Há muito estava querendo atender a um leitor que sempre me escrevia solicitando a publicação de uma foto do time do General Osório disputante de alguns campeonatos oficiais do futebol local. Andei procurando antigos jogadores dessa equipe, conversei com o Joãozinho, que foi seu centromédio e também Comissário de Polícia, me virei por todos os lados, mas tudo em vão. E foi aí que surgiu o meu amigo Dudu, proprietário de uma rêde de drogarias — Mundo das Drogas — e que na sua mocidade jogou de zagueiro juvenil do Naça, que me acenou na hora certa com essa foto para atender ao exigente e impaciente leitor que volta e meia estava cobrando a publicação.
Mandou com uma recomendação severa:
— Zamith, quero-a de volta, por ser uma foto inédita.
Tudo bem! Aí está a foto inédita que trás o time do General Osório, formado por jogadores que na época estavam servindo ao Exército no antigo 27º Batalhão de Caçadores, que funcionava onde hoje está hoje o Colégio Militar.
A formação é de 1938. O General Osório, por iniciativa de alguns militares graduados, principalmente do então tenente Waldir Martins (morador da rua Coronel Salgado, na Aparecida) disputou dois campeonatos oficiais. E era fácil armar um bom time. Os jogadores de futebol convocados anualmente para servirem à Pátria, eram conversados e as vezes até obrigados a defenderem o time do Exército em troca de algumas regalias, como folgas para os treinos, isenção de longas e cansativas marchas, licença para namorar e por aí afora. E foi assim que o time do General Osório chegou a cumprir dois bons campeonatos e revelando, principalmente, um goleiro que se tornou ídolo da garotada residente nas imediações do antigo 27º B.C.
Lé – Ponteiro esquerdo que brilhou no Rio Negro e encerrou sua carreira no Nacional no final da década de 40;
Lauro Chibé – Jogou na União Esportiva. Morava em Aparecida e era especialista em confecção de Bumbas. Ele preparou o Boi Coringa em 45, o único Bumbá que fazia xixi. Lauro, hoje beirando os 80 anos, está firme como se fosse ainda o jovem de anos passados;
Nestor Nascimento – Jogou no Tijuca, Olimpico, Fast e em vida era funcionário da Prefeitura;
Camelo – Jogador que veio de Itacoatiara e por aqui ficou pouco tempo;
Régua – era cabo do Exército na época. Jogador muito arisco. Residia na Miranda Leão e depois foi para o Acre;
Bethovem – Goleiro que veio do interior para servir ao Exército. Era de uma colocação admirável. Chegou a jogar pela União Esportiva e seu nome andava na boca da garotada;
Hidelfonso Pinheiro – Zagueiro, jogou no Rio Negro e Independência. Ex-policial, já falecido;
Mário Miranda – Era sargento e jogou com destaque no Rio Negro;
Mário Ramos – Ponteiro que pela rapidez ganhou alguma fama. Foi funcionário do Deram e irmão do saudoso farmacêutico Aluísio Ramos;
Achão – Era sargento, também falecido;
Ciro – Médio que jogou no Fast, Rio Negro e São Raimundo. Pai do ex-ponteiro Melo, que jogou pelo São Raimundo na década de 70. Ciro ainda hoje é lembrado como um dos mais perfeitos na posição;
Gerson Montenegro – Nascido em Itacoatiara e por aqui chegou a jogar ainda pelo Fast Clube.
Nesta terça-feira, 21 de abril de 1987, está completando 68 anos o antigo craque do Rio Negro e Fast, Raimundo Garcia de Morais, o popular Dog, odontólogo aposentado pelo Ministério da Saú-de, Grau 33 da Grande Loja Maçônica Oriente do Brasil e que ainda foi campeão em 47 pelo Olímpico. E o meu afetuoso abraço ao meu caçula Carlson, que também apaga velinhas neste dia 21 e que lá em São Paulo, com a ajuda das jovens Rosely, Rossicley, Rossicleide e da dra. Soledad do Hospital das Clínicas, estão dando àquela força, a ele e minha esposa que o acompanha, para franca recuperação. Um abraço ao Dog e ao meu filho Carlson.
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