29 de julho de 2013

Carlos Zamith, o catador de folhas

Por Roberto Zamith (neto de Carlos Zamith)

Eis de um certo homem
Que toda manhã acordava para recolher as folhas caídas pelo vento
Vento que soprava para que ele pudesse levantar de sua cama e recolhe-las.

Eis de um certo homem
Que um dia caiu tentando recolher as mangas de uma árvore.
Vento que soprava para que a árvore não tivesse mais mangas e ele nunca mais caísse.

Eis de um certo homem
Que transmitia conselhos, paz e harmonia para todos que lhe rodeavam
Vento que levava e trazia as pessoas para crescer e colorir o jardim

Eis de um certo tempo
Que as folhas caíam, que as mangas caíam, que o jardim morria e a chuva levava
Sem vento tudo ficou monótono, silencioso e vazio.

O vento não retornou mais…

Até que um dia, o homem voltou um pouco diferente
E sentiu no seu rosto a Luz do sol, o canto do pássaro e o velho vento lhe acariciando a pele

Eis que este homem se foi
E agora soprará o vento para que outros possam recolher folhas, mangas e reflorir um novo jardim.

Adeus, meu avô querido, Carlos Zamith

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3 comments
  • Marcelo Costa

    Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias. Mas colocá-las em forma de poesia, deixo-as para o meu nobre e querido Roberto Zamith, que herdou de seu querido avô Carlos Zamith o dom de escrever poesias.
    Roberto, esta é, sem dúvida, uma das mais belas poesias que já li em toda minha vida.
    Isso é a pura transcrição das coisas simples que o Sr.Zamith cultivava e por trás dessa simplicidade, estava aquele grande homem. A mim, o Sr.Zamith deixou grnades ensinamentos e que jamais irei esquecer. Parabéns Roberto!

    29 de julho de 2013 07:37 || Responder

  • Alberto Onety

    Apresento minhas condolências a família do ilustre, digno e honrado Sr. Carlos Zamith, pelo seu falecimento. Como filho de um dos ícones do futebol amazonense que se chamou Paulo Onety, tive a felicidade e a oportunidade de em alguns momentos conviver com esse baluarte da crônica do futebol amazonense, um monstro, uma história viva do que foi, era e é o futebol local, face seu excepcional acervo de fotografias e reportagens sobre esse esporte em Manaus. A perda é irreparável e ficará uma enorme lacuna na crônica esportiva amazonense. Que seu legado seja admirado e dado sequência pela nova geração de jornalistas que enveredarem pelo caminho da história do futebol baré. Que Deus o acolha Sr. Carlos Zamith, e com certeza, meu Pai, Sr. Flaviano Limongi estarão lhe recepcionando no mundo divino do senhor. Descanse em paz pois aqui na terra sua missão foi exemplarmente cumprida.

    29 de julho de 2013 14:52 || Responder

  • Miguel Garcia de Queiroz

    Meus setimentos! Sou de Porto Velho, Rondônia, e leitor/fã do porta Bau Velho. À distância acompanhei a jornada do Sr. Zamith e do seu legado à cultura e ao esporte amazonense. Parabéns pela crônica!

    2 de agosto de 2013 03:10 || Responder

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