13 de setembro de 2015

LUPÉRCIO, o bom nacionalino

Este Baú velho foi publicado originalmente em 13 de setembro de 1987.

Antigos craques do nosso futebol estão indo embora. No ano de 1987, alguns ídolos partiram, como Babá (Rio Negro), Garibaldi e Mariozinho (Nacional), Paulo Lira (Fast), Vidinho e Benjamin Onety, também do Rio Negro e ontem um enfarte nos tirou do convívio amigo, o estimado crioulo LUPÉRCIO Pena do Nascimento, itacoatiarense de berço, bom nacionalino e sempre preocupado com seus antigos companheiros de futebol.

Ainda jovem, Lupércio pintou no futebol de Itacoatiara, jogando pelo Brasil e depois pelo Penarol. Veio direto para o Nacional, que sempre abrigou os craques da velha Serpa. Aqui, já em 1939, tornava-se campeão pela primeira vez, defendendo o Naça, pelo qual brigou nos campos até 1950 ao conquistar, invicto, seu último título.

Era um jogador duro, respeitado pelos atacantes adversários que o consideravam até como carrasco. Formou uma dupla de zaga muito famosa na década, de 40: Lupércio e Caçador. Era dureza passar por eles. Depois consagrou-se no nosso futebol formando o trio intermediário: Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho durante várias temporadas, titular absoluto do Nacional.

Lupércio foi campeão da cidade pelo Nacional em 1939, 1941, 1942, 1946 e 1950. No seu primeiro título, jogava ao lado de Joel, Otilio e Beré; Lupércio, Pedro Sena e Manuel Braga; Maurício, Chacon, Garibaldi, Emanuel e Didi. Já em 1950, quando foi campeão pela última vez defendendo o Naça, o time era formado por Sandoval, Mário Matos e Lupércio; Hélcio Sena, Caçador e Antonino (Gioia); Cabral, Hél-cio Peixoto, Luciano, Raspada e Linhares.

Participou de várias seleções do Amazonas que disputavam o campeonato brasileiro

Sempre conversávamos sobre futebol e uma vez aqui mesmo na redação, antes de uma visita ao seu ex-companheiro Barrote para entrega-lo uma cadeira de rodas, Lupércio lembrou que a seleção de 1942 que derrotou o Pará, no Parque, por 2×0, foi uma das melhores. Recordou que Paulo Onety não pôde jogar porque estava contundido e o técnico Liberal convocou o Zequinha, do Fast, autor de um belo gol naquela partida. Nossa seleção, nesse jogo formou com lano, Tura e Marcílio; Lupércio, Pedro Sena e Mariozinho; Oliveira, Emanuel, Zequinha, Raspada e Teixeirinha.

Lupércio era funcionário aposentado do IBGE e há algum tempo trabalhava nesta empresa. Até quinta-feira esteve no batente, conversou com o Bené e, na madrugada de sexta-feira começou a sentir-se mal.

Transportado imediatamente para um Pronto-Socorro por seus familiares, lá chegou sem vida. Deixou muitos filhos, os irmãos Esmeraldo (que também jogou pelo Naça) e João, ambos residentes em Belém e que ontem mesmo chegaram a Manaus para os funerais.

A notícia me foi dada pelo Ribas, ex-jogador do Naça. Logo segui para a funerária Almir Neves onde o corpo estava sendo velado. No caminho, Dog (ex-Rio Negro) e Mário Orofino (ex-Tijuca) me confirmaram a notícia. Lá encontrei outros antigos jogadores, lamentando o desaparecimento de um ex-craque e um bom amigo. Edgar, ex-zagueiro do Fast; Parintins, ex-rionegrino; Jofre Chacon e Paulo Onety, ex-nacionalinos, Flaviano Limongi, ex-Tijuca, filhos, amigos e companheiros de A Critica.

Lupércio nasceu em 4 de setembro de 1920, tinha comemorado 67 anos de idade há poucos dias, numa sexta-feira. Foi uma sexta-feira alegre e festiva, entretanto, sete dias depois, numa outra sexta-feira, a alegria deu lugar a tristeza para todos nós… porque Lupércio partiu.

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