez mais difícil, os músculos da garganta tornam-se flácidos, às vezes incapazes de eliminar secreções ou engolir um pequeno comprimido. Perde todos os movimentos dos membros e não pode mais falar. Ainda consciente de quem ele é, embora de forma cada vez mais remota.
Esta semana passamos a administrar o uso do medicamento chamado Tramal. É o penúltimo estágio do controle da dor desse mal, antes da morfina. O mal tem dois lados. Procurando direitinho encontra o Bem do outro lado. Esperar o Bem da cura é doloroso. Então é chegada a hora de aperfeiçoarmos nossa fé, e nos mostrarmos totalmente confiantes e dependentes do Poder Superior para que seja feita a Vossa Vontade!"
Fonte: Blog do Holanda
Filed under:Eu sou o Baú Velho
Author: Carlyle Zamith
2 comments
FIQUEI SURPRESO COM A MORTE DE CARLOS ZAMITH,SEMPRE ABRI O BAÚ VELHO PARA LER AS HISTORIAS QUE CARLOS RESGATOU NO SEU BLOG DE MANAUS ANTIGA PRINCIPALMENTE DE ARIA RAMOS AQUELA JOVEM QUE FOI ASSASSINADA TOCANDO SEU VIOLINO…QUE DEUS CONFORTE OS CORAÇOES DE SEUS ENTES QUERIDOS POIS ELE FOI UM CIDADÃO QUE MUITO CONTRIBUIU PRO NOSSO FUTEBOL BARÉ E TAMBEM O SEU BLOG MUITO ME AJUDOU,,,QUE DEUS A TENHA NO SEU SEIO
4 de agosto de 2013 14:50 ||
Fiquei sabendo há uma semana atráz da passagem de Carlos Zamith. Tenho 50 anos e estou há vinte e dois anos fora de Manaus, mais nunca esquecie a “coluna Báu Velho”, que aos domingos que ao abrir o Jornal “A Critica”, corria a veslumbra a referida coluna como a primeira leitura, a por contar a história, não so de futebol, mais de toda a nossa querida Manaus.
29 de agosto de 2013 11:02 ||