15 de agosto de 2010

Avenida Constantino Nery

A Avenida Constantino Nery já mudou de nome cinco vezes, mas agora já se vão mais de meio século e, felizmente, ninguém mais se preocupou em fazer nova troca. A denominação dessa Avenida foi oficialmente dada em 1905, por força da Lei nº. 426, de 30 de novembro.

Cinco anos depois, exatamente no dia 28 de novembro de 1910, a Intendência Municipal aprovou um projeto do Intendente Alberto Botelho Coelho, subscrito pelos seus pares Carlos Studart, Agostinho César de Oliveira, Francisco Bernardo de Farias e Polidoro Rodrigues, propondo a mudança do nome de Avenida Constantino Nery, para Avenida João Coelho, em homenagem ao então governador do Pará, Dr. João Antonio Luiz Coelho.

NOVA MUDANÇA

Já em 1919, o Intendente Licínio Silva foi o autor de outro projeto de Lei, mudando a denominação de Avenida João Coelho, para Avenida Olavo Bilac, propositura que foi aprovada e transformada na Lei nº. 999, de 20 de março.

Mas em 1927, o Intendente Sérgio Rodrigues Pessoa, foi autor de um projeto restabelecendo o nome da Avenida Constantino Nery, anulando, portanto, a Lei anterior, a que deu o nome de Olavo Bilac. O projeto de Sérgio Pessoa foi aprovado, sem qualquer restrição.

Em 1930, três anos depois, essa artéria sofre nova mudança em sua nomenclatura. O Prefeito Municipal nomeado por alguns meses, após a Revolução de 1930, professor Marciano Armond, baixou Decreto nº 03, com data de 01 de novembro anulou "as mais recentes leis que mudaram os nomes de diversas ruas e avenidas". Dentre elas estava a Avenida Constantino Nery, que por esse Ato voltou a chamar-se Avenida Olavo Bilac.

Embora restabelecida a denominação de Olavo Bilac, a verdade é que ninguém conseguiu gravar esse nome. Para os habitantes de Manaus, aquela via continuava sendo conhecida por João Coelho e por muito tempo, pois até os coletivos e os antigos "expressinhos", permaneciam com a placa de "João Coelho", pelo menos até a década de 70.

A VOLTA

Em 1953, na segunda legislatura da Câmara Municipal de Manaus após a redemocratização do país, o Vereador Walter Rayol, eleito pelo PTB com expressiva votação, levou a discussão do Plenário do Legislativo, um projeto que se transformou na Lei nº. 295, de 12 de outubro, propondo a volta do nome de Constantino Nery, com a justificativa que foi publicada no “O Jornal” desta cidade:

"Reparando uma injustiça que vem sendo mantida sem razão plausível, fazemos voltar a sua antiga denominação a Avenida Constantino Nery, que lhe foi dada em 1905, pela Lei n.426, de 30 de novembro. Esta via pública foi aberta no governo do general Constantino Nery, seu idealizador e construtor. Não desejamos fazer desaparecer o nome de Olavo Bilac, o poeta primoroso e principalmente fundador da Liga de Defesa Nacional. E, o nome de Olavo Bilac fica transferido para a terceira parte da Avenida Ipixuna, no bairro de Cachoeirinha".

Foi assim que a Avenida Constantino Nery voltou a ter seu nome primitivo. O projeto de Walter Rayol recebeu o apoio de seus companheiros Ismael Benigno, Edgard Macedo e Raimundo Coqueiro Mendes, este presidente da Câmara Municipal.

RESUMO

Lei nº 426, de 30-11-1905 – Constantino Nery para João Coelho;

Lei nº 999, de 26-03-1919 – João Coelho para Olavo Bilac;

Lei nº 1407, de 04-05-1927 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery;

Decreto 03, de 01-11-1930 – Constantino Nery volta a Olavo Bilac;

Lei nº 295, de 12-10-1953 – Olavo Bilac volta a Constantino Nery.

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20 comments
  • Erica Larissa Whibbe Evangelista

    Achei muito interessante ver a João Coelho sem o terminal, tinha muita curiosidade em ver mais fotos por ex.da Djalma Batista antiga.

    17 de março de 2011 20:06 || Responder

  • Daniel Sales

    Lembremos, que um dos primeiros, senão o primeiro Supermercado de Manaus localizou-se nesta importante artéria. Que bom tmbém que o prefeito Jorge Teixeira, a partir de 1976 não derrubou as vistosas e frondosas mangueiras da rua, em vista de construir um corredor de transportes coletivos.

    27 de julho de 2011 10:48 || Responder

  • Adson Matos

    Obrigado por sua grandiosa contribuição para com a história de Manaus. Com muito humildade reconheço e agradeço.

    29 de julho de 2011 11:55 || Responder

  • Arlinton Cabo Verde Ribeir

    Minha família da parte materna, são moradores pioneiros do Morro do Tucumã (Matinha) Minha mãe conta que a João Coelho era larga e as ruas que descem para dentro da Matinha eram caminhos estreitos e escorregadios dia de chuva, creio que as mangueiras que ainda estão até hoje na Av. Constantinpo Nery são daquela época, Carlos Zamith, vc está de parabéns por nos fazer lembrar de coisas boas e tão maravilhosas, sou fascinado por fotos em preto e branco e ainda mais antigas, não sei se conhece minha família, faço parte da parentela dos CABO VERDE, meu avó Olímpio Cabo Verde ex-soldado da burracha e aposentado pelo DERAM, contava para nós que quando chegou aqui a João Coelho era somente um caminho estreiro de barro e logo quando começou a fazer seu casebre de palha ele falava que era no meio da mata, ali nas proximidades do Mecadinho Cunha Mello, a casa dele é descendo a rua Barcelos, meus avós não estão mais entre nós, hoje esse “casebre” localiza-se na rua Santa Quitéria, bem próximo ao Grupo escolar Antonio Telles de Souza.

    10 de novembro de 2011 12:20 || Responder

  • Cabo Verde

    Meu caro Carlos Zamith, você teria fotos do “cinemas” que existiam no passado aos vinte anos para trás? Parabéns, por nos propocionar momentos de lembranças tão maravilhosas, que Deus conceda a você sua família muita saúde paz e boas festas e que todos os desejos do seu coração venham ser realizados no tempo de DEUS. Amém.

    29 de novembro de 2011 12:09 || Responder

  • Cabo Verde

    Lembro-me de um supermecado na Constantino Nery por nome, não tenho a certeza se o nome está correto; “HOIALE” ficava em frente a Cocil próximo a saída do São Jorge no sentido bairro centro, era a sensação do momento para mim quando criança, sem falar do grandioso Mercado Grande o famoso “Mercadão” Adolfo Lisboa e o Mercadinho Cunha Mello; que saudade!!! lembro das tardes em que iamos a Praça da Saudade, onde havia um avião abandonado, Sr. Carlos Zamith, será que você fortos daquela “avião”?
    São tantas lembranças, que bom, há quem não lembra do “serou e papagaios do Russo da av Joaquim Nabuco, era em um beco, “famoso no balde” como dizem os mais antigos.

    29 de novembro de 2011 12:25 || Responder

  • Carlos Zamith
    Carlos Zamith

    Cabo Verde:
    O mercado que você fala era o Royale naquele exato local. Havia ainda um outro da mesma firma, na Praça do Dom Bosco com a Saldanha Marinho.
    Infelizmene não tenho do avião.

    29 de novembro de 2011 13:24 || Responder

  • Ademir

    Apesar de Eu ter nascido nos ano 1982, mais amo ver as fotos de Manaus antigas.

    23 de dezembro de 2011 17:49 || Responder

  • Cabo Verde

    Beleza, Ademir você tem gosto e o dom que tenho de amar as coisas da antiguidade, espero que vc goste de visitar sempre este site do Sr. Carlos e se falando nele parabéns Zamith por estes presentes que vc nos propociona em rever.

    11 de abril de 2012 12:04 || Responder

  • cleuton cordeiro

    Parabéns que o senhor tenha muitos anos de vida e possa nos propocionar momentos como esse que mostra nas fotos e histórias de nossa cidade , que um dia os políticos se juntem e reconstrua tudo de novo vaeluuu

    12 de abril de 2012 22:07 || Responder

  • Anderson

    Tenho 33 anos e amei esse site, pus no favorito para consulta, muito interessante ter saudade de uma epoca que não vivi

    29 de maio de 2012 11:52 || Responder

  • Caríssimo Carlos Zamith,
    Ao pesquisar informações de meu amigo Nonato Cearense que jogou no Nacional Fast Clube em 1968 e que desde 1976 reside em Salvador/BA, cheguei as lágrimas ao reencontrar com minha gênese, a Manaus que não sai de meu coração. Essa foto da Av. João Coêlho reporta a minha infância quando descia no sentido bairro centro até a escola Divina Providência na Praça do Congresso. Se não estou enganado, leio no primeiro plano da imagem que o imóvel a esquerda trata-se de uma “taberna” na esquina da Av. Ayrão e de propriedade de um espanhol, fora da imagem localiza-se a residência do Josué Claudio de Souza (pai), o Reservatório da Castelhana e muito próximo da antiga Praça da Bola, sem o horrendo elevado. Na outra esquina da Av. Ayrão o jogador Casemiro (Fast Clube), foi proprietário de uma sorveteria. Sou sobrinho de João Lopes de Castro e imão de criação de Orlando Pimentel, os dois maiores ciclistas manauaras do Séc. XX, se tiveres registros desses dois grandes esportistas ficarei muitíssimo grato em revê-los no “Baú Velho”. Que Deus te dê muitos anos de vida para ainda veres o futebol amazonense ressurgir das cinzas como a Fênix Alada.

    4 de setembro de 2012 19:59 || Responder

  • DARIO LEANDRO

    ESPERO QUE ALGUEM DE CONTINUIDADE NO CARLOS ZAMITH AMAVA FAZER QUE ERA CONTAR AS HISTORIAS DO FUTEBOL AMAZONENSE E DEVERIAM REFORMA O PARQUE AMAZONENSE EM HOMENAGEM AO SEU NOME ELE MERCER…….

    29 de julho de 2013 08:24 || Responder

  • Elder Dutra Bahia

    Gostei muito do que vi, pois as fotos são muito diferente do que é hoje. Muito bom trabalho.

    17 de outubro de 2013 20:56 || Responder

  • AUGUSTO JORGE FERREIRA LIMA

    Parabens Carlos Zamith pelo Baú Velho. Morei na década de 70 em Manaus, aonde passei minha meninice na Matinha. Ao ler o comentário de Arlinton Cabo Verde Ribeir, me veio o saudosismo daquela época, porque foi exatamente ali onde morei e estudei. Saudades da minha mãe de criação conhecida como “dona Mariquinha” cuja filha morava na Santa Quitéria, e eu morava com minha mnae por detras da escola Antonio Teles de Sousa. Goste muito de relembrar. Muita saúde e prosperidade.

    6 de novembro de 2014 07:58 || Responder

  • muito legal ver nossas historia , e como começou e é muito interessante quando vamos lendo e viajando pela historia, amo demais ver nossa historia e quero aprender mas sobre minha cidade querida que amo de paixão.. beijo e obrigado

    15 de novembro de 2014 00:03 || Responder

  • Cleibison Freitas

    Encontrei este blog por acaso, nasci em 87 mas adoro ver como era minha querida cidade antigamente, parabéns Carlos Zamith.

    11 de março de 2015 16:15 || Responder

  • Joab . Melo

    Sempre lia a coluna Baú Velho nos jornais onde Carlos Zamith os publicava. Porém encontrar na intrnet foi muito gratificante, poder rever coisas da nossa Manaus “antiga”não tem preço, Carlos Zamth tinha uma mente brilhante, espero que alguém dê continuidade a essa trabalho tão bonito.

    16 de junho de 2015 19:59 || Responder

    1. Carlyle
      Carlyle

      Grato amigo. É o que estamos tentando fazer. Mas você sabe… meu pai era testemunha ocular de tudo o que ele escrevia.

      19 de julho de 2015 13:50 || Responder

  • Rayssa Mansur

    Olá, gostaria de saber, se você tem alguma informação ou foto do antigo do prédio da Imprensa Oficial, que se localiza na Leonardo Malcher por trás da Imprensa Oficial. Se houver alguma foto que possa me ajudar em um trabalho, agradeceria. Obrigada. Adorei seu site. Irá me ajudar muito. Arq. Rayssa Mansur

    21 de julho de 2015 15:07 || Responder

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