Antigos craques do nosso futebol estão indo embora. No ano de 1987, alguns ídolos partiram, como Babá (Rio Negro), Garibaldi e Mariozinho (Nacional), Paulo Lira (Fast), Vidinho e Benjamin Onety, também do Rio Negro e ontem um enfarte nos tirou do convívio amigo, o estimado crioulo LUPÉRCIO Pena do Nascimento, itacoatiarense de berço, bom nacionalino e sempre preocupado com seus antigos companheiros de futebol.
Ainda jovem, Lupércio pintou no futebol de Itacoatiara, jogando pelo Brasil e depois pelo Penarol. Veio direto para o Nacional, que sempre abrigou os craques da velha Serpa. Aqui, já em 1939, tornava-se campeão pela primeira vez, defendendo o Naça, pelo qual brigou nos campos até 1950 ao conquistar, invicto, seu último título.
Era um jogador duro, respeitado pelos atacantes adversários que o consideravam até como carrasco. Formou uma dupla de zaga muito famosa na década, de 40: Lupércio e Caçador. Era dureza passar por eles. Depois consagrou-se no nosso futebol formando o trio intermediário: Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho durante várias temporadas, titular absoluto do Nacional.
Lupércio foi campeão da cidade pelo Nacional em 1939, 1941, 1942, 1946 e 1950. No seu primeiro título, jogava ao lado de Joel, Otilio e Beré; Lupércio, Pedro Sena e Manuel Braga; Maurício, Chacon, Garibaldi, Emanuel e Didi. Já em 1950, quando foi campeão pela última vez defendendo o Naça, o time era formado por Sandoval, Mário Matos e Lupércio; Hélcio Sena, Caçador e Antonino (Gioia); Cabral, Hél-cio Peixoto, Luciano, Raspada e Linhares.
Sempre conversávamos sobre futebol e uma vez aqui mesmo na redação, antes de uma visita ao seu ex-companheiro Barrote para entrega-lo uma cadeira de rodas, Lupércio lembrou que a seleção de 1942 que derrotou o Pará, no Parque, por 2×0, foi uma das melhores. Recordou que Paulo Onety não pôde jogar porque estava contundido e o técnico Liberal convocou o Zequinha, do Fast, autor de um belo gol naquela partida. Nossa seleção, nesse jogo formou com lano, Tura e Marcílio; Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho; Oliveira, Emanuel, Zequinha, Raspada e Teixeirinha.
Lupércio era funcionário aposentado do IBGE e há algum tempo trabalhava nesta empresa. Até quinta-feira esteve no batente, conversou com o Bené e, na madrugada de sexta-feira começou a sentir-se mal.
Transportado imediatamente para um Pronto-Socorro por seus familiares, lá chegou sem vida. Deixou muitos filhos, os irmãos Esmeraldo (que também jogou pelo Naça) e João, ambos residentes em Belém e que ontem mesmo chegaram a Manaus para os funerais.
A notícia me foi dada pelo Ribas, ex-jogador do Naça. Logo segui para a funerária Almir Neves onde o corpo estava sendo velado. No caminho, Dog (ex-Rio Negro) e Mário Orofino (ex-Tijuca) me confirmaram a notícia. Lá encontrei outros antigos jogadores, lamentando o desaparecimento de um ex-craque e um bom amigo. Edgar, ex-zagueiro do Fast; Parintins, ex-rionegrino; Jofre Chacon e Paulo Onety, ex-nacionalinos, Flaviano Limongi, ex-Tijuca, filhos, amigos e companheiros de A Critica.
Lupércio nasceu em 4 de setembro de 1920, tinha comemorado 67 anos de idade há poucos dias, numa sexta-feira. Foi uma sexta-feira alegre e festiva, entretanto, sete dias depois, numa outra sexta-feira, a alegria deu lugar a tristeza para todos nós… porque Lupércio partiu.
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