28 de julho de 2013

Homenagem ao titã

E eternizando, ele eternizou-se.

Nessa Manaus, nessa nossa Manaus verde, onde fervilham sobre o tapete verde o azul, o amarelo, o preto, o branco, o vermelho e novamente o verde, estampados em camisas que muito nos são caras, houve um homem que decidiu que elas jamais morreriam. Houve um homem que amava esse amor. Houve um homem que escolheu viver pra esse amor jamais morrer. Esse homem apaixonou-se no parque, viu nascer a colina, ajudou a erguer o vivaldão. Esse homem vestiu ao mesmo tempo, todas as nossas cores e assim como muitos de nós, sonhou que o mundo as visse. Esse homem decidiu saber o que muitos de nós, sem querer, um dia esqueceríamos. Esse homem que no melhor estilo dos contos de piratas, guardou dentro de um BAÚ VELHO um inestimável tesouro, um tesouro ímpar, um tesouro fantástico. Esse homem, nos fez o favor de guardar nossa memória. Esse homem era teimoso. Mas que ousadia eternizar algo que todos nós em algum momento esquecemos. Zamith tinha TUDO. Na verdade, Zamith tinha mais que tudo, pois nem as alagações que lhe levaram parte do acervo foram capazes de diminuir o brilho de sua obra. Esse homem dominava com tanta maestria a pena, que até um breve e comum relato sobre seu primeiro carro, um fusquinha 1970 torna-se uma aprazibilíssima leitura.

Meus deus, que maravilha para aqueles que tiveram a honra de presenciar uma tarde de conversa entre Zamith e seu inestimado amigo Flaviano Limongi. Quantos causos, quantos fatos, quantos relatos, quanta histórias de luta pelo futebol amazonense, e no fim das contas, pelo Amazonas. Dois titãs. Dois atores de uma conversa tão boa, mas tão boa que assim como seus nomes, como suas histórias, é eterna. Nesse momento, quase posso ouvir suas gargalhadas ecoando do céu. No momento em que escrevo, tive até a impressão de ouvir sua voz dizendo: “Dez paus”. Que era o que sempre ia de gasolina em seu fusquinha.

Diz a sabedoria popular que mede-se um homem pela qualidade de seus amigos. E diz ainda, que mede-se a árvore por seus frutos. Zamith deixa aqui, com a missão, já em curso e com galhardia, de honrar seu sobrenome, homens honrados. Homens que tiveram a ingrata tarefa de contar-lhe que seu estimado amigo, Limongi, não mais estava entre nós. Tão ingrata tarefa que somente reuniram coragem para tal, três meses após a ida de Limongi.

Não há quem da morte escape, a ida é um fato. Não se pode escolher não morrer. O que se pode escolher é viver, e Zamith fez essa escolha. Viveu intensamente, amou o que fez, fez o que amava.

Zamith deixou esta terra rodeado por seus amores. Primeiramente sua família, depois sua obra, e posteriormente pela terra que ele tanto amava. Me pergunto eu se pode haver fim mais digno a um homem. Filhos de bem, legado relevante, valor reconhecido. Meus parabéns Zamith. Foi uma honra ter estado nesta terra junto com você.

Aos familiares, minhas sinceras condolências. É um momento de reflexão. Ouso dizer, que além de tudo o que já relatei, sobre a dignidade do momento da passagem de Zamith, temos ainda o fato de que ela se deu num momento em que o Brasil inteiro encontra-se mais espiritualizado. Carlyle, meu irmão, você carrega sangue nobre em suas veias, você é arauto do legado. Recebam minha resignação pela perda, e minha honra pelas lições.

Fonte: Ednailson Rozenha

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