O futebol amazonense está de luto. Faleceu nesta quarta-feira, aos 74 anos, o ex-jogador Orange Ruiz de Melo, conhecido como “O Baixinho”, que marcou época nos gramados de Manaus, vestindo as camisas de tradicionais clubes como São Raimundo, Rio Negro, Sul América e Fast Clube.
Nascido em 22 de setembro de 1952, Orange destacou-se pela habilidade, velocidade e pelos dribles curtos que encantavam os torcedores. Revelado pelo São Raimundo, construiu uma trajetória de conquistas, incluindo o título amazonense pelo Rio Negro, em 1975, e a Taça Amazonas pelo Sul América, em 1977.
Sua história foi registrada pelo saudoso jornalista e historiador esportivo Carlos Zamith, em sua tradicional coluna Baú Velho, publicada no jornal A Crítica. Sob o título “O Baixinho”, Zamith relembrou os primeiros passos do jogador, suas passagens pelos clubes amazonenses e os momentos marcantes de sua carreira.
Em homenagem à memória de Orange, o Baú Velho resgata hoje essa preciosa reportagem, preservando as palavras de Carlos Zamith e um capítulo da história do nosso futebol.
O Fast Clube, uma das equipes defendidas pelo ex-atleta, também manifestou publicamente seu pesar pelo falecimento.
Descanse em paz, Orange! Sua história permanece viva na memória do futebol amazonense e nas páginas do Baú Velho.
Por Carlos Zamith — Jornal A Crítica — 4 de julho de 1999
No seu primeiro ano de fundação, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) passou a dar total apoio às categorias inferiores do nosso futebol. O São Raimundo Esporte Clube apresentou-se para o campeonato da “Escolinha” com um time que fez sucesso, enchendo os olhos dos torcedores pela qualidade de seus jogadores, dentre eles, os irmãos Bolo e Marcos, Saúva e, principalmente, o baixinho Orange, um garoto de bom drible, baixinho, arisco, boa velocidade, com pinta de futuro craque. Os que assim pensaram não erraram. Rapidamente ganhou destaque no “Tufãozinho”, passando para a categoria juvenil até alcançar o time titular como profissional, em 1971. Sua estreia no time de cima foi um pouco amarga, porque perdeu para o Sul América, por 2 a 1, mas teve a glória de marcar o gol de seu time.
Orange Ruiz de Melo, nascido a 22 de setembro de 1952, com 1m66 de altura é irmão do ex-goleiro Valdir Melo, que, durante muitos anos defendeu a meta do São Raimundo e pelo qual foi campeão em 1961 e 1966. É ainda primo do ex-ponteiro direito Melo, que também jogou no São Raimundo formando o célebre ataque: Melo, Airton, Santarém, Almir e Vadinho.
Verdade que Orange teve uma carreira um tanto incerta no futebol. Mudou de clube várias vezes, mas seu caminho sempre era um time do bairro onde nasceu.
Em 1975, quando o Rio Negro se preparava para conquistar o título, Orange foi um dos contratados, dentre mais de 40 jogadores, a maioria “importados”. Fez sua estreia no time rionegrino contra o América e ganhou de 3 a 0. O terceiro gol dessa partida foi de sua autoria. Foi campeão da temporada, embora perdendo a posição de ponteiro direito para o “importado” Sidney, nas últimas partidas da competição.
No ano seguinte, o Rio Negro não disputou o campeonato oficial e Orange, como os demais jogadores, tomaram rumos diferentes.
Voltou ao São Raimundo mas, em 1977 estava com a camisa do Sul América, sagrando-se campeão da Taça Amazonas e ainda o artilheiro da equipe com quatro gols. O time era formado por Valter, Heleno, Mário Bacuri, Valdomiro e Manuel; Rai, Gilson e Carioca; Careca, Domingos ou Zé Eduardo e Orange.
O Sul América venceu o Nacional na partida decisiva por 2 a 0. Careca marcou o primeiro e ele, Orange, o segundo.
Mais uma volta pelos clubes. Em 1979 vestiu a camisa do Fast Clube, atuando ao lado de Pedro Azulão, Mário Bacuri, Zé Lima, Carlos Xepa, Fabinho, Anselmo, Judelci, Raulino, Luís Carlos e Fontenele. Em boa campanha, o Fast chegou às finais, mas o título ficou com o Nacional.
Orange jogou ainda a temporada de 1980 pelo tricolor e perdeu a decisiva para o Nacional. Nesse mesmo ano participou do jogo contra o Cosmos, quando o estádio Vivaldo Lima recebeu o maior público pagante de sua história, atuando ao lado de Jairzinho, o “Furacão da Copa”.
Jogando pelas extremas, de preferência pela esquerda, embora utilizasse com mais frequência a perna direita, tinha dribles curtos, sempre progressivos, preparando as jogadas para os atacantes que se colocavam à frente da meta adversária.
Voltou ao Sul América em 1981, já com 32 anos de idade, onde encerrou a sua longa carreira em 1984. Fez seu último jogo no dia 28 de outubro, em Itacoatiara, contra o Penarol, pelo campeonato. Perdeu por 1 a 2 e abriu a contagem para o seu time, que jogou com Alexandre, Lúcio, Marcos, Augusto e Lauro Goiaba; James, Caroço e Bifé; Edson, Assis e Orange.
Funcionário da Cosama há mais de 20 anos, pai de um casal de filhos, participa, às vezes, de “peladas” com antigos jogadores de sua época, como Casemiro, Ivo e Genival, que jogou no América e hoje é professor da Utam.
Vai passando o tempo para não esquecer definitivamente a bola, que boas amizades lhe proporcionou.
Nota do Baú Velho: Esta reportagem, de autoria do jornalista e historiador Carlos Zamith, foi publicada originalmente no jornal A Crítica, em 4 de julho de 1999. O texto foi resgatado do acervo histórico em homenagem ao ex-jogador Orange Ruiz de Melo, falecido em 4 de novembro de 2026, aos 74 anos. Nota de esclarecimento: A referência à idade de 32 anos em 1981 apresenta uma divergência cronológica. Nascido em 22 de setembro de 1952, Orange completou 32 anos em 1984, ano em que encerrou sua carreira. A redação original foi preservada por fidelidade ao documento histórico.
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