O Nossa Senhora das Graças, antigo Beco do Macedo, na Zona Centro-Sul, abriga um dos lugares mais importantes do século XX para a prática esportiva na cidade de Manaus: o Parque Amazonense. Famoso por tradicionais corridas hípicas e jogos de futebol, e símbolo de uma geração, o local, que hoje guarda poucas lembranças do que foi o estádio – como o portal de entrada - encontra-se à venda pelo montante de R$ 8 milhões.
Segundo o historiador Carlos Zamith, o Parque Amazonense surgiu em 1906, no governo do então coronel Antônio Constantino Nery e do prefeito de Manaus, o coronel Adolpho Guilherme de M. Lisboa, que através da Lei da Intendência autorizou que aquela terra, no antigo bairro Mocó, fosse concedida a um cidadão e que ali se construísse um hipódromo. Em 1912 o hipódromo foi fechado e, em 1918, através de uma doação de um Dispensário Maçônico, foi construído um estádio de futebol, que passou a receber jogos do Campeonato Amazonense, afirma Zamith.
O primeiro clássico no Parque foi entre Rio Negro e Nacional, no dia 13 de julho de 1918, com o placar de 1 a 1. “Na década de 60, o América Futebol Clube foi arrendatário das partidas. Mas, com a inauguração do Vivaldo Lima, os jogos passaram a ser no novo estádio e o América não teve mais condições de repassar a verba”, contou Zamith. O último jogo no Parque foi realizado em 8 de julho de 1973, entre Rio Negro e Rodoviária. O galo venceu por 3 a 1.
Para o radialista e coordenador do Peladão, Arnaldo Santos, é lamentável a venda desse ponto histórico de Manaus. “É muito triste, é uma falta de respeito com o passado. Agora, não sabemos o que vai ser construído ali e onde está a história da cidade”, argumentou Santos, ao lembrar que fez sua primeira transmissão para o rádio, em 60, no saudoso Parque Amazonense.
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