7 de junho de 2015

Brasileiro de 1946

Até a década de 50 o futebol amazonense viveu grandes momentos por ocasião das disputas do Campeonato Brasileiro, reunindo as seleções dos Territórios e dos Estados. A grande expectativa do amazonense sempre foi o jogo contra o Pará, nosso eterno rival. O Parque Amazonense, com capacidade para 3 ou 4 mil pagantes, era o palco desses acontecimentos que movimentavam a então pacata cidade de Manaus. A disputa começava às 16 horas, mas muito cedo, logo depois do almoço, grande número de torcedores tomava o caminho do estádio no afã de conseguir melhor localização para assistir ao espetáculo. As torcidas tinham seus gritos de guerra. A do Amazonas era Jacaré, enquanto lá em Belém, a resposta vinha com Jaraqui. Tudo era num clima mais ou menos pacífico, sem violência.

No Campeonato Brasileiro de 1946, quando ainda se praticava o amadorismo, a entidade local, FADA, escolheu o técnico Luís Comitante que trabalhava no Nacional para dirigir nossa seleção. Houve de saída um problema, mas logo sanado pelos dirigentes da Federação. É que Comitante, de nacionalidade uruguaia, estava há pouco tempo e Manaus e não portava diploma, uma exigência da então Confederação Brasileira de Desportos que se cumpria à risca. A solução, no entanto, foi encontrada com a adesão do professor de educação física, o rionegrino Waldir Oliveira, que “assumiu” a condição de treinador, enquanto o uruguaio passava a condição de auxiliar.

Os jogadores foram convocados pela Comissão: os goleiros Mota, do Nacional e Flaviano Limongi, do Tijuca; zagueiros: Darci, Marcilio, do Rio Negro; Aurélio e Canhão, do Fast Clube; médios: Valdemir Osório e Dog, do Rio Negro; Salum Omar, do Olympico; Lupercio, Pedro Sena e Mariozinho, do Nacional, d Raimundo Rebelo e Oliveira, do Rio Negro; atacantes Raspada e Paulo Onety, do Nacional; Raimundo Rebelo e Oliveira, do Rio Negro; Sidinho, do Olympico; Cabral e Mário Orofino, do Tijuca. Dos que foram chamados, alguns “importados”, tais como o goleiro Mota, cearense de nascimento, Omar e Sidinho, que pertenceram ao Santa Cruz, de Recife

Depois de passar fácil pela representação do Guaporé, com duas goleadas, de  5×0 e 9×0, neste jogo com grande destaque para o comandante nacionalino Paulo Onety que marcou oito gols, a CBD, diferente dos anos anteriores, quando o primeiro jogo sempre era em Manaus, inverteu a ordem. O primeiro em Belém e o segundo em Manaus. A seleção do Amazonas viajou com certo otimismo, mas a esperança mesmo era vencer o jogo de volta e sair para vencer, também, a prorrogação imediatamente a prorrogação aquii em Manaus.

Em Belém, no dia 22 de setembro de 1946, no campo do Clube do Remo, com o paraense Alberto da Gama Malcher no apito e debaixo de muita chuva, o Amazonas perdeu por 3×0, após 2×0 no primeiro tempo, gols de Helio, aos 34 e 36 minutos. No tempo final, outro gol do Pará aos 43 minutos, através de meia Teixeirinha. O Amazonas teve um gol de Raspada invalidado pelo árbitro sob a alegação de impedimento.

AMAZONAS: Limongi, Darcy e Aurélio; Lupercio, Salum Omar e Dog; Cabral, Mário Orofino, Paulo Onety, Sidinho e Raspada.

PARÁ: Dodó, Bereco e Expedito; Biroba, Manuel Pedro e Vicente; Dilermando, Arquimedes, Hélio, Teixeirinha e Boró.

O jogo de volta, a grande esperança do Amazonas em se classificar e continuar na competição, foi no dia 6 de outubro de 1946, no Parque. O árbitro era o amazonense e então Tenente do Exército, Waldir Martins, muito ligado ao Olympico Clube. O time amazonense apareceu com algumas alterações: Marcilio no lugar do paraense Darcy formando a zaga com seu irmão mais novo, Aurélio; Pedro Sena entrou no posto do paulista e Salum Omar e Raimundo Rebelo ocupou a posição do pernambucano Sidinho.

Logo no primeiro tempo, Paulo Onety, em grande forma, inaugurou o marcador para o Amazonas, mas a alegria durou pouco pois o arisco ponteiro Boró, igualou a contagem. No segundo tempo, o Amazonas voltou disposto a venceu e o ponteiro Cabral, para o delírio da grande massa que lotava as dependências do Parque, marcou o gol da vitória. Poucos minutos de descanso, e debaixo de muito nervosismo, começou a prorrogação. O Amazonas logo marcou através do zagueiro Marcilio, que machucado, fazia número na ponta esquerda. Veio porém, a tristeza, Hélio e Boró, com gols relâmpagos, liquidaram com as pretensões dos locais. O Amazonas estava desclassificado. A torcida cabisbaixa, deixava o velho estádio da antiga Linha Circular silenciosa, totalmente abatida.


PARA RECORDAR

No dia 30 de maio de 1965, jogando amistoso em Manaus, no Parque Amazonense, o São Paulo goleou o Rio Negro por 7×0, com arbitragem de Manuel Luís Bastos. Gols de Marco Antônio 3, Prado 2, Ifraim e Paulo Valentim.

SÃO PAULO: Suli (Raul), Osvaldo Cunha, Penachio, Jurandir (Ademir) e Tenente; Nenê (Serafim) e Valter (Vadinho); Marco Antônio, Prado (Ifaim), Paulo Valentim (Pagão) e Da Silva.

RIO NEGRO: Pedro Brasil (Marck Clark), Valdér, Zequinha Piola, Catita e Damasceno; Nonato (Santana) e Antero (Joãozinho); Tapioca, Tomaz, Cândido (Torrado) e Horácio (Sabá Burro Preto).

Matéria publicada originalmente na coluna Baú Velho, em 26 de outubro de 1997.

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