8 de maio de 2026

CAMPOS: a estreia de um artilheiro que conquistaria o Brasil

O futebol amazonense vivia um momento de transformação no início da década de 1970. O Nacional Futebol Clube buscava reforços para encarar os grandes desafios do futebol brasileiro, e foi nesse cenário que surgiu, em Manaus, um jovem atacante mineiro que rapidamente ganharia notoriedade nacional: Cosme da Silva Campos, o inesquecível Campos.

Nascido em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, em 21 de dezembro de 1952, Campos iniciou sua trajetória no Atlético Mineiro. Mas seria em Manaus, defendendo o Nacional, que seu nome ecoaria pelos quatro cantos do país como um dos grandes artilheiros do Campeonato Brasileiro de 1972.

Segundo os alfarrábios do saudoso Carlos Zamith, guardião da memória do futebol amazonense e criador do Baú Velho, a estreia oficial de Campos aconteceu no dia 20 de agosto de 1972, pela Taça Amazonas, diante do Fast Clube, no Estádio Vivaldo Lima.

A expectativa era enorme. Naquele mesmo dia, além de Campos, também estreavam Danival, Ismael, Laci e Pedrilho — todos vindos do Atlético Mineiro por empréstimo. O clássico terminou empatado em 1 a 1. Ismael marcou para o Nacional, em cobrança de pênalti, enquanto Ivo fez o gol do Fast. Campos entrou no decorrer da partida, substituindo Pedrilho, dando ali seus primeiros passos com a camisa azulina.

Poucos imaginavam que aquele jovem atacante se transformaria, semanas depois, em um dos nomes mais comentados do futebol brasileiro.

Sua segunda apresentação ocorreu em 3 de setembro de 1972, em amistoso contra o São Cristóvão, do Rio de Janeiro, novamente no Vivaldo Lima. O empate sem gols pouco revelou do potencial do atacante, que entrou no segundo tempo no lugar de Laci.

Mas o destino reservava um capítulo especial para Campos no então chamado Copão Brasil.

No dia 17 de setembro de 1972, diante do poderoso Vasco da Gama, o Nacional perdia por 3 a 0. O time carioca tinha jogadores como Andrada, Alcir Portela, Buglê, Silva, Tostão e Gilson Nunes. O jogo caminhava para o fim quando o técnico Paulo Emílio decidiu colocar Campos em campo no lugar de Walmir Coutinho.

Aos 41 minutos do segundo tempo, o jovem atacante marcou o gol de honra do Nacional. Era apenas um gol numa derrota praticamente consumada. Mas, na prática, nascia ali o artilheiro que ganharia as manchetes do Brasil.

No jogo seguinte, em Natal, contra o ABC, Campos explodiu definitivamente. Marcou os três gols do empate em 3 a 3 e iniciou uma sequência impressionante de gols que o levaria à liderança da artilharia nacional.

De partida em partida, Campos foi se transformando em sensação do campeonato. A imprensa esportiva do Sul e Sudeste passou a olhar para Manaus e para o futebol amazonense com respeito e admiração.

Sua trajetória parecia destinada ao brilho absoluto.

Porém, o destino também reservou dureza ao atacante. Até as últimas rodadas do Brasileiro de 1972, Campos liderava a artilharia da competição. Mas em 22 de novembro, no Vivaldo Lima, o Nacional enfrentou justamente o Atlético Mineiro, clube dono de seus direitos.

Do outro lado estava Dadá Maravilha, o lendário “Peito de Aço”, perseguindo Campos na disputa pela artilharia.

Naquela noite histórica, Dadá marcou os quatro gols da vitória atleticana por 4 a 2, ultrapassando Campos na tabela de goleadores. O atacante azulino, seriamente contundido, jogou no sacrifício e pouco conseguiu produzir.

Era o início de uma curva inesperada na carreira de um jogador que prometia alcançar voos ainda maiores.

Carlos Zamith registrava, com tristeza, que Campos jamais conseguiu organizar financeiramente a vida. O dinheiro que ganhou “não esquentava na mão”. Longe dos grandes centros e do glamour do futebol, voltou para sua cidade natal, Pedro Leopoldo, onde passou a trabalhar humildemente ensinando futebol para crianças carentes.

Mas, para a torcida nacionalina e para a memória do futebol amazonense, Campos jamais deixou de ser aquele jovem atacante que chegou discretamente ao Vivaldo Lima em agosto de 1972 e, em poucas semanas, transformou-se num dos maiores artilheiros que o Amazonas já viu vestir a camisa azulina.

© Baú Velho — Acervo Carlos Zamith

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